Eleições 201215/09/2012 | 12h59

Candidatos à prefeitura da Capital respondem sobre transporte

Na série de entrevistas feita pelos editores do Diário Gaúcho, os políticos respondem dúvidas dos leitores do jornal para ajudá-los a decidir seu voto

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Neste final de semana, o Diário Gaúcho encerra a série de entrevistas com os sete candidatos à prefeitura de Porto Alegre. Todos foram sabatinados pelos editores do jornal. As perguntas foram formuladas a partir de reclamações ou de comentários dos leitores sobre o dia da dia na Capital, enviados ao serviço de atendimento ao leitor do DG ou recebidos nas ruas pelas equipes de reportagem. Hoje, para finalizar, o assunto é o transporte urbano.

O site do DG também divulga as entrevistas e vídeos com respostas a perguntas exclusivas. Neste final de semana, os candidatos respondem qual será o primeiro ato de sua administração, se eleito for. Confira aqui!

Trânsito

Seis e meia da manhã, na Avenida Assis Brasil. Ônibus superlotados e engarrafamento. A cena se repete na Baltazar de Oliveira Garcia, na Bento Gonçalves e na Edgar Pires de Castro. Qual seu projeto para qualificar o trânsito? O(a) senhor(a) pretende levar adiante o projeto dos portais para transbordo de passageiros?

Jocelin Azambuja (PSL)

Fui o autor de dez projetos autorizativos de ciclovias. Há 15 anos que eu fiz as leis. Hoje, todo mundo está vendo que a ciclovia é importante. Nós temos que dar alternativa de transporte, como ciclovia, aeromóvel. Outra é o catamarã, integrado à passagem, fazendo Centro, Tristeza, Ipanema, Ponta Grossa, Belém Novo, Lami. É preciso ainda tirarmos do Centro os ônibus da Grande Porto Alegre. Minha proposta é uma rodoviária metropolitana, junto à estação da Trensurb do aeroporto. Com isso, os ônibus que vêm de Alvorada, Canoas, Esteio etc. param ali, os passageiros pegam o trem, fazem a integração com as linhas T. Vai desafogar o trânsito, diminuir a poluição. Os portais, se eles existem, vamos aproveitar. Não vamos desperdiçar dinheiro público. Vamos fazer uma outra rodoviária junto ao Campus da Ufrgs, encontrando com o aeromóvel, então, vamos fazer o transbordo. As pessoas que vêm de Viamão, ali vão ter o fim da linha. Não vão entrar os ônibus dentro de Porto Alegre. Vamos evitar ônibus intermunicipais dentro da cidade.

Wambert Di Lorenzo (PSDB)

Os portais de transbordo são uma solução. Precisamos usar vários modais. Precisamos de terminais de integração, para evitar que os ônibus da Região Metropolitana trafeguem por Porto Alegre. Temos que repensar os corredores de ônibus, as muretas atrapalham, não tem como escoar o trânsito. Mas o problema que está por trás de toda a mobilidade urbana em Porto Alegre se chama EPTC, que é um erro político e jurídico. Erro político por que o manejo do trânsito deixou de ser preventivo para ser punitivo. Qual o interesse do poder público hoje? Que as pessoas cometam a infração, para que ele possa arrecadar. A EPTC é uma indústria de multas. Temos que extinguir a EPTC, criar uma autarquia, que vai viver com a receita pública, do Estado. A questão jurídica que envolve isso é que um azulzinho não tem poder de polícia. Ele é funcionário de uma empresa pública. Um azulzinho tem tanta autoridade para nos multar quanto um funcionário do Banrisul. A EPTC é uma ilegalidade.

José Fortunati (PDT)

Nós vamos implementar os BRTs, é a grande novidade, especialmente para a população que usa o transporte coletivo. Nós estaremos com ônibus rápidos, os BRTs, na Protásio, Bento, Avenida Tronco, Padre Cacique, Borges e João Pessoa/Salgado Filho. Com isso, vamos diminuir, não terminar, com o grande problema da Salgado, que é uma rodoviária a céu aberto. Junto com isto, o metrô para a Zona Norte. Vamos fazer uma integração entre os BRTs e o metrô, com os ônibus que vêm da Região Metropolitana. Na Zona Sul, a cidade cresceu muito. Para tentar minimizar, transporte hidroviário até Belém Novo. Em relação aos portais, acho que não é o nome adequado. Portal é uma coisa fixa. Eu não quero é passar a ideia de uma coisa fixa. Segundo: retiramos os portais da Zona Norte e Assis Brasil por causa do metrô, mudando o nome por uma questão simbólica.

