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Suspeita de estelionato30/11/2016 | 15h56Atualizada em 08/12/2016 | 17h40

Dono de agência desaparece e deixa alunos de cinco escolas do Estado sem viagem de formatura

Turmas do nono ano do ensino fundamental e do terceiro ano do médio fariam excursões a Santa Catarina. Cerca de R$ 150 mil repassados pelas famílias não foram usados em reservas de transporte e hotel

Dono de agência desaparece e deixa alunos de cinco escolas do Estado sem viagem de formatura Divulgação / Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Foto: Divulgação / Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Na noite de 19 de novembro, alunos da escola Cândido de Barros, de Santo Antônio da Patrulha, foram até o local combinado para embarcarem no ônibus que os levaria rumo a Santa Catarina. O pacote comprado da agência de turismo Diver Tour, de Taquara, prometia recompensá-los pelos anos de estudo com um passeio de dois dias por Camboriú e pelo Beto Carrero World.

Passava das 23h30min, horário marcado para caírem na estrada, e o ônibus não havia aparecido, confirmando o que os jovens temiam: haviam levado um calote.

A mesma decepção atingiu alunos de pelo menos mais cinco escolas do Rio Grande do Sul que programaram viagens de formatura. Sumido desde o dia 11, Juliano Machado, dono da Diver Tour, fez com que cerca de R$ 155 mil pagos pelas famílias ao longo do ano virassem ponto de interrogação. 

Todas haviam fechado pacote com a Diver Tour e ficaram sem excursão. Algumas, com receio de arrumarem as malas e sofrerem uma desilusão, se preveniram e cancelaram as viagens. Em torno de 250 pessoas foram atingidas, entre alunos, pais e professores.

Na Cândido de Barros, a viagem custou R$ 540 por pessoa, totalizando R$ 24.300. Na escola Monteiro Lobato, o prejuízo foi ainda maior, de R$ 79 mil. A viagem seria de quatro dias na praia de Canasvieiras, em Santa Catarina, mas nem ônibus nem hotel foram reservados — informação revelada somente no dia em que Juliano desapareceu.

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— A gente ficou muito triste. As pessoas choravam. Meus colegas, o pessoal do 9° ano. Essa viagem seria a viagem do ano. Era para comemorar todos esses anos na escola e poder fechar com chave de ouro — lamenta Éricles Duminelli, 18 anos, aluno da Cândido de Barros.

Envolvimento com a política

Com cesárea  marcada para o dia em que Juliano desapareceu, Jéssica Souza, 26 anos, companheira do dono da agência, precisou remarcar o parto. O segundo filho do casal, uma menina, nasceu dias depois. Apesar de trabalhar na empresa do marido, Jéssica afirma que a gravidez a manteve distante dos negócios. Diz ter ficado surpresa quando as famílias começaram a ameaçar a agência na Justiça. 

Candidato a vereador de Taquara pelo PSDB com o apelido de "Juliano do Beto Carrero", o dono da agência teria ficado frustrado com a tentativa de conseguir uma vaga na Câmara. Levou apenas 273 votos — 268 amenos que o último eleito.

— Estavam dando como certo que ele iria ganhar. Não foi o que aconteceu — diz Jéssica.

Ao Diário Gaúcho, Jéssica disse possuir cheques de alguns alunos, que não serão descontados. Ela espera que o companheiro retorne à Taquara e assuma as consequências.

Indenização

Pais e professores das cinco escolas registraram ocorrência contra a Diver Tour. Segundo o delegado de Taquara Luiz Carlos de Abreu, Juliano é investigado pela suposta prática de estelionato.

— Vamos ouvir as pessoas que organizaram a excursão, as diretoras, os alunos. Vamos tentar localizar o rapaz.

Contratada pelas famílias dos alunos da Cândido de Barros e da Miguelinho Freire, a advogada Graça Castilhos moveu uma ação contra a agência por danos morais e materiais. A ideia é reaver o valor investido pelos alunos, mas também indenizá-los pela promessa não cumprida.

— As duas escolas são estaduais. São pessoas que gastaram para comprar um chinelo Havaianas e fizeram festa por isso. Foi traumatizante, em uma fase de conclusão de curso — afirma Graça.

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