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Operação Leite Compen$ado

Cooperativa paranaense teve estratégia agressiva para atrair produtor gaúcho

Confepar começou a atuar no Rio Grande do Sul há cerca de dois anos, mas se acelerou em outubro do ano passado

24/05/2013 - 21h25min

Atualizada em: 24/05/2013 - 21h25min


Erik Farina
Erik Farina
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Apontada pelo fraudador confesso Antenor Pedro Signor, preso na operação Leite Compen$ado, como incentivadora de adulteração de leite no Rio Grande do Sul, a Confepar, uma união de cooperativas paranaenses, teria desembarcado no Estado em busca de produto barato e abundante.

A estratégia comercial agressiva para atrair produtores gaúchos, oferecendo mais dinheiro por litro, chegou a causar reação de indústrias locais.

Os primeiros passos da Confepar no Estado ocorreram há dois anos, mas se aceleraram em outubro de 2012, período de entressafra no país. A Confepar alugou um posto de resfriamento da Marasca, em Selbach, e passou a pagar mais aos produtores de leite. Conforme o Ministério Público Estadual (MPE), o objetivo seria comprar o máximo de leite para tornar o frete até Londrina (PR) mais rentável.

- O leite no Rio Grande do Sul é mais barato do que no Paraná. A Confepar estaria oferecendo um pouco a mais ao produtor, e os caminhões eram completados com água e ureia com formol. O negócio era ganhar em volume, uma concorrência desleal à indústria gaúcha - diz Mauro Rockenbach, promotor responsável pela investigação.

Empresário do ramo de transporte que confessou ter participado do esquema, Antenor disse em depoimento ao MPE que era orientado por um funcionário da Confepar a adulterar o produto. Essa informação foi reiterada por Odirlei Fogalli, motorista de Antenor, em depoimento prestado ontem.

A caça dos paranaenses aos fornecedores gaúchos começou a causar desconforto. Em reuniões setoriais, fabricantes de leite do Estado passaram a reclamar que a Confepar estava tomando seus fornecedores ao pagar um preço com o qual não podiam competir. A estranheza aumentava porque não é comum empresas de outros Estados buscarem leite cru no Rio Grande do Sul, exceto fabricantes de Santa Catarina, para onde a diferença de valor com frete é menor.

- A concorrência é livre, isso pode ocorrer. Desde a entressafra do ano passado, muitas indústrias passaram a reclamar da perda de fornecedores para essa empresa (Confepar) - explica Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindicato da Indústria do Leite no Estado (Sindilat-RS).

Conforme as investigações do MPE, a Confepar estaria ampliando ainda mais sua atuação no Estado. A empresa já teria locado entrepostos nos municípios de São Valentim e Eugênio de Castro, no noroeste do Estado. Conforme a Confepar, "as acusações são infundadas e, a nosso ver, trata-se de uma estratégia da quadrilha responsável pela adulteração do leite no Rio Grande do Sul".


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