Adão Villaverde (PT)

Aqui, vou ter dois níveis. Emergencial: fazer uma licitação do transporte coletivo em Porto Alegre, buscando superar qualidade, horários e linhas. Tem 33 mil linhas diárias chegando ao Centro. Queremos criar linhas interbairros. Por exemplo: da Lomba até o Partenon, sem precisar vir até o Centro, e com preço menor. Dois: a mobilidade urbana em Porto Alegre travou. O Centro é num canto, e o sistema é todo radial. Nós queremos descentralizar a cidade. Queremos fazer um anel viário, primeiro trecho dele é o primeiro trecho do metrô. O segundo trecho, da Esquina Democrática até a Lomba. E nós vamos ter um anel metropolitano, que larga na Protásio. Nós vamos fazer ciclofaixas, e não ciclovia em calçada. Será na primeira faixa da estruturante. Por exemplo: Avenida Ipiranga. Rua para carro andar, não para carro estacionar. Vamos pegar a primeira faixa da Ipiranga, a ciclofaixa será uma faixa comum.

Manuela d'Ávila (PC do B)

Tem três questões mais importantes para os ônibus estarem cheios e com horários desregulados. Primeiro, é o congestionamento que pegam. O segundo é a falta de padrão da Carris, que é reguladora do sistema, por ser pública. A empresa perdeu qualidade, portanto, perdeu qualidade o sistema. E a terceira questão é o diálogo permanente da prefeitura para que as empresas cumpram suas obrigações. A gente tem conjuntos de soluções. Primeiro: com as obras que estão sendo feitas e serão concluídas. Porto Alegre precisa também de um conjunto de pequenas intervenções na EPTC, para que volte a cumprir o seu papel, organizar e regular o trânsito. Segunda intervenção: estacionamento de vias, dos dois lados, que não precisa. Terceira, fundamental: nós vamos implementar na EPTC o desvio de rotas em horários de pico.

Érico Corrêa (PSTU)

E vai continuar piorando se não tiver uma ação efetiva do poder público. Transporte coletivo público tem que ser um serviço para a população, e não fonte de enriquecimento para meia dúzia de empresários. As empresas de transporte coletivo de Porto Alegre atuam há mais de duas décadas sem licitação. Os intervalos entre um ônibus e outro são grandes, andam superlotados. Vejam só: a inflação acumulada no país de 1994 até hoje está em torno de 270%. A passagem em 1994 custava R$ 0,37. Hoje, custa R$ 2,85, teve um reajuste no período de 630%. Apesar de o aumento ser abusivo, a qualidade do serviço não aumenta na mesma proporção. Vamos trabalhar pela estatização do sistema e pelo direito a uma tarifa social, de R$ 1. E alguns segmentos da população teriam o passe livre, professores e funcionários de escola, por exemplo. Os portais tinham um vício de origem muito sério, eram portais privados. Nós não concordamos com isso.

Roberto Robaina (PSOL)

Porto Alegre tem uma questão estrutural que é do Brasil inteiro. É a questão do carro particular. Temos 80, 90 carros emplacados por dia. São 30 mil por ano. Nós já temos um carro para cada dois habitantes em Porto Alegre. Eu acho que há medidas fáceis, a hidrovia, por exemplo, que é baratíssima. Hidrovia resolveria todo o transporte das ilhas, e o problema da Zona Sul também. Em vez de 45 minutos até o Centro, seriam dez minutos de catamarã. Na Zona Norte, para resolver, seria metrô, Mas é uma combinação de melhoria de transporte coletivo de ônibus, de preferência mais barato, e para isso tem de controlar os empresários de transporte, que dominam esse modal há não sei quantos anos. Eles praticam as tarifas que querem, atrasam, embora tenha lei que puna os atrasos. Já os portais, eu acho que já não deram certo. Eram uma tentativa de insistir na mesma lógica, buscando sempre uma acomodação com os empresários. É preciso avançar na municipalização do transporte.

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