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Encontro na Capital26/06/2015 | 07h03Atualizada em 20/04/2018 | 15h51

"O trabalho braçal não é valorizado", diz líder nacional das domésticas

Baiana de Salvador esteve em Porto Alegre para o evento "Diálogos sobre o Trabalho Doméstico"

<p>&Agrave; frente do "<strong>Di&aacute;logos sobre o Trabalho Dom&eacute;stico</strong>", evento realizado quarta e quinta-feira, em Porto Alegre, a presidente da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional das Trabalhadoras Dom&eacute;sticas (Fenatrad), Creuza Maria Oliveira, 58 anos, acredita que, mesmo ap&oacute;s a san&ccedil;&atilde;o da Pec das Dom&eacute;sticas, a categoria ainda n&atilde;o est&aacute; em p&eacute; de igualdade com outros trabalhadores.<br><br><a href="http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2015/06/confira-novas-regras-para-empregados-domesticos-4773864.html" target="_blank"><strong>Confira novas regras para empregados dom&eacute;sticos</strong></a><br><br>Baiana de Salvador, Creuza trabalha desde os dez anos como dom&eacute;stica - atualmente, &eacute; cuidadora de idosos&nbsp;- e admite que defender a categoria &eacute; um trabalho de formiguinha. Ela descobriu o movimento sindical em 1984 depois de sofrer agress&atilde;o, ass&eacute;dio moral e sexual no trabalho.<br><br><a href="http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2015/05/tire-suas-duvidas-sobre-a-pec-do-empregado-domestico-4755493.html" target="_blank"><strong>Tire suas d&uacute;vidas sobre a PEC do empregado dom&eacute;stico</strong></a><br><br>Romper barreiras entre patr&otilde;es e empregados e fazer com que dom&eacute;stica se valorize, reconhe&ccedil;a e lute por seus direitos a incentivam a liderar a categoria no Brasil. Os avan&ccedil;os da Pec da Dom&eacute;sticas, segundo ela, n&atilde;o foram suficientes para igualar seus direitos ao de qualquer outro trabalhador.<br><br><a href="http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2015/04/antonio-carlos-macedo-sensacao-de-empregados-domesticos-e-de-presente-atrasado-4749058.html" target="_blank"><strong>Ant&ocirc;nio Carlos Macedo: sensa&ccedil;&atilde;o de empregados dom&eacute;sticos &eacute; de presente atrasado</strong></a><br><br>Ela conversou com o DG no intervalo do evento, que reuniu sindicatos filiados &agrave; Fenatrad, entre outras entidades do setor, al&eacute;m do procurador Rog&eacute;rio Uzun Fleischmann, do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho, e do desembargador Ricardo Carvalho Fraga, do Tribunal Regional do Trabalho.<br><br><strong>Di&aacute;rio Ga&uacute;cho - Como a senhora avalia a nova lei das dom&eacute;sticas? Foi um avan&ccedil;o?</strong><br><strong>Creuza Maria Oliveira</strong> - Essa regulamenta&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o foi realmente o que a gente queria, porque n&atilde;o estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o de igualdade de direito com os demais trabalhadores. Este projeto nos diferencia de outras categorias, como no caso do banco de horas extras de 12 meses, enquanto outras categorias compensam no final de cada m&ecirc;s ou no m&aacute;ximo em tr&ecirc;s meses. O seguro-desemprego tamb&eacute;m: os outros trabalhadores ganham cinco meses, n&oacute;s vamos receber apenas tr&ecirc;s meses depois de 15 meses de trabalho. A trabalhadora viajante que ter&aacute; direito apenas a 25% a mais do que ela recebe e n&atilde;o ter&aacute; horas extras nem horas noturnas.