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BLITZ DG07/10/2014 | 07h03

Pracinhas oferecem perigo às crianças

O local favorito de brincadeiras do seu filho pode reservar armadilhas que você nem imagina.

Pracinhas oferecem perigo às crianças  Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

O local favorito de brincadeiras do seu filho pode reservar armadilhas que você nem imagina. De olho nos riscos que cercam a diversão das crianças, o DG convidou o professor de Arquitetura da Ufrgs, Benamy Turkienicz, para  examinar os brinquedos das pracinhas de Porto Alegre. Ele alerta, por exemplo, que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) estabelece regras de instalação e manutenção dos brinquedos nos espaços públicos.
- Cada um pode ter o brinquedo que quiser na sua casa, mas em lugares públicos é diferente. As normas definem as características deles e do ambiente em que eles estão, nenhum brinquedo pode estar em piso duro. A norma diz claramente que areia tem que ser fofa.
Além das normas da ABNT, o professor também ressalta que um simples parafuso saliente pode machucar a mão de uma criança, assim como lascas e farpas. Nenhum brinquedo pode estar enferrujado e ter cantos pontudos. Uma visita à praças dos bairros Restinga, Lomba do Pinheiro, Praia de Belas, Medianeira e Rubem Berta, porém, comprovou que os riscos e armadilhas são muito comuns. Veja o resultado da blitz:


Os perigos do escorregador

O professor Benamy acompanhou o DG na visita à praça do Parque Marinha do Brasil, no Bairro Praia de Belas. Os principais perigos por lá, segundo ele, estão no escorregador. Os parafusos salientes na estrutura que a criança usa para se segurar enquanto desce podem machucar sua mão. Se alguma criança passar embaixo do brinquedo, outro risco: pontas da madeira expostas sem proteção. Na caixa de areia, além da sujeira, há uma laje que pode se tornar um obstáculo durante a queda. Em um dos balanços, parte do assento de madeira está quebrado e, como a tinta está descascada, a madeira está apodrecendo, sem condições de uso.


Improviso no vaivém

Dois pedaços de madeiras atados com uma corda sustentam o vaivém da Praça Cícero do Amaral Viana, na Rua Mariano de Matos, Bairro Medianeira. O improviso é porque o brinquedo está enferrujado e com os parafusos soltos. Um dos balanços está sem a base e o outro, muito sujo. Ao contrário do que exigem as regras, o chão é de terra batida, tem pedras soltas, pedaços de madeira e cacos de vidro. Na gangorra, mais um risco: as bases estão soltas porque os parafusos também estão frouxos, assim como o metal de apoio.


Parafusos e lixo na Vila Santa Rosa

Na praça da Vila Santa Rosa, na esquina das ruas Maria Dorvalina Borges e Manoel João Martins, o apoio do escorregador está solto. Assim como em todas as outras praças, os parafusos do brinquedo estão salientes, o que exige atenção dos pais. Na caixa de areia do escorregador, há tudo menos areia: toco de cigarro, papel e lixo. Um dos balanços está com a base rachada e boa parte da superfície é de chão batido. O operador de supermercado, Leandro Netz da Silva, diz que a praça vira um lodo depois da chuva.
- Se tenho tempo e dinheiro, levo meu filho nas praças de Canoas que são mais limpas e os brinquedos estão melhores, aqui é muito abandonado - conta o pai do Arthur, de um ano e oito meses. Leandro tem razão: das praças visitadas pelo DG, esta é uma das mais sujas.


Brinquedos pintados, mas falta areia

Recém pintada e com a grama bem aparada, a Praça México, na Avenida Adelino Ferreira Jardim, Bairro Rubem Berta, é a mais bem estruturada das praças visitadas pelo DG. Balanços e gangorras estão em bom estado, embora o escorregador tenha pontas e parafusos salientes. E há o problema de falta de areia fofa para amenizar o impacto da criança em caso de queda, como exige a ABNT. Morador do Bairro Timbuava 3, João Luis de Souza Pereira, 40 anos, costuma trazer a filha Maria Luisa, 5 anos, até o Rubem Berta por falta de praças adequadas perto de casa.
- O espaço é bom e os brinquedos estão sempre pintados, não tenho reclamação.


