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Olho no bolso16/03/2018 | 09h00Atualizada em 22/03/2018 | 17h28

Como evitar a cilada da dívida nas compras parceladas nos carnês

Depois do cartão de crédito, os carnês são os maiores causadores de dívidas dos brasileiros, segundo pesquisa

Como evitar a cilada da dívida nas compras parceladas nos carnês Mateus Bruxel/Agencia RBS
Criar novo carnê sem avaliar contas anteriores pode levar a problemas com crédito Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

A compra foi simples: algumas peças de roupas esportivas em duas lojas da Capital. O pagamento, parcelado no carnê. Não dava para imaginar que, poucos meses depois, a aquisição viraria uma dor de cabeça. Gabriel Martins Fagundes, 23 anos, passou nove meses desempregado. Intervalo no qual teve de deixar parcelas para trás. As compras de R$ 300 já têm seis meses de atraso e levaram o trabalhador da construção civil ao SCPC. 

— Passei um tempo só fazendo bicos e ganhava pra comer. Agora, com um emprego, vou colocar tudo em dia — planeja ele, que, na quinta-feira (15) pela manhã, foi ao centro de atendimento ao consumidor da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) para regularizar as pendências.

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 15-03-2018: Gabriel Martins Fagundes, 23 anos, em busca de informações sobre dívidas no nome dele no SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). (Foto: Mateus Bruxel / Agência RBS)
Gabriel não conseguiu pagar parcelas de roupas esportivasFoto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Depois do cartão de crédito, os carnês são os maiores causadores de dívidas dos brasileiros. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou que, em fevereiro, o cartão de crédito foi o grande vilão para 77% das famílias que se declararam endividadas. Na sequência, aparecem os carnês (16,5%) e o financiamento de carro (10,7%).

A particularidade da dívida no carnê é que se trata de uma compra a médio prazo e parcelada — diferentemente do cartão de crédito, na qual mesmo uma compra paga em uma só vez pode virar um pesadelo caso não seja quitada a parcela mínima da fatura. Ainda que o carnê tenha juro mais baixo do que o cartão (5,45% ao mês, ante 12,74%, conforme a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Anefac), quando se estica por longo prazo e se soma a outras despesas pode morder com força o orçamento do consumidor.

— O endividamento através do carnê acontece pelo descontrole do próprio consumidor. Além disso, como não há controle efetivo por parte dos lojistas em relação ao comprometimento da renda do cliente nos demais estabelecimentos. O consumidor vai abrindo crediário de maneira simultânea, por vezes além da sua capacidade de pagamento — afirma o educador financeiro Jó Adriano da Cruz.

A origem do problema está em criar um novo carnê sem fazer o cálculo prévio para saber se a parcela se encaixa no orçamento sem estrangular as contas. E quando as parcelas se juntam às outras contas do mês, como água, luz e condomínio, amplia-se o risco de calote. 

— Por isso, é interessante ter uma poupança abastecida, para que, em caso de imprevistos, se tenha como arcar com esses valores — recomenda Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).

Ele afirma que é importante medir o custo-benefício de uma compra parcelada, mesmo quando é sem juro, pois muitas vezes é feita para suprir um desejo pontual, e não uma necessidade. 

— Uma margem segura e limítrofe para dívidas é não comprometer mais do que 30% do orçamento. A disciplina e o controle das finanças será sempre um fator imprescindível para manter uma vida saudável financeiramente — sugere Jó Adriano.

DICAS PARA NÃO CAIR NA CILADA DO CARNÊ

Planeje bem antes de criar uma dívida

- Antes de assumir um novo boleto ou qualquer compra parcelada, faça uma análise aprofundada de qual é a sua real disponibilidade financeira e quanto dinheiro poderá gastar.

- Evite parcelamentos, principalmente os longos. Em caso de impossibilidade de pagamento à vista, faça parcelas curtas e negocie os juros. Não se esqueça de que essas parcelas serão somadas com outras contas que já possam existir em seu orçamento.

