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Fique atento03/01/2018 | 04h00Atualizada em 03/01/2018 | 04h00

Vai alugar casa na praia? Saiba como se proteger de golpes

Fraudes costumam envolver imóveis em cidades distantes, dificultando visita antecipada das vítimas

Vai alugar casa na praia? Saiba como se proteger de golpes Cristiano Estrela/Diário Catarinense
Golpes costumam envolver cidades mais distantes Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Chegando à casa onde imaginaria que passaria o Natal com a família, em Balneário Camboriú (SC), Waldir Antonio Bragagnolo, 60 anos, viu realizado um pesadelo. O imóvel que alugara diretamente com um homem que se apresentava como proprietário, com piscina, pátio espaçoso e churrasqueira, na realidade pertencia a outra pessoa e nunca esteve disponível. 

Ao se dar conta de que caíra em um golpe, os R$ 1,5 mil perdidos, pagos como adiantamento foram apenas um dos pontos a lamentar: o transtorno para encontrar outra casa em meio à altíssima temporada, a frustração da família e a sensação de ter sido enganado pesavam sobre o morador de Caxias do Sul, que viajara com mais seis familiares. 

— Um amigo havia tomado conhecimento desta oferta e me passou o contato do homem que se dizia dono. Quando fiz contato por telefone, ele foi muito convincente e mandou fotos internas. Até fiquei receoso de pagar antes, mas assumi o risco para garantir o negócio. Acabei enganado — lamenta ele, que teve de contar com a ajuda de amigos da cidade para achar emergencialmente outro imóvel. 

A farsa na qual caiu Waldir em dezembro está longe de ser um fato isolado. Problemas com aluguel de temporada são comuns e costumam ocorrer quando o contrato é feito fora de imobiliárias, fechadas diretamente entre o golpista e a vítima. Com a propagação de aplicativos como WhatsApp e sites de anúncio como OLX, acabou ampliado o terreno para propagação de ofertas enganosas, que sempre existiram em classificados de jornais.

— Os golpes costumam envolver ofertas em cidades distantes, para evitar que a vítima consiga ir pessoalmente conferir o imóvel — explica o delegado Leonel Baldasso Pires, da 1ª Delegacia da Polícia Civil de Cachoeirinha e autor do livro Golpes e Fraudes.

No ano passado, Baldasso capitaneou uma equipe que prendeu três suspeitos de aplicar o golpe do aluguel em Balneário Camboriú e Torres. Eles publicavam fotos falsas de imóveis em redes sociais e classificados, informando endereço nos locais mais valorizados dessas praias. Chegando ao local, as vítimas descobriam que os imóveis não existiam ou não estavam disponíveis para locação. No total, foram ludibriados pelo menos 20 veranistas. 

— A melhor forma de se prevenir é ir até o imóvel ou pedir a alguém que more próximo fazer esta visita. Se não for possível, é sempre mais seguro fazer o aluguel através de uma imobiliária — explica Baldasso. 

O delegado sugere que, caso se caia em um golpe do gênero, preste-se queixa nas delegacias locais. No caso de Waldir, ele fez boletim de ocorrência em uma delegacia de Balneário Camboriú, mas, até o momento, não viu a cor do dinheiro e desconhece a identidade do golpista. A suspeita é de que as fotos internas foram tiradas durante uma reforma ou faxina no imóvel há cerca de um ano.


DICAS PARA EVITAR CAIR EM UM GOLPE

- Desconfie de ofertas que chegam por whatsapp ou são compartilhados em redes sociais, principalmente o Facebook. É mais seguro alugar por meio de imobiliárias e, em segundo lugar, por sites conhecidos como Booking e Airbnb, levando em conta, sempre a avaliação e os comentários de outros consumidores. 

- Antes de acertar o aluguel, procure ir até o local e falar diretamente com o proprietário. Isso evita o risco de pagar pelo aluguel de um imóvel que, na realidade, nunca esteve no mercado. Se não tiver condições, peça para que um amigo ou conhecido que more mais próximo o faça. 

- Se o suposto proprietário desconversar quando você der a ideia de ir pessoalmente ao local antes de fazer o acordo, pode ser sinal de que algo vai errado.

- Fique atento aos indícios de golpe: geralmente, correspondem a imóveis em praias mais distantes, para desencorajar a vítima de ir até o local. No Rio Grande do Sul, é mais comum que os golpes ocorram em Torres, e, em Santa Catarina, em Balneário Camboriú e Bombinhas. Além disso, o valor desses imóveis costuma ser muito mais baixo do que a média do mercado. 

- Peça para ver fotos de dentro do imóvel. Lembre-se que, para o golpista, é muito fácil tirar fotos externas e publicar um anúncio como se a casa fosse sua. Mas fique atento: a existência de fotos internas não garante que o negócio é seguro.


E SE ALGO DER ERRADO?

- Se e as condições da casa forem diferentes do que foi prometido, o locatário tem o direito de exigir a devolução do valor pago, como garante o artigo 35 do Código de Defesa do Consumidor.

- Para receber o dinheiro de volta, o inquilino precisa desistir de ficar no imóvel. Se optar por permanecer no local, o consumidor pode negociar um abatimento no preço, proporcional à queda na qualidade das características ofertadas.

- Em caso de desacerto com o proprietário, procure o Procon ou o Juizado Especial Cível (JEC). Mas se perceber que caiu em um golpe, vá até a delegacia mais próxima registrar ocorrência. 

- Na avaliação do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), sites de aluguel de temporada como Airbnb e Booking.com, que realizam todo o trâmite de contratação, inclusive de pagamento, podem ser responsabilizados por por problemas com a locação. O delegado Leonel Baldasso discorda, uma vez que esses sites são apenas meios de publicação. 


COMO TENTAR GARANTIR UMA BOA ESCOLHA

- Informe-se sobre o histórico do imóvel. Busque referências com amigos ou a partir de comentários na internet de outros clientes que já se hospedaram no local.

- Informe-se sobre as condições de acesso ao local e a infraestrutura da região: se há padarias, açougues, supermercados próximos, bem como as condições de segurança do imóvel. Consulte o endereço no Google Maps, ou ferramentas similares, e veja a distância do local até os principais pontos que pretende visitar.

- Caso a locação seja feita diretamente com o proprietário, sem intermediação de uma imobiliária, faça um contrato detalhando o que foi tratado verbalmente, como as datas de entrada e saída do imóvel, nome, número de documentos (como CPF e identidade) e endereço do proprietário, preço e forma de pagamento, local de retirada e entrega das chaves.

- Da mesma forma, faça um inventário do que há no imóvel. Detalhe o estado das portas e dos móveis, a quantidade de louça, o funcionamento de itens eletrônicos etc. Entregue uma cópia para o proprietário. 

- Evite pagar todo valor antecipadamente, perdendo assim o poder de negociação para uma eventualidade no imóvel. 

Fontes: Idec, Zap Imóveis e delegado Leonel Baldasso. 



 

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