<br><br><a href="http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/ultimas-noticias/" target="_blank"><strong>Leia outras not&iacute;cias do dia</strong></a></p><p><strong>Di&aacute;rio - No que falta avan&ccedil;ar de forma mais urgente?</strong><br><strong>Creuza</strong> - &Eacute; na igualdade. Falta avan&ccedil;ar na ratifica&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o 189 da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT), que conquistamos em Genebra em 2010. Dezessete pa&iacute;ses j&aacute; ratificaram a conven&ccedil;&atilde;o, que determina que todos os direitos dos trabalhadores s&atilde;o iguais. O Brasil, que se comprometeu a ser um dos primeiros pa&iacute;ses a ratificar, criou a Pec das Dom&eacute;sticas, por&eacute;m, continuou n&atilde;o nos igualando. A organiza&ccedil;&atilde;o das dom&eacute;sticas no Brasil tem cerca de 80 anos, temos direito a carteira assinada h&aacute; 43 anos e s&oacute; agora que surge uma lei de multa para quem n&atilde;o assina.</p><p><strong>Di&aacute;rio - Temos mais de 7 milh&otilde;es de empregadas dom&eacute;sticas no Brasil, mas apenas 2 milh&otilde;es t&ecirc;m registro na carteira. O maior desafio ainda &eacute; esse?</strong><br><strong>Creuza</strong> - Com certeza, porque existe a quest&atilde;o da falta de fiscaliza&ccedil;&atilde;o. Os empregadores n&atilde;o eram punidos por n&atilde;o assinar a carteira. A multa de R$ 805 s&oacute; come&ccedil;ou a valer agora. Temos que esperar um ano e meio para ver se a lei colou e se houve crescimento nos registros em carteira. Muitos dizem que a nova lei vai causar desemprego, mas pesquisas do Dieese j&aacute; mostram o aumento no n&uacute;mero de registros depois que a lei foi sancionada.</p><p><strong>Di&aacute;rio - H&aacute; resist&ecirc;ncia dos patr&otilde;es em garantir estes direitos?</strong><br><strong>Creuza</strong> - Cumprir a lei, em geral, &eacute; uma dificuldade. Tem patr&atilde;o que n&atilde;o paga carteira, n&atilde;o paga previd&ecirc;ncia. Acham que s&oacute; pagando o sal&aacute;rio j&aacute; &eacute; o suficiente. Algumas trabalhadoras dom&eacute;sticas n&atilde;o querem que assinem a sua carteira porque t&ecirc;m o Bolsa Fam&iacute;lia, ent&atilde;o os patr&otilde;es se aproveitam disso. Ainda falta uma campanha de esclarecimento da popula&ccedil;&atilde;o. Queremos conscientizar a categoria da import&acirc;ncia da carteira assinada. Um ano que a empregada trabalhe sem carteira vai faltar para ela se aposentar.&nbsp;</p><p><strong>Di&aacute;rio - Como a senhora acredita que ser&aacute; o cumprimento das novas regras?</strong><br><strong>Creuza</strong> - A presidente sancionou mas s&oacute; entra em vigor quatro meses depois, entre outubro e novembro. A principal barreira &eacute; a falta de igualdade e vamos continuar lutando por isso, estamos esperando o Congresso se manifestar com os dois vetos da presidenta fez (um trata do que &eacute; considerado justa causa no caso de demiss&otilde;es e o outro das regras sobre hor&aacute;rio de trabalho e descanso).</p><p><strong>Di&aacute;rio - Qual o perfil da dom&eacute;stica hoje no Brasil?