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Gavião que passa por processo de reintegração à natureza na Capital faz primeiro voo ao ar livre

Presa a uma corda de 25 metros, ave descobriu um mundo novo no parque Marinha do Brasil

09/05/2012 - 11h45min

Atualizada em: 09/05/2012 - 11h45min


Gavião-de-cauda-curta ensaiou no parque Marinha do Brasil os seus primeiros voos ao ar livre

Começou na manhã desta quarta-feira, no Parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre, mais uma etapa do processo de reintegração à natureza do gavião-de-cauda-curta (da espécie Buteo brachyurus) que caiu de um ninho na Avenida Carlos Gomes em fevereiro, quando ainda era um filhote.

Com um fiador (uma corda fina usada em falcoaria) de 25 metros amarrado às patas, a ave, que até então vivia em um criadouro na superintendência do Ibama, ensaiava voos curtos e descobria as formas e texturas de um mundo que lhe era até então desconhecido. A presença do animal, um predador natural, foi notada por aves do parque, que começaram a guinchar, assustadas, assim que o gavião-de-cauda-curta se aproximou das árvores. O Buteo brachyurus se animou e soltou seus primeiros guinchos ao ar livre.


Em galeria de fotos, veja imagens do treinamento do gavião

O veterinário Paulo Guilherme Carniel Wagner, do Ibama, explica que a volta do animal à vida selvagem é um processo gradual, com pelo menos quatro etapas. A primeira, já concluída, foi a recuperação física e nutricional da ave.

Veja as imagens do primeiro voo do gavião:A segunda, iniciada nesta quarta, é o reconhecimento do mundo exterior e o desenvolvimento do voo ao ar livre. Nesta fase, diz Wagner, ainda é necessário prender o gavião ao fiador porque o animal não está acostumado a sair do criadouro e pode, nos seus primeiros contatos com o novo hábitat, se meter em enrascadas, como pousar em uma árvore alta e não saber voltar.

A equipe planeja dispensar a corda dentro de cerca de 20 dias, quando se espera que a ave já esteja pronta para a etapa seguinte, o voo livre, que deve ser tentado em uma área aberta na Zona Sul. A última fase do processo, ainda sem data marcada, por depender do ritmo de ambientação do gavião, é a soltura na natureza.

Segundo Fabian Fortes, veterinário de uma empresa que apoia o Ibama no processo de recuperação e treinamento da ave, os voos curtos desta quarta serviram para que o gavião conhecesse o ambiente externo e se desse conta das suas próprias capacidades. Sem a limitação de espaço do criadouro, o animal pode explorar movimentos que até então não tinha conseguido, além de tomar conhecimento de elementos comuns no seu hábitat, como árvores, grama e outros animais.

- Nós estamos fazendo o que os pais dele deveriam ter feito. Estamos ajudando a natureza a completar um ciclo - afirma.

O maior risco depois da libertação definitiva, explica Fortes, é o contato com seres humanos. Por ter sido mantida em cativeiro por tanto tempo, a ave tenderá a se manter perto de pessoas, por considerá-las membros do seu bando.

Nesta etapa, diz Paulo Wagner, a colaboração da população é fundamental na ambientação do gavião ao hábitat natural.

- As pessoas têm que entender que ela vai estar por aí. É preciso colaborar e não dar comida ao animal - explica o veterinário, acrescentando que a ave continuará sendo monitorada por meio do implante de um microchip, para verificar se a adaptação à vida selvagem na Capital será efetiva.

O processo de reintegração do Buteo brachyurus à vida selvagem marca uma mudança de postura do Ibama local, afirma o superintendente do órgão no Estado, João Pessoa Riograndense Moreira Jr.

Em períodos anteriores, explica Moreira Jr., animais em situação semelhante a esse gavião-de-cauda-curta seriam mantidos em cativeiro por toda a vida, indo, por exemplo, viver em um jardim zoológico. Agora, os projetos do Ibama têm novo foco, com iniciativas para reintegrar os espécimes ao hábitat natural, sempre que houver condições para isso. 

O que fazer ao encontrar animais silvestres

O superintendente diz que, quando encontrarem um animal selvagem fora do seu hábitat, as pessoas devem, sempre que possível, deixá-lo ir embora sozinho.

Se isso não for possível, é preciso acionar a secretaria local de Meio Ambiente (na Capital, o telefone é 3289-7500) ou o pelotão ambiental da Brigada Militar (o chamado pode ser feito pelo número geral 190). Esses órgãos encaminham os animais ao Ibama, que trata da reintegração dos espécimes à natureza.

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