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Migrantes11/12/2016 | 17h20Atualizada em 11/12/2016 | 19h19

Ao som de música caribenha, haitianos celebram vida no Brasil

Festa organizada por sindicato da construção civil reuniu 400 imigrantes num CTG no Bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, neste domingo.

Ao som de música caribenha, haitianos celebram vida no Brasil Tadeu Vilani/Agencia RBS
Do palco, haitianos ajudaram no sorteio de bicicletas para os conterrâneos Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Embalados pela Kompa, gênero musical influente no Haiti, 400 imigrantes, a maioria vinda deste país, que trabalham na construção civil no Estado, participaram neste domingo do segundo Almoço de Natal, promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Porto Alegre (Sticc). A festa, realizada no CTG Pousada da Figueira, no Bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, homenageou aqueles que, apostando no sonho de uma vida melhor, deixaram amigos e familiares para recomeçar num novo país.

É o caso do auxiliar de serviços gerais Berthier Fritz Ferney Alexis, 30 anos, e da dona de casa Marie Joe Pierre, 28 anos, hoje moradores do Bairro Partenon, na Capital. Juntos há dois anos no Brasil, os dois tiveram Berthier Junior, nove meses, que nasceu em Encantado, no Vale do Taquari. Convidados por amigos para participarem da festa, os dois estão distantes das profissões exercidas no Haiti — Berthier era ceramista e Marie Joe técnica em enfermagem —, mas garantem ser felizes no Brasil.

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— O único problema é a Marie Joe não conseguir emprego. Ela trabalhou numa indústria em Pato Branco, no Paraná, mas está sem emprego desde que viemos para Porto Alegre, há um ano. Só isso não garante a nossa felicidade por completo — contou Berthier que, ao contrário da mulher, aprendeu o português com facilidade.

Marie Joe, ao lado do marido Berthier Fritz Ferney Alexis e do filho Junior, procura um emprego na indústria Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Estudo
Também satisfeito com a vida que leva no Brasil, o técnico em segurança do trabalho e fiscal do Sticc Roosvens Elassi Marc, 30 anos, celebrava no domingo o terceiro ano em Porto Alegre desde que deixou a cidade haitiana de Ouanaminthe rumo ao Rio Grande do Sul, onde divide com dois primos uma casa no bairro cristal. No Estado, Roosvens, que no Haiti estudava engenharia civil, optou pelo curso técnico em segurança do trabalho por ser mais barato e mais rápido e cursa Português desde a chegada.

Sem esquecer as raízes — ele fala com a família todos os dias pelas redes sociais —, Roosvens garante estar totalmente adaptado à cultura brasileira. Torcedor do colorado, está à procura de uma namorada depois de envolver-se com uma moradora de Cacequi e iniciou uma nova faculdade neste semestre: Administração, na Faculdade Senac.

— Faço três disciplinas porque não tenho dinheiro para cursar todas. Pago do meu bolso. Sonho em voltar a fazer Engenharia Civil, mas o curso é muito caro. Meu maior desejo é voltar ao Haiti em 2018 para ensinar aos meus tudo o que aprendi no Brasil — afirma, convicto. 

Roosvens está cursando a faculdade de Administração, em Porto Alegre Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Contribuição para o Haiti
Em meio à confraternização regada a churrasco, o Sticc assinou um convênio com o sindicato haitiano da construção civil garantindo o repasse de 100% das contribuições sindical e confederativa à entidade haitiana. A iniciativa partiu do Sticc depois que o presidente, Gelson Santana, visitou o país, há dois anos.

— Aqui (no Brasil), eu conhecia pobreza. Lá (no Haiti), conheci a miséria. O nosso sindicato tem o dever de ajudar o povo haitiano. A partir de 2017, os valores serão repassados a eles — confirmou, emocionado.

Hoje, Gelson calcula que 10% dos cerca de 1,5 mil haitianos na construção civil gaúcha já estão sindicalizados. Ele, porém, não soube dizer qual o valor que será repassado mensalmente ao Haiti. BicicletasUm dos momentos de maior comemoração ocorreu durante o sorteio de 26 bicicletas, dez pares de ingressos para o cinema e bolsa de estudos para um dos cursos profissionalizantes do Sticc. A cada novo número sorteado por Roosvens, os gritos e aplausos quase ensurdeciam o salão abarrotado de migrantes e convidados.

— Apesar de todas as dificuldades, somos um povo feliz — resumiu Roosvens.


 
 
 
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