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VERDADES SECRETAS

Veja as histórias de três gaúchas que, como Angel, aceitaram fazer o book rosa

Em entrevista ao DG, elas revelam como receberam as propostas, contam o que mudou em suas vidas e revelam como fica a consciência depois dos programas

11/07/2015 - 12h04min

Atualizada em: 11/07/2015 - 12h04min


Cristiane Bazilio
Cristiane Bazilio
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reprodução / Gxhow
Angel é uma das garotas de Fanny (Marieta Severo), que agencia os programas das modelos de sua agência

Verdades Secretas colocou nas rodas de conversa de todo o Brasil um assunto que, até então, costumava ficar restrito aos bastidores da moda: o book rosa. Um catálogo de modelos que, eventualmente, aceitam fazer sexo em troca de altas quantias em dinheiro, presentes valiosos e vantagens profissionais.

Na novela das 23h, Fanny (Marieta Severo) oferece meninas da sua agência a clientes poderosos como Alex (Rodrigo Lombardi). Angel, interpretada por Camila Queiroz, é sua principal modelo e sucumbiu à tentação da grana alta e rápida, aceitando fazer parte do catálogo de prostitutas de luxo da agência.

Diário Gaúcho conversou com três modelos que fazem - ou já fizeram - o book rosa. Elas revelam como receberam as propostas, contam o que mudou em suas vidas e revelam como fica a consciência depois dos programas.

Saiba ainda o que diz a lei sobre a prostituição e confira dicas para quem deseja ingressar no mundo na moda não cair na cilada das agências que induzem suas modelos a estes trabalhos.

Conheça os bastidores do book rosa e da prostituição de luxo no mundo da moda

"FAÇO E DELETO DA MENTE"

Aos 26 anos, a estudante de Direito Bruna, que se divide entre São Paulo e Porto Alegre, também é modelo e manequim. Graças aos programas de book rosa que faz, afirma já ter conquistado tudo com o que sempre sonhou na vida. Filha de um casal de comerciantes, a menina, que é solteira e não tem filhos, só confia à mãe o seu segredo mais íntimo.

O pai e os dois irmãos sequer imaginam que a linda morena de olhos verdes, de 1,79m e medidas perfeitas, tenha essa atividade extra. A seguir, ela conta como se prostituiu pela primeira vez, aos 18 anos, revela o perfil dos clientes que procuram este serviço e garante que não tem crise existencial nem se arrepende disso.

Diário Gaúcho - Como a proposta chegou a ti pela primeira vez?
Bruna -
Uma amiga da agência com quem eu dividia apartamento em São Paulo me convidou para um jantar na casa de empresários que contratavam meninas para os comerciais de suas empresas. Achei estranho, pois, só para ir, a gente ganharia R$ 2 mil, cada uma. Como a minha amiga era de confiança, eu fui. Chegando lá, era uma mansão, e ela disse que era para eu ficar tranquila que não seria obrigada a nada. Poderia dizer "sim" ou "não".

Diário - E aí o que te fez aceitar se prostituir?
Bruna - Sempre desejei dar uma casa própria à minha família, que vivia de aluguel e ganhava pouco. Meus pais trabalharam muito para dar conforto a nós três. Eu queria retribuir, mas, na moda, a gente ganha pouco. Naquele dia, a minha amiga disse que o "Presidente" tinha fascinado em mim, queria me ofertar um valor. Eu quis ir embora, não tinha estômago para aquilo. Mas o valor era bastante alto. E, se ele gostasse, me ajudaria com a casa própria. Resolvi aceitar e fiquei com ele por um ano. Ele me colocou em inúmeras capas de revistas e fiz vários trabalhos fora. Me tratava como rainha.

Diário - Alguma agência por onde passaste intermediou programas?
Bruna - Elas sabem quem faz e quem não faz, conhecem a índole da menina, sabem quando ela tem a mente aberta para isso. Mas ninguém obriga a gente a nada. Sempre que eu fiz, foi porque quis.

Diário - O que tu já conseguiste adquirir e que, provavelmente, não terias se não fossem esses trabalhos feitos?
Bruna -
Tenho tudo na vida: casa própria, dois apartamentos no Rio Grande do Sul, um no Rio de Janeiro, um carro de luxo e viajo sempre para o Exterior. Sou feliz, dona do meu nariz.

Diário - Em algum momento, tu chegaste a entrar em crise emocional, justamente por fazer esse tipo de programa?
Bruna -
Sempre fiz com a cabeça boa, diferentemente de outras meninas que se choram e ficam desequilibradas. Eu faço e, depois, deleto da mente. Sei separar o branco do preto.