- Busque o menor preço à vista, negocie e lembre-se de que as lojas quase sempre têm margens para ajustar os valores.

- Evite pagar mais do que o necessário. Pesquise os preços dos produtos em pelo menos cinco lugares, não se esquecendo da internet que, algumas vezes, pode ter ofertas interessantes.

- Em datas de maior movimento no comércio, como Natal, Dia das Crianças e mesmo a Páscoa, antecipe suas compras, evitando, assim, filas e pressão para comprar na pressa e acabar fazendo maus negócios.

- Se tiver mesmo que comprar parcelado e estiver inseguro quanto a sua capacidade de pagamento, fuja do cartão de crédito, pois os juros são altíssimos.


Se endividou? Saiba como sair desta situação

- Liste todas as suas dívidas em atraso, não só de carnês, mas também cartão de crédito, cheque especial, financiamentos, cheques sem fundos etc. 

- Se tiver dúvidas das empresas para as quais esteja devendo, é possível obter a relação das contas em atraso junto aos serviços de cadastro de negativação de crédito em Porto Alegre: SCPC, que funciona no setor de atendimento ao consumidor da CDL Porto Alegre, na Rua Senhor dos Passos, 229, com atendimento de 2ª a 6ª feira, das 8h30h às 18h; e Serasa, na Rua dos Andradas, 1438, no subsolo na Galeria Chaves, de segunda a sexta, das 8h30 às 16h30.

- Solicite ao credor dados detalhados da dívida como saldo devedor atualizado, encargos, total de parcelas pagas e faltantes, taxa de juros contratada e período de inadimplência. Essa informação deve ser dada presencialmente ou via Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) de lojas e bancos. 

- Organize, então, por ordem de prioridade. As primeiras a serem quitadas são as que afetam serviços básicos _ como luz, telefone e água _, o cartão de crédito e o cheque especial, com juros altíssimos. Em seguida, devem vir as que o tenham encaminhado para cadastros negativos de consumidores como Serasa e SCPC. 

- Veja em seu orçamento o quanto pode dispor por mês para pagar dívidas _ e, nesse caso, vale a pena pegar dinheiro da poupança ou outra aplicação, ou alguma renda extra que tenha surgido, como PIS/Pasep ou restituição de imposto de renda. Em alguns casos, vale a pena até vender o automóvel para se livrar logo da dívida em atraso. Outra dica é pegar um crédito consignado, que tem juros mais baixos, para quitar uma dívida com juro mais alto. 

- Entretanto, antes de sair pagando valores muito altos, verifique se os juros cobrados não são abusivos. Vale a pena consultar os Procons de sua cidade para saber se o juro está dentro da normalidade ou pode ser anulado, seja por via administrativa, mediado pelos procons, seja via Justiça

- No contato com os credores, peça descontos para quitação à vista dos débitos. A nova condição oferecida costuma ser de alongamento do número de parcelas ou abatimento de juros (está é a opção mais vantajosa). Não aceite a primeira proposta, mesmo que seja dito que não tem alçada para negociar um valor mais baixo.

- Quando for renegociar a dívida, esteja certo de que poderá pagar o que propôs. Não adianta renegociar e depois começar a dever de novo, pois pode piorar a situação. Uma nova dívida leva o nome para o cadastro de inadimplentes mais uma vez, impedindo de ter acesso a crédito, além de dificultar novas tentativas de renegociação.

- Depois que fizer os pagamentos em atraso, certifique-se de que seu nome foi excluído de cadastros negativos como Serasa e SCPC. Pelo Código de Defesa do Consumidor, o nome do cliente deve ser excluído do cadastro de devedores em até cinco dias úteis após ele ter regularizado sua situação. 

Fontes: Educadora financeira Camila Bavaresco, consultor financeiro Jó Adriano da Cruz e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos

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