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Cotação10/05/2018 | 23h00Atualizada em 10/05/2018 | 23h00

Saiba como driblar os efeitos da alta do dólar no dia a dia

Consumidores precisam repensar os gastos para fugir dos efeitos da moeda estrangeira no orçamento familiar

O dólar até chegou a dar uma trégua nas últimas horas, após chegar a ser negociado acima de R$ 3,60 na quarta-feira (9). Já nesta quinta (10), a moeda americana recuou e fechou a R$ 3,5467. Mas é muito cedo para comemorar. As perspectivas para este ano seguem de um dólar caro, chegando até a custar R$ 4

– Vejo esse cenário de dólar elevado persistindo, pelo menos, até o final do ano. Muito em função das eleições e das agendas comerciais que vemos serem destacadas nos Estados Unidos –  avalia o educador financeiro e professor de Economia da PUCRS Alfredo Meneghetti Neto.

Significa que os brasileiros terão de se acostumar com uma cotação inconstante e, muitas vezes, desfavorável para uma série de atividades. Claro, nem todos perdem com o dólar alto. Setores da economia nacional têm, nessa fase, oportunidade para conquistar mais consumidores.

– A economia gaúcha, que têm nas exportações do agronegócio um ponto forte, pode sair beneficiada. Cerca de 85% da nossa soja vai para a China, por exemplo. A alta do dólar pode significar uma espécie de safra a mais – projeta Meneghetti.

O problema é que, na outra ponta, o dólar está entrelaçado a praticamente tudo que é consumido no Brasil, direta ou indiretamente. Para isso, basta lembrar que o mercado internacional regula o preço dos combustíveis, que entram na conta do que é transportado pelas rodovias do país. 

Outro exemplo do cotidiano das pessoas é o trigo, usado no pãozinho comprado diariamente na padaria: o país não é autossuficiente no grão, sendo obrigado a importar grande parte do que consome.

– Cada um de nós precisa olhar a relação que a alta do dólar tem na nossa vida. A partir disso, será possível tomar algumas decisões que podem amenizar o impacto. Como, por  exemplo, comprar menos e substituir produtos – avisa o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira, Reinaldo Domingos.

Mas o especialista não sai pregando uma solução radical, como  simplesmente cancelar viagens programadas para o Exterior. Ele entende que, com planejamento, é possível contornar a elevação do câmbio e manter as realizações de um sonho de viagem.


COMO DRIBLAR A ALTA 

Para tentar escapar da alta do dólar, é importante ter planejamento e entender quais produtos e serviços podem ser substituídos por opções mais baratas. 

1 – Refaça o orçamento: com o dólar influenciado quase tudo o que consumimos, direta ou indiretamente, para driblar os efeitos da alta é preciso dominar as contas: saber quanto se gasta por mês. Com isso, veja quais itens dessa lista podem ser reduzidos ou cortados neste momento. É uma decisão que deve ser feita em família. Trace uma meta que, de fato, justifique o esforço de todos: fazer uma viagem ou comprar aquele sonhado videogame.

2 –  Produtos nacionais: que tal fazer uma boa pesquisa sobre os produtos fabricados no Brasil e que você costuma consumir? Vale fazer isso com atenção porque eles são menos afetados com o dólar mais caro. Comece dentro do supermercado, por exemplo. O vinho, que tem no inverno o pico de vendas, é um exemplo próximo da realidade dos gaúchos. Os nacionais podem ganhar margem para competir.

3 – Viagens domésticas: se viajar para fora do país fica mais salgado com essa cotação do dólar, uma opção para quem não abre mão do lazer podem ser os destinos nacionais. Faça cotações junto às agências de viagens, explore alternativas. 

4 – Viagens para fora: mas se é uma viagem muito sonhada e desejada, talvez não seja o caso de mudar os planos. Imagine, por exemplo, que o plano era gastar US$ 5 mil com gastos gerais no Exterior. Que tal voltar para a prancheta e refazer o cálculo para gastar US$ 4,5 mil? Corte o desnecessário e mantenha o essencial.

5 – Dívidas estrangeiras: fique atento a dívidas com compras no crédito. A opção mais indicada, em tempos de incerteza, é economizar e fazer a aquisição em dinheiro, fugindo de oscilações. O valor pode aumentar na hora do pagamento do cartão.


OS DOIS LADOS DA MOEDA

Quem ganha

Quem exporta: com os custos pagos em reais e os receitas entrando em dólares, aqueles setores que exportam batem palmas para a alta do dólar. Necessariamente, não significa mais exportação de imediato, mas a tendência é de uma melhor capacidade de competir com preços lá fora.

Quem produz para o mercado interno: é a chance que muitos produtos ganham de vencer a corrida contra os importados. A produção vinícola nacional, por exemplo, queixa-se há tempo dessa competição.

Turismo interno: uma tendência natural da alta do dólar é fazer mais gente repensar os planos de viajar para o Exterior. Pois é aí que entra o turismo nacional, que pode ganhar fôlego para as férias de julho, por exemplo.

Quem perde

Consumidores: é a notícia ruim da alta do dólar. É praticamente impossível escapar. Grande parte dos produtos tem insumos ou componentes importados. O trigo do pãozinho comprado todo dia na padaria, por exemplo, é em grande parte importado, pago em dólar. Sem contar o custo embutido dos combustíveis.

Importadoras: empresas que vendem produtos importados – ou insumos –  são muito prejudicadas. Entram nesse grupo, por exemplo, a indústria farmacêutica, revenda de carros importados e de perfumes.

Quem gastou com cartão fora: o valor em dólar é convertido em reais com base na cotação do dia do fechamento da fatura, e não da compra. Só se o cliente pedir para antecipar o pagamento é que está sujeito ao dólar do dia. Isso sem contar o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), de 6,38%.

Quem vai para Exterior: não tem jeito, quem está programando viagem para o Exterior vai pagar mais caro. Será o momento de refazer as contas com as cotações mais atuais.

Fontes: Programa Meu Bolso em Dia, da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), economista Alfredo Meneghetti Neto e educador financeiro Reinaldo Domingos



 
 
 
 
 
 
 
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