Para e arranca no trânsito pode virar doença crônica - Notícias

Versão mobile

 
 

O peso da embreagem06/06/2014 | 08h02

Para e arranca no trânsito pode virar doença crônica

Com o fluxo lento, pedal de carros com câmbio manual passou a ser utilizado mais vezes. Movimento repetido causa dor no joelho e no dorso do pé esquerdos

Para e arranca no trânsito pode virar doença crônica Marcelo Oliveira/Agencia RBS
O motorista Luís Carlos de Melos só dorme com almofadas sob as pernar e relaxante muscular Foto: Marcelo Oliveira / Agencia RBS

O para e arranca no trânsito congestionado da Capital não causa apenas estresse, mau humor e atrasos. Prejudica também a saúde dos motoristas, principalmente de taxistas que rodam até 12 horas por dia. Ao final da jornada, condutores de carros com câmbio manual se queixam de fortes dores no pé esquerdo - o da embreagem -, e no joelho da mesma perna por esforço repetitivo.

Teste de resistência física

É fácil de entender por quê. Além da frota ampliada, há muitos obstáculos no caminho. Com obras e desvios em profusão na Capital, e sinaleiras que mais atrapalham que ajudam, como as da Terceira Perimetral, circular nas horas de pico virou teste de resistência. Um taxista que trabalhe 12 horas por dia, pisará cerca de 3,6 mil vezes no pedal da embreagem. O sistema composto por prensa, disco e rolamento pesa 5k, se for hidráulico, e cerca de 8k, se for a cabo. Ao final de um dia, o motorista estará empurrando um peso muito superior ao do começo da jornada.

Dor prejudica descanso e sono

Luís Carlos Maciel de Melos, 51 anos, é um dos que sente dores terríveis. Em vez de alívio, após a última corrida, vem o sofrimento.

- Tem dias que não consigo encostar o pé no chão tamanha é a dor que sinto. Embaixo da ponta dos dedos, fica tudo dolorido. Quando chego em casa, coloco o pé numa bacia com água quente para relaxar - afirmou Luís, que usa sandálias nas horas de folga para dar conforto aos pés.

Colega de ofício, Diego Correa, 28 anos, afirma que também sente dor no joelho e cansaço na perna esquerda. Antes de dormir, o taxista toma duas providências: coloca almofadas sob as pernas e toma um relaxante muscular.

- Só assim consigo dormir - disse.

Câimbras incomodam Marcos

Motoristas profissionais como Marcos Trindade, 46 anos, que passam o dia no trânsito, sofrem tanto quanto os taxistas. Marcos trabalha com o transporte de livros para livrarias do Centro da Capital. Passa o dia inteiro no leva e traz. O resultado do esforço físico chega à noite, com juros e correção: dor nas articulações e câimbras na panturrilha (batata da perna) nos momentos mais inusitados. Para aliviar a sensação de desconforto, Marcos toma um relaxante muscular.

- Às vezes, acontece até quando estou fazendo sexo - afirmou o motorista.

Sistema com defeito pesa mais

O mecânico da Mecânica Super Mec, Paulo Franco da Costa, 48 anos, explica que um sistema de embreagem com defeito torna-se um problema extra para o motorista. Além de sinalizar que precisa de reparo ou ser substituído por um novo, ele fica mais pesado. 

- Dependendo do defeito e desgaste, algumas embreagens podem pesar até 20kg. O motorista começa empurrando um peso e termina empurrando outro maior - garante Paulo.

Desgaste causa troca antes do tempo

Diretor administrativo do Sintáxi, Adão Ferreira de Campos, trocou o componente antes do previsto após a reclamação de um colega que trabalha com ele no táxi. Segundo Adão, normalmente, o veículo poderia rodar com aquele sistema por mais 30 mil km.

- Mas estava com desgaste no disco e ficando pesado para ele - revelou.

Embora seja uma queixa de muitos taxistas, o Sintáxi não tem registros de
reclamações nem dados sobre afastamento do trabalho por este motivo.

Médico indica formas de prevenção

Ortopedista com especialização em dor osteomuscular do Hospital Cristo Redentor, Paulo Henrique Mulazzani, afirma que os movimentos repetidos não causam uma doença incapacitante. Mas geram desconforto nas pernas, no quadríceps (músculo anterior da coxa), na rótula do joelho e até na coluna servical, cuja força sobre os discos é mais forte quando a pessoa está sentada.

- É comum, nesses casos, a pessoa apresentar tendinite no tendão de aquiles e dor na panturrilha - afirma.

Entre as sugestões indicadas pelo ortopedista para amenizar ou acabar com o problema, uma depende exclusivamente do taxista: começar a fazer atividade física. As outras duas não: comprar um carro com câmbio automático ou torcer por mudanças no trânsito.

Cálculo

Se o trânsito estiver fluindo
- Em média, numa corrida curta, de menos de 2km percorridos em até dez minutos, um taxista pisa de 40 a 50 vezes, na embreagem.

Curiosidades
Em razão do esforço e dos movimentos repetidos, taxistas têm a musculatura da panturrilha da perna esquerda mais definida que a da direita.

Num carro particular, geralmente o sistema de embreagem deve ser trocado a partir dos 100 mil km rodados.

Nos veículos de taxistas, a substituição é feita a partir dos 50 mil km.             

Dicas
-
Evite segurar o carro em subidas apenas na embreagem.
- Quando enfrentar uma ladeira e tiver de parar, pise no freio e se for o caso utilize também o freio de mão, mas evite ao máximo de manter o carro parado somente na embreagem.
- Também evite de ficar parado no semáforo com o pé fincado na embreagem e nas trocas de marcha pise até o final entre uma marcha e outra.
- Nunca deixe o pé apoiado no pedal da embreagem quando estiver em movimento.

Diário Gaúcho

 
 
 
 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros