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Em baixa04/01/2018 | 17h05Atualizada em 04/01/2018 | 18h26

Saiba por que é cada vez mais difícil achar etanol nos postos de Porto Alegre

Pouca margem de lucro e baixa demanda fazem estabelecimentos desistirem da venda 

Saiba por que é cada vez mais difícil achar etanol nos postos de Porto Alegre Luana Kanitz/Agência RBS
Foto: Luana Kanitz / Agência RBS
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Pouca margem de lucro e baixa demanda fazem com postos de combustíveis de Porto Alegre venham deixando de ofertar etanol aos consumidores. Segundo o presidente do Sindicato do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes do Estado (Sulpetro), Adão Oliveira,  muitos estabelecimentos não compram mais o etanol em razão do preço, muito próximo ao da gasolina. 

— Não é vantagem nem para o consumidor, nem para o posto. Se o etanol fica mais de 30 dias no tanque, ele sai de especificação (fica deteriorado e precisa ser descartado, gerando custo). Tem postos que colocavam 5 mil litros e não vendiam tudo, o que gerava prejuízo — explica, salientando que os estabelecimentos não podem comprar volume inferior a 5 mil litros.

Na manhã e à tarde de quarta-feira (3), a reportagem de GaúchaZH percorreu 20 postos de combustíveis da Capital e constatou que a metade deles não tinha etanol à venda. 

— Para botar um produto com uma margem ruim, eu teria que ganhar em volume e ter uma perspectiva de consumo muito grande e, hoje, a gasolina é muito mais vantajosa. Tem pouca procura para o etanol. Os carros de locadora, eles entregam com etanol por ser mais barato. Mas o usuário não tem por que usar etanol — explica o dono do posto Abastecedora Farroupilha, Anibal Marques Cigana.

Conforme levantamento da  Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis  (ANP) compilado pelo AE-Taxas, na última semana de 2017, o Rio Grande do Sul foi o Estado com o maior preço médio do litro do combustível (R$ 3,836 o litro). No Estado, segundo a pesquisa, o preço do etanol atinge 87,74% do cobrado, em média, pela gasolina. Mas, apesar de não ser considerado vantajoso, o etanol ainda é o preferido por parte dos consumidores, que penam para encontrar o produto em Porto Alegre.

— Confesso que já tive que rodar na reserva, com medo de ficar sem combustível, pois não encontrava etanol em nenhum posto — conta a estudante de Medicina Natália Fracaro, 28 anos. 

Moradora do bairro Independência, ela possui um Subaru WRX preparado para pista e abastece com etanol porque o combustível aumenta a força de arranque do carro e diminui o risco de quebra do motor. Também usa o veículo para os deslocamentos do dia a dia:

— Não tenho encontrado com facilidade, é bem difícil, sempre vou nos mesmos dois ou três postos que têm álcool. Uma vez, passei por quase toda Assis Brasil para conseguir, entrando em quase todos os postos do caminho. No interior e nas praias, essa dificuldade só aumenta. 

Dante Bellini, proprietário do posto Nossa Garagem, conta que resolveu vender somente gasolina depois de fazer as contas e constatar que o rendimento do etanol é inferior:

— Nós já estamos no mercado há 50 anos como revendedores de combustíveis, com essa política do governo de aumento sistemático do etanol, nós começamos a fazer as contas e vimos que o nosso consumidor estaria perdendo se abastecesse com etanol, pelo preço que ele chega para nós, então, em função disso resolvemos ficar somente nas gasolinas comum e aditivada. 

Já a motorista de Uber Martilene Puziski, 39 anos, afirma que o preço do etanol faz diferença na hora de abastecer:

— Eu uso o álcool porque está mais barato e meu carro fica mais potente. Para mim, faz diferença. Com um tanque cheio de álcool, eu consigo rodar uns 100 km a mais do que se fosse abastecer com gasolina — diz. 

Álcool ou gasolina, o que vale mais a pena?

- Para analisar se vale mais a pena abastecer com etanol ou gasolina, existe uma conta simples: pegue o valor do litro do etanol e divida pelo preço do litro da gasolina. 

- Se o resultado do cálculo for maior do que 0,7, sai mais em conta abastecer com gasolina, se for menor, o etanol vale mais a pena. 

- Segundo pesquisa realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), durante o período de 24 a 30 de dezembro de 2017, a média do preço da gasolina nos postos de Porto Alegre é R$ 4,372, enquanto a média do etanol fica em R$ 3,762. 

- Dividindo o preço médio do etanol pelo valor médio da gasolina, o resultado é 0,86. Ou seja, segundo o cálculo, é mais vantajoso abastecer com gasolina.


Entre o final da manhã e a tarde de quarta-feira (3), GaúchaZH percorreu 20 postos da Capital em busca de Etanol. Confira o resultado:

 

Postos com etanol

- Posto Nonoai (bandeira branca): Avenida Nonoai, 821

- Posto (bandeira branca): Avenida Eduardo Prado, 1.550 

- Posto Ipiranga: Avenida Vicente Monteggia, 131 

- Posto Combest (bandeira branca): Avenida Teresópolis, 2.963 

- Posto Alicar I (Ipiranga): Avenida Bento Gonçalves, 4.937

- Posto BR (BR): Estrada João Oliveira Remião, 5.839 

- Posto BR (BR): Estrada João Oliveira Remião, 4.000 

- Posto Carrefour (Shell): Rua Albion, 111

- Posto Alpha (Ipiranga): Avenida Caros Gomes, 11 

- Posto Buffon (Shell): Avenida Farrapos, 3.180 


Postos sem etanol

- Posto Zona Sul (bandeira branca): Avenida Cavalhada, 3.696 

- Posto Ipiranga: Avenida Bento Gonçalves, 1.960 

- Garagem Laitano (Shell): rua Santana, 608 

- Multi BR (BR): rua voluntários da Pátria, 1.843

- Sigaran (Petrobras): rua Barbedo, 504 

- Ecoposto (Rede Sim): Avenida Ipiranga, 999

- Nossa Garagem (bandeira branca): Avenida Benjamin Constant, 1.253 

- Posto Cidadão Capaz (BR): rua Professor Cristiano Fischer, 1.331 

- Abastecedora Farroupilha (Ipiranga): Avenida Assis Brasil, 1.745 

- Posto Caiman (Ipiranga): Avenida João Pessoa, 2.434 

 
 
 
 
 
 
 
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