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No espírito natalino23/12/2016 | 05h04Atualizada em 23/12/2016 | 08h24

Há quase seis décadas, aposentado da Capital se veste de Papai Noel para visitar creches e asilos  

Trabalho voluntário é motivado pela paixão por celebrações natalinas e pela disposição de levar mensagens de esperança e amor às pessoas

Há quase seis décadas, aposentado da Capital se veste de Papai Noel para visitar creches e asilos   Félix Zucco/Agencia RBS
Apesar de magro e sem barba, Irineu Anselmo não deixa de assumir o personagem-símbolo no Natal Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

É a vontade de transmitir uma mensagem de amor e esperança que tem movido o bancário aposentado Irineu Anselmo Oriques, 73 anos, de Porto Alegre, a representar o papel do tradicional personagem natalino há quase seis décadas. Embora o porte físico magro, a falta de barba e os cabelos ralos em nada lembrem o Papai Noel, a disposição de compartilhar aquilo que lhe sobra faz dele um entusiasta do Natal.

— O Natal é, acima de tudo, amor. Se tenho uma família, alegrias, se sou feliz, por que não dar um pouquinho disso para outras pessoas? Sinto-me mais gratificado do que as pessoas que estão recebendo presentes — comenta Irineu, que sempre foi um Noel voluntário.

O apreço pela festa pode ser visto desde a fachada do prédio onde ele mora, na Zona Norte. Há uma estrela iluminada no topo e um pinheiro decorado com 20 botas de Papai Noel — uma para cada apartamento —, nas quais deposita mensagens e chocolate para as crianças.

Na sala do apartamento em que mora com a mulher, a comerciante aposentada Adelaide Oriques, 70 anos, a estante acomoda 32 papais noéis (que consomem mais de 70 pilhas), que disputam a atenção dos netos Bernardo, 12 anos, Rômulo, oito anos, e Lívia, três anos. A pequena se encanta com o boneco que assovia, o que anda de bicicleta, o que mexe a barriga, o que tira fotos... só não tem muita simpatia pelo que, por pura peraltice, baixa as calças e dá um gargalhada assustadora.

— Gosto do Natal, tenho o sentimento cristão de família. Procuro transmitir carinho e amor às pessoas — observa Irineu.

De uma época em que o Papai Noel distribuía varas de marmelo aos pais para frear as crianças mais arteiras e usava correntes para fazer barulho — que afugentavam os pequenos —, Irineu tinha medo do personagem. Chegava a ter pesadelos, fugindo apavorado da figura. Por ironia da vida, aos 16 anos, pela ausência do Papai Noel titular, que circulava pelas ruas do bairro Navegantes, ele colocou uma máscara, vestiu o traje costurado por uma tia e, mesmo sem o traquejo esperado, desempenhou a missão.

— Fiquei nervoso, com receio, mas não quis gritar e nem assustar as crianças. Preferi cativá-las — recorda.

De lá para cá, foram incontáveis visitas a creches, asilos, residências. Ele só falhou a tradição em um final de ano, por um nobre motivo: no dia 23 de dezembro de 1967, Irineu e Adelaide se casaram. Em 2017, ele completará bodas de ouro com sua "Mamãe Noel", que o acompanha garantindo a retaguarda das suas aparições.

Traje iluminado com led

Iluminação especial deixa o traje ainda mais atrativo  Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Cuidadosamente, Adelaide começa a caracterização clareando as sobrancelhas do marido. A roupa, costurada por ela, agora tem um cordão de lâmpadas de led. Irineu se esmera para apresentar-se alinhado.

Bigode, peruca, touca, polainas, botas e um sino completam o visual. Os trajes já foram substituídos pelo menos cinco vezes. O cajado é o mesmo de 57 anos.

As fotografias guardam as mudanças na figura do Papai Noel com o passar do tempo. Até 1982, o rosto era coberto por uma máscara. Às casas, ele chegava inclusive de charrete.

Irineu recorda que não foram poucas as vezes em que crianças maiores tentaram colocar à prova a veracidade da fantasia, puxando a barba ou questionando a falta de barriga. Sobre o abdômen, ele despista dizendo que o Noel é atleta e faz balõezinhos com alguma bola. Muitas crianças entregam os bicos e fazem promessas de bom comportamento.

— Geralmente, converso antes com os pais para saber o nome e como a criança está. Se não passou de ano, não adianta brigar. Tenho de incentivar para que melhore — ensina.

Com tanta história e tanto encanto pelo Natal, a família já pensa em quem levará adiante a tradição. Adelaide aposta que o próximo Papai Noel será um dos netos.

Por quase uma década, Adelaide peregrinou ao lado do marido, com os filhos a tiracolo, pelas visitas de Natal. E eram muitas casas que pediam a presença do Papai Noel. Quando não ia, Adelaide aguardava Irineu para a ceia.

Desde 1973, a noite de 24 de dezembro é da família. Convites para participação em festas, só em outras datas e horários. Neste ano, cerca de 30 familiares e amigos se reunirão na casa de um dos três filhos do casal.

A família em um dos natais em que a máscara fazia parte do modelito do papai noel Irineu Foto: Reprodução / Reprodução


 
 
 

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