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Opinião18/09/2016 | 18h31Atualizada em 18/09/2016 | 20h04

Carlos Etchichury: setembro e a segregação dos carnavalescos

Carlos Etchichury: setembro e a segregação dos carnavalescos Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

A cada mês de setembro, Porto Alegre tem a oportunidade de desmentir a versão segundo a qual a comunidade carnavalesca foi segregada em um gueto, distante das áreas centrais, ao ser deslocada para o Complexo Cultural do Porto Seco, há 12 anos. Mas a cada mês de setembro, a cidade alimenta a sensação de que os carnavalescos foram, sim, vítimas de preconceito ao serem mandados para os confins.

Para quem alertava que a construção do Porto Seco visava a expulsar uma genuína manifestação popular das áreas centrais, as autoridades informavam que o complexo, como o nome sugere, seria multiuso e receberia outros eventos. Não recebe. A maior prova disso são os desfiles dos dias 7 e de 20 de Setembro, que reúnem multidões e fazem parte do calendário cultural da cidade e se realizam na aprazível Avenida Edvaldo Pereira Paiva, às margens do Guaíba.

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Há espaço de sobra no Porto Seco para recebê-los com conforto. Mas militares e tradicionalistas, com toda razão, sabem que é mais fácil para a população e mais atraentes para os seus eventos que os desfiles permaneçam nas franjas do Bairro Menino Deus. E, registre-se, eles têm muito mais força política que a turma das escolas de samba.

A desconfiança que carnavalescos nutrem de que foram confinados nos cafundós também faz sentido na medida que falta segurança nos barracões, ao longo do ano, e que as prometidas arquibancadas fixas, que representariam economia de recursos e tornariam o Porto Seco a Sapucaí dos pampas, jamais saíram do papel. Gasta-se cerca de R$ 3 milhões por ano para a colocação e retirada das arquibancadas - quase R$ 40 milhões foram tragados após 12 carnavais, dinheiro suficiente para começar as obras.

Uma cidade como Porto Alegre, dinâmica, múltipla e complexa, precisa desfazer este mal-estar ampliando o uso do Porto Seco, antes que se cristalize o sentimento de preconceito entre os que foram expulsos do centro da Capital.

 


 
 
 

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