Às vésperas de completar cem anos, gêmeos da Capital contam o segredo da longevidade - Notícias

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Vão assoprar cem velinhas19/06/2016 | 10h01Atualizada em 19/06/2016 | 10h05

Às vésperas de completar cem anos, gêmeos da Capital contam o segredo da longevidade

Irmãos que vivem na Zona Sul de Porto Alegre nasceram no mesmo dia e estão prestes a alcançar o centenário juntos

Eles nasceram na mesma madrugada de 3 de julho de 1916, no Bairro Glória, em Porto Alegre, pelas mãos da avó, parteira e homeopata. De aparência frágil, juntos, Netinho e Chiquitita pesavam pouco mais de 2kg. Contrariando as previsões pessimistas e a falta de recursos médicos da época, Godofredo Fay Neto e Francisca Fay Medina estão às vésperas de alcançar o centenário.

Godofredo mora no Bairro Assunção, com o acompanhamento de cuidadoras, e Francisca vive no Bairro Teresópolis, com uma das filhas.

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A família se prepara para fazer uma festa e celebrar a vida dos irmãos que sempre tiveram uma ligação muito forte.

— A gente era só osso e pele. Minha mãe ficou faceira (com o nascimento dos dois primeiros filhos) e chamou o padeiro para nos mostrar. Ele disse: ¿Cruzes, isso não é gente, não vão durar¿. Mas, com três meses, já tínhamos 4kg (cada um) — recorda Francisca.

Até os 18 anos, Francisca e Godofredo — os mais velhos entre seis filhos de Mario, funcionário dos Correios, e da dona de casa Isabel — viviam sempre juntos. Ela, por ser a única menina, diz ter sido muito mimada e destaca a inteligência do irmão, que é contador e trabalhou a vida toda como gerente do Banco do Brasil, num concurso no qual foi o primeiro colocado.

— Ele tinha que cuidar de mim e eu tinha que cuidar dele. Ele foi muito arteiro. Fazia as artes e eu ia junto — diverte-se Francisca.

Francisca e Godofredo sempre foram unidos Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Cumplicidade

A cada lembrança, Chiquitita cutuca o irmão, que sempre foi mais reservado. Ele devolve apenas um sorriso confirmando a cumplicidade. Num terreno grande no Bairro Glória, eles cresceram entre cachorros e gatos, se esbaldando de frutas e protagonizando peraltices, desafiando a mãe que os educou com mãos de ferro.

— No que tu estás pensando? Não é coisa boa, né? Tu estás muito quieto. Eu digo muita coisa no ouvido dele — provoca a irmã, que se esforça para ouvir sem o aparelho auditivo.

Ao longo da vida, os irmãos tiveram momentos semelhantes: ambos foram casados por mais de seis décadas — ela por 61 anos, está viúva há 20 anos, e ele foi casado por 64 anos e está viúvo há uma década — e tiveram quatro filhos cada um. Francisca tem sete netos e sete bisnetos e Godofredo, dez netos e dez bisnetos.

— Tudo o que acontecia com um, acontecia com outro. Se eu estou boa, ele está bom. Se eu adoeço, ele adoece também. Se eu comprava uma coisa, em seguida ele comprava também — revela Chiquitita.

Ao longo da vida, irmãos viveram momentos semelhantes Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Segredos da longevidade

Os irmãos pensam parecido quando questionados sobre como conseguiram a façanha de, em breve, assoprar cem velinhas. Entre os familiares, eles contarão com a companhia do único irmão vivo, Telmo, 92 anos.

— Se alimentar bem, não tomar álcool, não fumar, estar sempre em casa, ser casado, amar a sua esposa, cuidar bem dos seus filhinhos, ser um homem digno — diz Godofredo.

Francisca complementa:

— Não provocar brigas, ter bastante afilhados (são 34) e gostar de crianças.

Quem pensa que a longevidade deles está ligada a uma dieta restritiva está enganado. Para Francisca, a regra é comer de tudo, mas pouquinho.

Já Godofredo procura comer a cada três horas e ainda faz exercícios para manter-se ativo.

A ligação é intensa entre os irmãos Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

"Queridinha" e vaidosa

— Fui muito a bailes. Até os 14 anos eu era muito feia. A partir dos 14, eu melhorei, fiquei bonita — revela Francisca.

O irmão destaca uma qualidade dela:

— Era muito queridinha.

A vaidade a acompanha ainda hoje. Ela faz questão de pintar os cabelos e se preocupa na hora da foto para esconder a barriguinha.

— Não gosto de cabelo branco, parece que está sempre sujo.

Boa de conversa, deixa escapar detalhes dos costumes da época:

— Eu namorei só quatro rapazes. Eu sempre achava um jeito de brigar porque não queria prisão. Naquela época era diferente. Primeiro via da janela, depois pedia para entrar na casa e isso já era um compromisso — conta.

Ao final da entrevista, Francisca, que é leitora assídua do Diário Gaúcho, solicita:

— Coloca só coisa bonita aí, corta um pouco dessas bobagens que eu falo.


 
 
 
 
 
 
 
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