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Opinião09/10/2016 | 15h18Atualizada em 09/10/2016 | 15h18

Carlos Etchichury: "Se os taxistas quiserem sobreviver à concorrência, a palavra de ordem é adaptação"

Colunista do Diário Gaúcho fala sobre a disputa entre táxis e Uber por clientela

Carlos Etchichury: "Se os taxistas quiserem sobreviver à concorrência, a palavra de ordem é adaptação" Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

É mais do que justa a preocupação de taxistas com o crescimento do Uber, em Porto Alegre. No terreno semeado pela incompetência da EPTC e pelo serviço ruim que parcela dos taxistas prestam, o Uber avança. É algo impossível de conter. A tarifa é barata, os motoristas, simpáticos e, por conta da plataforma, as corridas são monitoradas e imunes a falcatruas. Fala-se em 5 mil Uber na Capital (número não oficial porque o serviço ainda não foi regulamentado) ante menos de 4 mil táxis.

Conheço várias pessoas que simplesmente deixaram de usar táxi. E a cada táxi que pego (algo raro porque também uso Uber) escuto a mesma choradeira dos motoristas: a crise é grande, as corridas caíram pela metade, o Uber vai acabar com os táxis.

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Se os taxistas quiserem sobreviver, a palavra de ordem é adaptação. Não há outra coisa a fazer. Chegou o momento do divã, da autocrítica. Passageiros querem pagar preço justo pelos deslocamentos, mulheres, sobretudo jovens, não toleram mais grosserias e visitantes não admitem trapaças. Demorou, mas a vida mudou para a minoria dos taxistas alheios às boas regras de convivência. Repito: eles são minoria, mas comprometem o todo.

Indignação

Para ilustrar um tipo de conduta que macula a classe, reproduzo e-mail que um leitor me enviou após tomar um táxi em Porto Alegre. Veja como ele foi tratado, o que ajuda a compreender o sucesso do Uber:

"No dia 8 de setembro, estive em Gramado participando de um evento e precisava retornar para Santo Ângelo, de ônibus. A opção foi pegar um 'transfer' até o aeroporto e, depois, um táxi até o Centro, para atender a compromissos antes de ir até a rodoviária para prosseguir minha viagem. Ao embarcar no táxi, solicitei que me deixasse na Rua Duque de Caxias, próximo à General Portinho. Para minha surpresa, o táxi saiu do aeroporto em direção a São Leopoldo. A seguir, me perguntou se eu queria ir pela Farrapos ou pela rodovia. Como pedi que fosse pela freeway, ele entrou em direção ao Litoral, retornando no posto da PRF para, somente depois, ir em direção a Porto Alegre. Na chegada ao destino, fotografei o taxímetro e reclamei. Em razão disso, ele me cobrou R$ 35 pela corrida. Ainda assim, um exagero, pois eu já havia pago R$ 20 por outra no mesmo trajeto. Ao chegar em minha cidade, procurei o site da EPTC e encaminhei reclamação preenchendo um formulário eletrônico (que não fornece cópia nem protocolo da postagem) e, até hoje, não tive nenhuma resposta. Como ainda estou indignado com a trapaça, resolvi escrever ao jornal. Mesmo sabendo que a maioria dos taxistas são pessoas honestas, de agora em diante, só usarei o Uber. O software que a empresa usa para controlar a ação dos seus motoristas é mais eficiente do que os mecanismos das instituições criadas pelo Estado.

Tenho lido que a EPTC tem sido implacável com os motoristas do Uber e, pelo que percebi, benevolente com os trapaceiros. Infelizmente. Não era minha intenção escrever ao jornal, mas já que os órgãos de fiscalização não funcionam, o jeito é botar a boca no trombone".


 
 
 
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