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É hora do livro17/07/2015 | 07h02

Escolas de Nova Santa Rita param 50 minutos por semana para todos lerem

Participam da atividade nos colégios municipais alunos, professores e funcionários

Escolas de Nova Santa Rita param 50 minutos por semana para todos lerem Carlos Macedo/Agencia RBS
No 3º ano, é um corre-corre quando a caixa com as obras é colocada em frente ao quadro negro para que os alunos escolham o que vão ler Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Quando o relógio marca 13h30min de quarta-feira, todos param o que estão fazendo. Alunos, professores e funcionários dos colégios municipais de Nova Santa Rita pegam livros e dedicam 50 minutos a eles. A atividade de incentivo à leitura, que ocorre semanalmente, foi lançada no mês passado e bem recebida em instituições como a Homero Fraga, que contava com projeto semelhante desde 2013.

Em uma sala do prédio de tijolos à vista às margens da Estrada Sanga Funda, 12 alunos do 1º ano estão concentrados. Luís Antônio Stasiak Damian, seis anos, tem nas mãos "Quem é o Negrinho do Pastoreio?". Desinibido, diz que tem intimidade com as letras e que é eclético:

— Gosto de ler algumas poesias, livros sobre carros e animais. Todos os livros eu gosto de ler.

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O colega Breno Borba, seis anos, ainda não junta as sílabas, mas acha legal olhar as figuras e levar para casa a Sacola Viajante: sete livros e um caderno, no qual a família escreve como aproveitou os três ou quatro dias em que as obras ficaram em casa. A sacola passa de aluno para aluno.

Do outro lado da escola, chama atenção a calma dos estudantes do 6º ano. Enquanto Rian Michel Pires, 13 anos, devora um dos volumes da coleção "Naruto", uma dupla discute um clássico da literatura. Gabriel Silva, 12 anos, não gostou do título escolhido e recebeu uma sugestão do colega Matheus Ferreira, também de 12 anos: "Romeu e Julieta" na versão em quadrinhos.

— É a primeira vez que leio este livro. É uma coisa bem romântica, bem tri — relata Gabriel, que define o projeto como "interessante" e que aumenta bastante o "desempenho".

Professora de português da turma, Renata dos Anjos afirma que é clara a evolução de quem se dedica a ler:

— Melhora bastante a escrita. Quem tem uma boa leitura tem uma boa escrita.

No 3º ano, é um corre-corre quando a caixa com as obras é colocada em frente ao quadro negro para que os alunos escolham o que vão ler. O professor Vitor Ferreira explica que, a partir da leitura, são feitas outras atividades, como desenhar e interpretar as narrativas.

— Eles têm os livros preferidos. Gostam principalmente dos que conseguem contar bem as histórias, dos que têm bastante diálogos — relata o professor.

Henrique Viegas Amorim, oito anos, fala que as atividades escolares favoritas são brincar e a hora da leitura. Entusiasmou-se com "Quem ganhou o jogo?":

— Fala sobre jogos e sobre um menino que é cadeirante. Gostei.

Mais incentivo, mais procura

A diretora da Escola Homero Fraga, Maria Rita Feijó, salienta que, além do projeto Tempo Leitura, foi importante a reformulação da biblioteca, da brinquedoteca e da videoteca da instituição.

— Eles tinham a necessidade dos espaços criados no início do ano. Havia muitos livros dentro de caixas — relata.

A supervisora Daiane Américo fala de como o projeto foi recebido pelos estudantes:

— Dá para perceber que começaram a retirar mais livros na biblioteca e exigir livros mais atuais.

Mas o Tempo Leitura não envolve só alunos e professores. Os funcionários também têm seus 50 minutos semanais para os livros.

— Cada um pega alguma coisa que gosta de ler. É um momento bom. Como está dando muita enchente, hoje (quarta) li mais jornal, para saber o que está acontecendo. Mas todos os livros que têm história eu gosto. O momento da leitura é ótimo para largar um pouco o serviço e estudar — avalia a servente Marli Estigarribia, 51 anos.

Para ampliar a cultura

Secretária municipal de Educação, Elaine da Rosa viu no Tempo Leitura uma forma de ampliar a cultura da comunidade escolar, após ter um diagnóstico para a elaboração do Plano Municipal de Educação (PME).

— Leitura é uma coisa básica. Resolvemos unificar e ter um tempo único em toda a rede. Quando os educadores, estudantes e comunidade param para fazer leitura, gera na cidade certa curiosidade e desperta para o hábito de ler e estudar — afirma a secretária.

O projeto foi discutido na secretaria, depois com equipes pedagógicas, diretores e professores. Do debate, surgiram várias ideias, salienta a secretária. A partir disso, ficou decidido que seriam reservados 50 minutos na quarta-feira: pela manhã, às 8h30min, e, à tarde, às 13h30min. As outras disciplinas do dia ficam com períodos reduzidos.

Para ampliar as fontes de leitura, a prefeitura comprou 6.309 livros novos, num investimento de R$ 167.176,64.

*Diário Gaúcho

 
 
 
 
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