Diário - Os clientes costumam ser bonitões como o Alex, na novela Verdades Secretas?
Bruna -
Nunca achei o Rodrigo Lombardi bonito, conheço ele de festas cariocas. Já tive "reis" e tive "lobos". O que importa é como somos tratadas. Beleza não põe mesa. Eu quero bem-estar e luxo.

Diário - Já te apaixonaste por algum cliente com quem saíste?
Bruna -
Paixão e amor vêm do bem-estar. Toda mulher se apaixona fácil quando possui uma vida de rainha. É óbvio que eu não fui diferente disso. Me apaixonei, sim.

"QUANDO A PROPOSTA É BOA, NÃO SOU TROUXA!"

Solteira e sem filhos, Bianca, 25 anos, mora no Interior do Estado e foi apresentada ao book rosa em um concurso de beleza, aos 21.

- Em troca de sexo, eles te oferecem do título a um guarda-roupa completo e até mesmo intervenções cirúrgicas - conta.

Nas agências de modelo pelas quais passou, nunca foi induzida a fazer programa, mas entrega:

- Uma grande agência de São Paulo é dividida em três andares. Um trabalha com o perfil para passarela, outro, com modelos para comercial, e o terceiro, só com book rosa. Todos sabem!

Concorrência é grande

Decidida e bem-resolvida, ela não nega que aceite propostas de book rosa e ainda revela que a concorrência é grande.

- Estava tudo certo para eu ficar com um dos maiores empresários do país, grana alta! Mas, aí, outra passou na minha frente, e ele preferiu ela, que venceu um concurso de beleza importante - diz, inconformada.

Filha de um casal de aposentados, Bianca conta que os pais e os irmãos sabem dos trabalhos extras que ela faz. Mas não julgam as suas atitudes:

- Eles acham que eu sou a única responsável pelas minhas escolhas. O que tu ganhas como modelo não compensa, é muito pouco para ficar 12 horas em pé, em cima de um salto alto, passando por dezenas de seleções. Por isso, quando a proposta é boa, não sou trouxa!

"QUERO ESQUECER ESSE PASSADO"

A vida que Carolina tem hoje, com 32 anos, em Porto Alegre, é bem diferente da que levava na juventude. Mas é reflexo dos seus tempos de book rosa.
Casada e mãe, ela possui imóvel próprio, carro e curso superior. Tudo, fruto dos programas que fez, aos 19 anos, quando era modelo. O marido nem imagina o passado obscuro da esposa. E, se depender dela, ficará enterrado:

- Fiz durante dois anos, e deu pra adquirir o que eu queria. É um período que pode definir a tua vida. Aproveitei as oportunidades e, depois, parei. Hoje, quero esquecer esse passado. Cortei totalmente o contato com todas as pessoas daquela época e do meio.

Com a urgência típica da juventude, Carol preferiu atalhar os caminhos que, talvez, a levassem a seus objetivos. Mas mais adiante.

- Queria que as coisas acontecessem, queria ter o que eu não podia. Nunca me senti mal porque era muito focada. Eu ia lá, fazia e pronto - diz, friamente.

Agenciadores procuram modelos "ficha rosa" no Facebook


Denuncie!

O presidente do Sindicato das Manequins, Modelos e Recepcionistas de Eventos do Rio Grande do Sul (Simmers), Evaristo Pizzi, garante que não há casos recentes que tenham chegado ao conhecimento do órgão. Mas recomenda que as modelos recorram ao Simmers, se acharem necessário.

- O sindicato é neutro, sem vínculo com agência. Temos um departamento jurídico que investiga e, se for o caso, comunica à Polícia Federal e ao Ministério Público - avisa.

Evite constrangimentos

/// Pesquise o histórico da agência.

/// Procure referências de profissionais: modelos,  fotógrafos, produtores etc.

// Certifique-se de quanto tempo a agência está no mercado e quais as marcas que atende.

/// Se for abordada por alguém oferecendo a iniciação à carreira de modelo, só aceite depois de checar todas as referências da pessoa e do local para o qual
ela trabalha.

/// Se, depois de todos os cuidados, ainda assim, receber uma proposta de prostituição dentro da sua agência, lembre-se de que você tem escolha e não é obrigada a aceitar.

O que a lei prevê

O advogado Marcelo Antônio de Souza Oliveira esclarece que prostituição não é crime, mas tirar proveito dela, sim.

- A lei prevê dois crimes: lenocínio e rufianismo. O primeiro significa favorecimento, indução, facilitação à prostituição. A pena vai de dois a cinco anos de reclusão. Já rufianismo é tirar proveito da prostituição. Nesse caso, além da prisão, é prevista uma multa - diz.

Ou seja, tanto agenciar alguém sem ganhar nada com isso, quanto obter comissão com a prostituição são crimes no Brasil.

O book rosa é o tema do Retratos TV desta semana, confira:


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