Mais mato do que brinquedo

Na praça da Lomba do Pinheiro, na Rua Berlim, o problema já começa com a dificuldade de chegar ao local. A vegetação se sobressai aos brinquedos do espaço visivelmente abandonado. Mal se enxerga a gangorra e boa parte das estruturas que sustentam os balanços está enferrujada. Não é preciso muito para perceber que não há segurança para nenhuma criança se divertir por ali. Vizinha da praça, a auxiliar administrativa, Renata Ruoso Costa, 30 anos, conta que já fez ao menos quatro pedidos de limpeza à Secretaria de Meio Ambiente, pelo 156, sem sucesso.
- Aqui o descaso é normal, mas nessa praça tem bicho, cobras.


Balanços por um fio

As armadilhas da praça da primeira unidade da Restinga - entre as alamedas B, C e D - estão nos balanços. Dois dos três brinquedos estão estragados. Um deles está pendurado apenas de um lado enquanto a base do outro se soltou de uma das estruturas que o sustenta. O chão é de terra com pedras soltas. Um cardápio completo para acidentes. Não à toa, enquanto conversava com o DG, Brenda Abreu de Oliveira, 5 anos, mostrou o machucado no joelho, feito um dia antes ao cair de um balanço. Mesmo assim, ela não deixa de se divertir no lugar. A gangorra também não dá para usar porque uma das tábuas está solta. A precariedade dos brinquedos é tanta que, na tarde de quinta-feira passada, as crianças se mobilizaram para improvisar uma casinha na árvore.

>>> Brinquedos quebrados e em péssimas condições: veja as imagens no blog Diário da Foto.

O QUE DIZ A SMAM

As 619 praças na Capital são fiscalizadas por 20 servidores da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, uma média de 30 praças para cada um deles. Além disso, há uma equipe específica para cuidar dos brinquedos. Segundo o supervisor de praças, parques e jardins, Léo Bulling, há um modelo padrão para todos os brinquedos que, segundo ele, são feitos de "madeira pura" para inibir os efeitos do vandalismo e da ação do tempo.
- Já temos os modelos de escorregador, balanço e os demais brinquedos. Observamos a qualidade do material, se a madeira é de primeira qualidade, a ferragem e a fixação nesse locais. Cuidamos para não haver partes ásperas. Quando o equipamento sai daqui, ele sai em condições.
A troca dos brinquedos é feita através de denúncia da comunidade pelo 156. Léo admite que em alguns casos não há reposição de areia que acaba secando com o tempo. Empresas terceirizadas são responsáveis pela capina e a roçada. As equipes de limpeza são divididas por zonas porém, há dificuldade em chegar nas áreas mais afastadas da cidade.

>>> Leia mais notícias do Diário Gaúcho


O BRINQUEDO NÃO PODE...

- Ser pontiagudo, ter farpas ou porcas e parafusos salientes
- Ter cantos que não sejam arredondados
- Estar enferrujado
- Estar em um piso duro, mas em areia fofa
- Ter pontos de aperto e compressão
- Estar sem barras de segurança e corrimãos ou com estes frouxos ou rompidos
- Estar sem o selo de segurança do Inmetro
- Estar sem absorção de impacto
- Estar sem manutenção corretiva: soldagens ou renovação de soldagens, substituição de peças

Denúncias e pedidos sobre as praças de Porto Alegre devem ser feitas pelo 156.


 >>> CONFIRA NO VÍDEO COMO FOI A BLITZ DG PELAS PRACINHAS DE PORTO ALEGRE:

 
 
 
 
 
 
 
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