Vida e Estilo



Banco do futuro

Conheça as tecnologias que facilitarão saques e pagamentos 

Novidades divulgadas pela Febraban incluem cartões de um só uso, transferências entre quem não tem conta, saque de bitcoins e câmbio no caixa eletrônico

11/07/2016 - 03h00min

Atualizada em: 11/07/2016 - 08h18min


Erik Farina
Erik Farina
Enviar E-mail
Clientes poderão fazer câmbio em caixas eletrônicos por um código QR

Fila em bancos, erros na leitura do cartão ou o pânico de estar mergulhado na poltrona e se dar conta que a conta de luz vence em poucos minutos estão dobrando a esquina do esquecimento. Uma nova onda de tecnologia bancária avança no Brasil – e promete deixar incrivelmente fácil a forma de sacar dinheiro e pagar contas.

Uma pincelada do que vem por aí nos próximos meses esteve à mostra em São Paulo em junho, no Ciab 2016, evento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) voltado a novas tecnologias. A grande novidade é o chamado banco digital – que leva a smartphones e relógios inteligentes operações que hoje são feitas apenas nas agências ou em maquininhas de pagamento, as POS.

– Os bancos têm investido pesado para criar tecnologias superacessíveis e que atraiam mais clientes para os canais digitais – afirma o diretor de tecnologia bancária da Febraban, Gustavo Fosse.

Leia também:
Clientes poderão abrir e fechar conta em banco pela internet
O que muda com a retirada de caixas eletrônicos de sete bancos
Planejar as dívidas e renegociar o débito ajuda a ficar longe dos juros

No ano passado, os investimentos do setor – praticamente imune à crise econômica – na busca por novas funcionalidades e softwares chegaram a R$ 18 bilhões. O Itaú, por exemplo, tem um núcleo com 56 startups que o ajuda a desenvolver softwares e hardwares que modernizem as operações bancárias.

Uma das novidades do banco surgiu para quebrar a resistência de clientes ainda relutantes em fazer compras pela internet. Trata-se de cartões de crédito virtuais que funcionam por apenas uma compra, depois perdem a validade – ou seja, reduzem o risco de o cliente ser hackeado e virar alvo de fraude.

Clientes poderão usar pulseiras inteligentes para pagar contas

Os investimentos dos bancos se estendem à análise de risco nos empréstimos e em tentar compreender melhor as necessidades dos clientes. Junto a empresas de tecnologia, as instituições têm desenvolvido robôs capazes de conversar com os clientes e aprender, durante o atendimento, qual o perfil de quem está do outro lado da linha ou no controle do smartphone. Por exemplo, se um jovem disser ao aplicativo que está sem grana para viajar, o robozinho entenderá que as férias estão chegando e oferecerá linhas crédito para lazer e até pacotes de empresas parceiras.

Mais tecnologia, menos empregos

Se facilidades se anunciam para os clientes, pode-se prever também um enxugamento nas agências – com ameaça de empregos. Mesmo os executivos admitem que os bancos remotos e os caixas eletrônicos mais completos, com opções para câmbio e até troca de bitcoins, dispensarão parte do atendimento físico.

– As agências não vão acabar, mas cada vez existirão em menor número – diz o presidente do Itaú, Roberto Setúbal, citando um movimento já em curso nos Estados Unidos e na Europa.

Na opinião do presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), Everton Gimenis, as tecnologias serão bem-vindas, desde que preservem empregos no setor, um dos mais lucrativos no país:

– A bancarização digital preocupa, já que ainda é discutida como será aproveitada a mão de obra dos atendentes em outras funções, como no setor de Tecnologia da Informação (TI).

*O jornalista viajou a São Paulo a convite da Febraban


MAIS SOBRE

Últimas Notícias