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Exemplo em Viamão07/11/2016 | 07h00Atualizada em 07/11/2016 | 10h23

Vovó de Itapuã ensina as lições para ter vitalidade aos 88 anos de vida

Administradora de uma pousada, Esmerilda Nunes da Rocha dá exemplo de vontade de viver, em Viamão 

Vovó de Itapuã ensina as lições para ter vitalidade aos 88 anos de vida Mateus Bruxel/Agencia RBS
Figueira amiga de Esmerilda Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

É sob uma centenária figueira que Esmerilda Nunes da Rocha, uma das mais antigas moradoras de Itapuã, em Viamão, pede as bênçãos diárias antes de começar mais um dia na pousada São Francisco, administrada por ela há quase três décadas. Aos 88 anos, vibrante e sempre disposta a novos desafios, não perde a oportunidade de aconselhar os novos netos que estão de passagem pelo local – sim, todos os hóspedes e visitantes são acolhidos como tais pela senhorinha de olhar apaziguador. Vó Esmerilda, como é carinhosamente chamada, tornou-se exemplo seguido pelos moradores da região. Não nega trabalho e está sempre planejando o próximo objetivo a ser atingido.

— Minha filha, nós enferrujamos se pararmos no tempo — aconselha a Vó para a repórter.

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E a sentença é tão levada a sério que Esmerilda pensa na festa dos 100 anos. Na festa, considerada histórica por ela, calcula que precisará de três bois para o churrasco que alimentará os mais de 200 convidados. Entre eles, a filha Yara, 66 anos, que mora em Santiago, os três netos e os dois bisnetos. Viúva há 22 anos, Vó tem hoje dois parentes homenageados em Itapuã. O marido, Lorival Vieira da Rocha, político conhecido da região, virou nome de rua. O filho, Cláudio, morto há 11 anos, se tornou praça do bairro.

— Prefiro dizer que os dois estão numa linda viagem. E todos faremos ela, em algum momento. Por isso, precisamos aproveitar todos os minutos que temos por aqui — justifica, consciente.

Diariamente, os passos leves de Esmerilda são ouvidos entre os corredores dos 14 quartos disponíveis na pousada. De tão apaixonada pelo lugar que ajudou a construir, escolheu viver entre os hóspedes. Mas num cantinho especial: ergueu as três peças de alvenaria no mesmo espaço que em décadas passadas serviu como cocheira das vacas da família. Considera o gesto um ato de humildade e de memória.

— Elas nos deram o sustento por muitos anos. Enquanto eu estiver por aqui, vou lembrar a todos o que, um dia, foi este lugar — garante.

Entre uma conversa e outra, a Vó revela que jamais foi à escola. Sozinha, motivada pela força da necessidade, aprendeu a ler e a fazer contas matemáticas. Escreve menos do que lê, mas o suficiente para se comunicar e administrar os negócios.

Na rotina árdua desde o casamento, aos 19 anos, Esmerilda recorda das tarefas exercidas para ajudar no sustento da família. De dia, cuidava dos dois filhos e administrava o mercadinho erguido pelo marido — que já era envolvido com a política — em Itapuã. Nas madrugadas vagas, produzia pães e doces para vender na comunidade e costurava para fora. Esmerilda acredita que a agenda sempre atribulada ao longo da vida a fez não sentir cansaço até hoje. 

Esmerilda oferece suco aos visitantes Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Na pousada, a Vó começa antes das 8h. Depois de preparar o "suco da longa vida" (composto de beterraba, cenoura, maçã, alecrim, arnica do campo, gengibre, couve e hortelã) e bebericar um copo, ela costuma averiguar como está o atendimento aos hóspedes, conferir as contas a pagar, molhar as dezenas de folhagens espalhadas pelo prédio, conversar com as flores nos jardins do terreno, reforçar a fé sob a figueira centenária e, ainda, ir de carro às compras, se preciso for. Esmerilda comenta, com orgulho, ter renovado recentemente a carteira de motorista para seguir dirigindo o carro e ser a responsável pelas compras da pousada, sempre acompanhada de um funcionário.

— Até chegar a "hora de viajarmos", devemos pensar no que podemos fazer hoje. Servir a um propósito até o fim do nosso ciclo — finaliza, sempre como se estivesse aconselhando quem a ouve.

Pousada administrada por Esmerilda Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Filosofias de Esmerilda
"Nós enferrujamos se pararmos no tempo."
"Temos que ter sempre um objetivo para continuarmos pensando no futuro." 
"Até chegar a 'hora de viajarmos', devemos pensar no que podemos fazer hoje. Servir a um propósito até o fim do nosso ciclo."
"Não se vive de fantasia, mas sonhar não é pecado. Eu sonho o tempo inteiro."
"Quando eu viajar (morrer), quero ir cercada de flores. Irei sorrindo porque fiz o que pude por aqui."
"Não tenho tempo a perder, a vida é tão linda."
"Não reclamo, só agradeço. Só de abrir os olhos todos os dias já tenho muito a agradecer."
"Ninguém é feliz sozinho."

Esmerilda gosta de cuidar das flores Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS


 
 
 

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    Bruna Goularthttps://t.co/rH0h35XYM4 via @diario_gauchohá 16 minutosRetweet
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    Sheila"A loira, que é considerada ícone da chamada música brega, é bem mais do que esse rótulo simplista." - Diário Gaúcho.há 1 horaRetweet
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