Polícia



Mistério na Zona Norte

Buscas por aposentada desaparecida em Porto Alegre completam 10 dias 

Elizabeth da Silva Dorneles, 66 anos, foi vista pela última vez caminhando pela Avenida Sertório, no bairro Navegantes, em 15 de setembro

26/09/2022 - 09h10min

Atualizada em: 26/09/2022 - 09h11min


Jean Peixoto
Jean Peixoto
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Arquivo Pessoal / Reprodução
Elizabeth da Silva Dorneles, 66 anos, saiu a pé de casa, no bairro Humaitá, zona norte de Porto Alegre, na quinta-feira (15)

As buscas pela aposentada Elizabeth da Silva Dorneles, 66 anos, que desapareceu após sair para caminhar, no bairro Humaitá, na zona norte de Porto Alegre , já completaram 10 dias. A família construiu um roteiro dos últimos passos da dona de casa com apoio da Polícia Civil, a partir de imagens de câmeras de videomonitoramento de estabelecimentos comerciais da região. 

— Eu estou tentando lidar com sabedoria com essa situação, pensando que é algo que precisamos passar, com fé em Deus. Acredito que até completar os 15 dias vamos encontrá-la — diz a auditora contábil Ana Flávia Dornelles de Lemos, 32 anos, filha de Elizabeth. 

O caso é investigado pela Delegacia de Investigação de Desaparecidos, chefiada pela delegada Caroline Bamberg Machado. Segundo ela, a Polícia Civil vem realizando buscas e ouvindo depoimentos de pessoas que possam ajudar na localização da dona de casa. A delegada diz que as linhas de investigação da polícia não serão divulgadas para não prejudicar a apuração dos indícios, como imagens de câmeras de videomonitoramento.

Últimos registros 

A filha explica que com a ajuda das câmeras de segurança de diferentes estabelecimentos comerciais foi possível traçar o caminho percorrido pela mãe. O último ponto em que os vídeos registraram ela foi na subida da Ponte do Guaíba, pela Avenida Sertório, por volta de 14h20min de quinta-feira (15). 

— Ela saiu do condomínio, passou em frente ao mercado que fica do outro lado da rua e foi em direção à Arena do Grêmio. Depois, ela dobrou à esquerda, no sentido da Avenida Voluntários da Pátria, entrou e foi reto, passou pelo DC Shopping, chegou no semáforo da Voluntários embaixo da ponte (do Guaíba). Ela não chegou a atravessar e veio costeando a ponte no sentido Sertório e depois subiu em direção ao vão móvel. Tudo isso temos certeza porque vimos nas câmeras. Depois disso, não conseguimos mapear mais — conta a filha. 

Ana Flávia comenta que parte do trajeto não pôde ser acompanhado pois a câmera da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) estava inoperante naquela tarde. A família aguarda agora pela análise da Polícia Civil das imagens da câmera de segurança da CCR Via Sul para verificar o que aconteceu após ela subir a ponte. 

Buscas na região das Ilhas 

Arquivo Pessoal / Divulgação
Câmeras registraram o momento em que Elizabeth passou próximo à Arena do Grêmio

Neste sábado (24), a família fez buscas na região da Ilha das Flores, para onde acreditam que Elizabeth pode ter se encaminhado. Panfletos foram distribuídos e novas informações foram recebidas de pessoas que teriam visto Elizabeth, mas pelos registros em vídeo, não seria a aposentada. 

Elizabeth saiu do condomínio onde passava alguns dias com a filha e o genro, na Avenida AJ Renner, no bairro Humaitá. Ela vestia uma calça verde de moletom, um casaco cinza escuro e um tênis preto. A idosa saiu sem os documentos, sem os óculos e carregava uma garrafa de água na mão direita.  

Período depressivo 

Elizabeth foi para a casa da filha e do genro, o militar Fabian Henrique Teixeira, 38 anos, pois atravessava uma fase depressiva. Ela havia passado um período na casa de um irmão e desde o dia 30 de agosto foi acolhida pela filha. Segundo Ana Flávia, ela havia iniciado o tratamento com antidepressivos receitados pelo neurologista na terça-feira (13), dois dias antes de desaparecer. 

— Vinha me preparando psicologicamente para cuidar dela quando fosse preciso, mas a algo ligado à saúde física dela e não mental. A minha mãe é uma pessoa muito forte, nunca tinha pensado que ela poderia passar por uma depressão. Não sabemos se ela saiu por ter se sentido um fardo, mas nós fizemos de tudo para acolher ela — conta a filha.  

Os sete irmãos de Elizabeth estão envolvidos nas buscas. Devota de Nossa Senhora dos Navegantes, ela tinha o hábito de caminhar até a paróquia, que fica na lateral da ponte do Guaíba, na Avenida Sertório. A filha conta que foi até o local na sexta-feira (16), mas obteve informações de que ela não esteve na igreja. 

Quem tiver informações que possam levar ao paradeiro de Elizabeth pode entrar em contato com a Polícia Civil pelo telefone 0800-642-0121, pelo 197 ou pelo site da instituição.  


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