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Segurança04/09/2016 | 15h14Atualizada em 04/09/2016 | 15h15

Carlos Etchichury: "a escolha de Cezar Schirmer para comandar a pasta não surpreende"

Carlos Etchichury: "a escolha de Cezar Schirmer para comandar a pasta não surpreende" Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Para quem observa com atenção a área da segurança, a escolha de Cezar Schirmer para comandar a pasta não surpreende. Pelo contrário. É coerente. O ponto fora da curva, o improvável e, portanto, incoerente, seria a nomeação de José Mariano Beltrame para a função, como chegou a ser cogitado. Delegado da Polícia Federal, Beltrame inovou no combate ao crime organizado no Rio, criando Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), reduzindo taxas de homicídio e promovendo um amplo debate nacional.

Desde que pisou no Piratini, em 1° de janeiro de 2015, após uma campanha marcada pela falta de propostas, Sartori distanciou-se das inovações. No combate ao crime, não foi diferente. Desapareceram da pauta temas como integração operacional das polícias Civil e Militar, parcerias com universidades, prefeituras e guardas municipais, articulação entre diferentes áreas do governo, como educação e saúde. Os Territórios da Paz, que estabeleciam uma ação diferenciada em regiões conflagradas, foram arquivados.

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Os principais quadros operacionais do governo restringem o debate ao encarceramento (superlotando o xadrez de delegacias, como ocorria nos anos 80, porque não há vagas em presídios) e ao enfrentamento duro aos criminosos nas ruas (o que é necessário porque bandidos estão cada vez mais armados, mas torna-se arriscado, como política de Estado, quando decide-se condecorar PMs envolvidos em confrontos violentos que expõem a comunidade a balas perdidas). Políticas de prevenção, que deveriam andar de mãos dadas com a repressão e a punição, sumiram da pauta. Deu no que deu.

Schirmer é um neófito na área. Em quase oito anos como prefeito de Santa Maria, a cidade não ofereceu nenhuma contribuição consistente na área da segurança. Pelo contrário. Sua gestão leva no currículo 242 jovens mortos na Boate Kiss, uma arapuca que tinha autorização municipal para funcionar. O prefeito não foi condenado na Justiça, mas familiares e amigos das vítimas não o perdoam. Antes do incêndio, faltou prevenção. Após a tragédia, não houve grandeza. Para efeito de comparação, na Romênia, no ano passado, o primeiro-ministro Victor Ponta renunciou após um incêndio em uma boate matar 32 pessoas - sete vezes menos vitimas que na Kiss. Em Santa Maria, em vez de reconhecer erros, optou-se pelo jogo de empurra.

Na sexta-feira, na sua primeira entrevista coletiva no Piratini, ao lado de Sartori, Schirmer disse:

— Os números do Rio Grande (da criminalidade) não são tão grandes quanto do resto do país, mas precisamos trabalhar para não alcançá-los.

Não é bem assim. Proporcionalmente, mata-se mais em Porto Alegre que no Rio e em SP. Vive-se, na Região Metropolitana, uma epidemia de assassinatos — Alvorada, uma das cidades mais violentas do país, registra 59,4 homicídios por 100 mil, e Porto Alegre bateu recorde de latrocínios, com 25 casos apenas este ano.

Diante da escalada sem precedentes da violência, esperava-se um técnico qualificado para secretário. Sartori pensa diferente. Escolheu um político, cujo predicado destacado pelo próprio governador é ser seu amigo. Nada mais previsível.


 
 
 

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