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Graduação e pós

Carrefour pagará 262 bolsas para estudantes negros no RS após caso João Alberto, em 2020

Investimento de R$ 68 milhões em todo o Brasil é resultado do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pela empresa com o Ministério Público e Defensoria Pública

02/02/2023 - 10h51min

Atualizada em: 02/02/2023 - 11h26min


Bruno Pancot
Bruno Pancot
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Marco Favero / Agencia RBS

O Grupo Carrefour irá pagar bolsas de estudo para 262 estudantes negros matriculados em cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado de universidades públicas e privadas do Rio Grande do Sul. Em todo o país, a multinacional francesa irá financiar 883 bolsas. A divulgação do cronograma e a seleção dos alunos caberá às instituições de ensino superior habilitadas.

O investimento de R$ 68 milhões em bolsas de estudo é resultado de um acordo assinado pelo Carrefour com Ministério Público estadual, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, Defensoria Pública do Estado e Defensoria Pública da União em junho de 2021, após o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, homem negro que foi espancado e morto em uma unidade da multinacional no bairro Passo D'Areia, em Porto Alegre, em 2020. O caso ocorreu na véspera do Dia da Consciência Negra e provocou protestos em diversas capitais do país.

No Rio Grande do Sul, as bolsas irão contemplar 90 estudantes em cursos de graduação, 61 em especializações, 91 para mestrados e 20 para doutorado. O custeio será pago pelo tempo de duração integral do curso, sendo que o aluno deverá concluir os estudos no prazo recomendado pela universidade. Pedidos de suspensão ou prorrogação de prazo para a conclusão não serão aceitos.

Para receber a bolsa, o estudante deverá ser aprovado em todas as disciplinas e precisa cumprir a frequência mínima de presença em aulas. Além disso, deverá estar matriculado na instituição entre o primeiro e o penúltimo ano dos cursos.

Alunos beneficiados com bolsas Capes ou CNPq serão desconsiderados para a concessão de bolsas no programa.

Os valores dos incentivos variam de acordo com a etapa de ensino:

  • R$ 1 mil mensais para permanência na graduação e especialização;
  • R$ 3,5 mil mensais para mestrado;
  • R$ 5 mil mensais para doutorado.

No caso de alunos que tenham ingressado por meio de cotas, a seleção seguirá critérios como menor renda familiar, notas e índice de desempenho do aluno na universidade.

Universidades

Na última terça-feira (31), a empresa Cebraspe, responsável pela seleção de universidades e cursos, divulgou a lista de instituições e quantas bolsas serão oferecidas em cada uma delas. Foram priorizados cursos que historicamente possuem menor presença de estudantes negros, como Ciências Biológicas, Medicina, Odontologia, Engenharias, Direito, Comunicação, Ciências da Computação, Economia, Administração e Arquitetura.

Entre as universidades escolhidas no Estado estão as seguintes instituições:

  • Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS);
  • Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); 
  • Universidade Federal do Rio Grande (Furg); 
  • Universidade Federal de Pelotas (UFPel);
  • Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS);
  • Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos);
  • Universidade de Passo Fundo (UPF);
  • Centro Universitário Ritter dos Reis (Uniritter). 

A lista completa de cursos e bolsas pode ser conferida aqui.

Acordo

O pagamento das bolsas pelo Carrefour cumpre estritamente o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em junho de 2021 pela multinacional francesa e pelos órgãos de Justiça. O acordo previa investimento de R$ 68 milhões em bolsas e este será o valor efetivamente empenhado.

Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal
João Alberto foi morto por seguranças na unidade do Carrefour do Passo D'Areia, em Porto Alegre, em 2021

A empresa deverá investir R$ 115 milhões pelo acordo firmado no TAC. Além das bolsas, estão previstos ações em campanhas educativas de combate ao racismo, projetos sociais e culturais e desenvolvimento de empreendedores negros.

— A publicação do resultado final de seleção das mais de 880 bolsas de estudo e permanência para pessoas negras impactará positivamente na vida de muitas pessoas, que poderão, com o estudo, ter uma nova perspectiva de vida e de futuro, para si e suas famílias — avalia o defensor público Rafael Pedro Magagnin, que é um dos signatários do acordo.


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