</strong><br><strong>Creuza</strong> - H&aacute; mulheres jovens ainda, mas, depois de oportunidades como o Prouni e a lei que pro&iacute;be o trabalho dom&eacute;stico at&eacute; os 18 anos, isso fez com que elas sejam mulheres de mais idade, de 30 anos para mais. A escolaridade cresceu, o que ajuda a ter oportunidade de ir trabalhar em outras &aacute;reas. As dom&eacute;sticas do Brasil s&atilde;o mulheres mais maduras, com mais idade e que est&atilde;o ganhando mais. Est&atilde;o indo para suas casas, t&ecirc;m diminu&iacute;do o n&uacute;mero das que ficam morando no trabalho.</p><p><strong>Di&aacute;rio - O preconceito de ra&ccedil;a ainda &eacute; um problema para as dom&eacute;sticas?</strong><br><strong>Creuza</strong> - Sim, se &eacute; uma jovem, uma mulher branca, com cabelo mais liso, fazendo trabalho dom&eacute;stico, dizem: "mas voc&ecirc; &eacute; t&atilde;o bonitinha para estar aqui, podia estar fazendo outra coisa". Mas, se algu&eacute;m v&ecirc; algu&eacute;m da minha cor no trabalho dom&eacute;stico, n&atilde;o causa nenhum espanto, n&atilde;o &eacute; nada fora do comum. Se &eacute; branca, as pessoas j&aacute; acham que isso n&atilde;o &eacute; para voc&ecirc;, os homens fazem mais piadas e o ass&eacute;dio &eacute; maior. Com a jovem branca e a pede clara, o ass&eacute;dio &eacute; mais comum, n&atilde;o que com as negras n&atilde;o aconte&ccedil;a.</p><p><strong>Di&aacute;rio - O tratamento a uma trabalhadora negra &eacute; diferente?</strong><br><strong>Creuza</strong> - A rela&ccedil;&atilde;o &eacute; diferenciada. O sal&aacute;rio da branca &eacute; melhor, o n&iacute;vel de escolaridade &eacute; maior, a viol&ecirc;ncia &eacute; menor. O negro &eacute; mais explorado. E a&iacute;, por isso, a nossa luta n&atilde;o &eacute; s&oacute; trabalhista, &eacute; por g&ecirc;nero, ra&ccedil;a e classe.</p><p><strong>Di&aacute;rio - Como as dom&eacute;sticas devem buscar seus direitos, principalmente aquelas que n&atilde;o t&ecirc;m liga&ccedil;&atilde;o com o movimento sindical?</strong><br><strong>Creuza</strong> - Devem procurar o sindicato, o movimento de mulheres. Elas t&ecirc;m que se organizar, a gente sozinha e isolada n&atilde;o consegue nada. Quando ela luta, participa de reuni&otilde;es, ela eleva sua autoestima, se empodera. Nossa valoriza&ccedil;&atilde;o &eacute; importante.</p><p><strong>Di&aacute;rio - A dom&eacute;stica ainda se sente inferior? Por qu&ecirc;?</strong><br><strong>Creuza</strong> - Sim, pelo tratamento, pela desvaloriza&ccedil;&atilde;o do trabalho dom&eacute;stico. As pessoas acham que o trabalho dom&eacute;stico qualquer um pode fazer, que s&oacute; tem valor o trabalho de quem frequentou a universidade. Quem faz o trabalho bra&ccedil;al n&atilde;o &eacute; valorizado. A mulher dona de casa tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; valorizada.</p><p><strong>Di&aacute;rio&nbsp;- As lutas futuras da categoria incluem o fortalecimento dos sindicatos?</strong><br><strong>Creuza</strong>&nbsp;- Com certeza, valorizar mais e mais a categoria e o trabalho dom&eacute;stico. A gente pode denunciar se a pessoa n&atilde;o tem coragem. Estamos lutando para que elas estejam estudando, fazendo faculdade e que possam optar por outras &aacute;reas, se quiserem.<br><br><a href="https://www.facebook.com/diariogaucho?fref=ts" target="_blank"><strong>Curta nossa p&aacute;gina no Facebook</strong></a></p><p><a href="http://www.clicrbs.com.br/cupons/?utm_source=diariogaucho&amp;utm_medium=articles">&nbsp;Economize nas compras com cupons de desconto&nbsp;</a></p><!-- contentFrom:cms -->
 
 
 
 
 
 
 
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