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Opinião27/02/2017 | 09h55Atualizada em 27/02/2017 | 15h34

Carlos Etchichury: a polícia que queremos

Carlos Etchichury: a polícia que queremos Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Merece aplauso o trabalho coordenado por dois delegados do Departamento Estadual do Narcotráfico (Denarc), que abortou, na última quarta-feira, a fuga em massa de presos do Presídio Central.

Após minuciosa investigação, os delegados identificaram túnel que ligaria uma residência ao pátio da cadeia. Pelo menos 200 detentos de uma facção ganhariam as ruas quando a obra, classificada por engenheiros como de "média complexidade", estivesse concluída. Sem disparar um único tiro, a polícia prendeu oito pessoas envolvidas nas escavações. As únicas armas que os agentes empregaram na operação, que se prolongou por quase três meses, foram inteligência, técnica e paciência.

A polícia que investiga à exaustão, encurrala bandidos e evita crimes, a polícia que usa mais o cérebro que os músculos, é a polícia que queremos.

Não significa que o uso da força deva ser arquivado. Longe disso. Enfrentar bandidos armados com fuzil exige preparo e destemor. É improvável que assaltantes com sangue nos olhos, especializados em dinamitar caixas eletrônicos, evitem o confronto com as autoridades.

Mas, mesmo nestas circunstâncias, a inteligência e a razão devem prevalecer. É o emprego da técnica que preserva vidas – de inocentes, que eventualmente ficam na linha de tiro entre bandidos e policiais, dos próprios policiais envolvidos em confrontos e dos criminosos, cuja integridade também deve ser preservada.

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Declaração infeliz

Na semana passada, ao comentar assassinatos no Estado, o secretário da Segurança Pública, Cezar Schirmer, disse que "quem está se matando são os traficantes". A frase, além de infeliz, é imprecisa. São inúmeros os inocentes vitimados pela guerra do tráfico. No último final de semana, uma família inteira, incluindo uma criança de seis anos, foi executada em Gravataí.

A polícia suspeita que eles teriam sido mortos por engano. No Litoral, uma adolescente de 14 anos, grávida de sete meses, morreu vítima de bala perdida. Sem prevenção e com diagnóstico errado, seguiremos sepultando inocentes vítimas da violência no Estado.


 
 
 

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