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Meio ambiente14/09/2016 | 08h06Atualizada em 14/09/2016 | 11h37

A crise chegou ao lixo: reciclagem cai 25% em Porto Alegre

Redução na coleta seletiva de lixo causa demissões e faz despencar até os salários dos recicladores nas 17 unidades de triagem da Capital.

Os números comprovam que nem o lixo de Porto Alegre escapou da crise econômica. Nos primeiros oito meses do ano, Porto Alegre recolheu 9.160 toneladas de recicláveis. A quantidade é 25% menor do que no mesmo período de 2015. Como consequência, 134 dos 734 postos de trabalho foram fechados nas 17 unidades de triagem da Capital entre janeiro e agosto deste ano. E em 11 delas os salários despencaram no mesmo período. 

A queda no consumo, o aumento do desemprego e a consequente diminuição de material reciclável para coleta são apontados como os fatores que afetam diretamente a cadeia da reciclagem na Capital.

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No início deste ano, a Unidade de Triagem (UT) Nova Chocolatão, na Zona Leste, era exemplo de confiança num futuro longe dos carrinhos e das carroças de coleta de resíduos, como mostrou reportagem publicada pelo Diário Gaúcho em janeiro

Lista de espera para uma vaga de trabalho na UT Nova Chocolatão tem mais de 60 inscritos Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS

Oito meses depois, a realidade está distante do previsto pelos jovens filhos de catadores que comandam a UT. A lista de espera por uma vaga na unidade tem mais de 60 inscritos. Porém, segundo o presidente da cooperativa, Flávio Januário, 21 anos, não há previsão de novas contratações a longo prazo. O turno da noite, previsto para iniciar neste ano e que contaria com mais 20 associados, foi cancelado.

– A situação está horrível. Recebíamos até 12 cargas por dia. Agora, a gente precisa agradecer quando chegam duas cargas. Estamos trabalhando apenas meio turno por falta de material. O nosso salário reduziu R$ 400 e a previsão é diminuir ainda mais, se os resíduos não entrarem – admite a recicladora e tesoureira da unidade Jéssica da Silva Borges, 24 anos. 

A crise não poupou nem a unidades mais tradicionais de Porto Alegre, como a Rubem Berta, na Zona Norte, existente há 23 anos. Desde janeiro, a UT perdeu cinco dos 35 funcionários e teve o salário reduzido pela metade. Para enfrentar a maré baixa, a coordenadora do grupo, Rosana do Amaral, 32 anos, optou pelo trabalho em meio turno. 

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– Para piorar a situação, a população não respeita o nosso trabalho. Perdemos muito material que vem misturado com fraldas descartáveis e absorventes, o que impede a reciclagem. Dependemos deste trabalho para sobrevivermos. Nem assim as pessoas tomam consciência do mal que fazem a nós e ao meio ambiente. 

UT Rubem Berta perdeu cinco dos 35 funcionários e os que ficaram ganham a metade Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS

Infração e multa

Segundo o diretor-geral do DMLU, Gustavo Fontana, a crise financeira no país desencadeou os problemas mais sérios na reciclagem.

– O desemprego levou muitos trabalhadores para o mercado informal. Hoje, há mais catadores nas ruas do que em anos anteriores. Alguns estão motorizados, usando carros e caminhões, e competindo diretamente e injustamente com quem atua nas unidades de triagem e faz um trabalho organizado – explica.

Gustavo diz que nas unidades o material é devidamente reciclado e o que sobra é descartado no aterro sanitário de Minas do Leão. Já os recicladores informais selecionam o que interessa a eles e descartam o rejeito em qualquer lugar. Desde julho, a prefeitura intensificou a fiscalização da coleta clandestina de recicláveis. O código municipal de limpeza urbana considera infração gravíssima a coleta irregular de material reciclável destinado à coleta seletiva nas ruas de Porto Alegre. Quem for flagrado cometendo a infração recebe uma multa de R$ 5,2 mil e pode ter o veículo removido, se ele estiver com a documentação irregular. 

– Os irregulares precisam entender que há famílias dependendo deste material da coleta seletiva. Eles podem fazer parte das unidades de triagem, mas preferem seguir na clandestinidade para não seguirem regras – afirma o diretor-geral. 

R$ 1,2 milhão no lixo

Outro problema constatado pelo DMLU e que influencia diretamente na produção é a falta de conscientização ambiental da população. Por dia, 300 toneladas de recicláveis são despejadas erroneamente na coleta domiciliar e nos 144 contêineres espalhados pela cidade, o equivalente a R$ 1,2 milhão mensal que não são embolsados por quem trabalha na função. 

– Se todos fizessem sua parte não misturando os resíduos, não haveria falta de material nas UTs, pois quase que triplicaríamos a quantidade de recicláveis nos galpões conveniados – argumenta Gustavo. 

Campanha para conscientizar população

Para sensibilizar a população sobre a importância de descartar corretamente os resíduos sólidos, o DMLU lançou no ano passado a campanha ReciclaPOA. Agentes ambientais treinados por técnicos do DMLU e pela ong Mãos Verdes visitam moradores, comércio e escolas buscando estimulá-los a separar os resíduos recicláveis e entregá-los à coleta seletiva. Em final de setembro de 2015, 100% das ruas da cidade passaram a ter coleta seletiva. 

O novo serviço também passou a atender três vezes por semana a totalidade dos bairros Independência, Bom Fim, Farroupilha, Cidade Baixa, Auxiliadora, Mont'Serrat, Bela Vista, Moinhos de Vento, Rio Branco e Praia de Belas. Parte dos bairros Floresta, Santa Cecília, Santana, Azenha, São João, Higienópolis, Petrópolis e Menino Deus também tiveram o serviço ampliado para três vezes por semana. As melhorias incluíram ainda alteração de rotas e renovação de toda a frota.Outra ação é o curso Chega de Lixo oferecido para síndicos, zeladores, porteiros, professores e educadores, com orientações sobre como separar os resíduos e descartá-los. A Assessoria Comunitária do DMLU trabalha nas periferias orientando as pessoas com a questão da limpeza urbana. 


 
 
 

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