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Opinião24/04/2017 | 10h55Atualizada em 24/04/2017 | 10h55

Carlos Etchichury: "A Lava-Jato e o crime organizado"

Carlos Etchichury: "A Lava-Jato e o crime organizado" Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Com os chefões baseados no Rio, o jogo do bicho opera de norte a sul do país. Há mais de meio século, corrompe agentes públicos de diferentes níveis, infiltra-se no Estado, financia campanhas eleitorais, compra comunidades inteiras, executa rivais. É afável e violento ao mesmo tempo. Por meio de uma complexa rede de ¿descargas¿, assegura o pagamento dos prêmios e a credibilidade das apostas em todo território nacional. Era o único crime realmente organizado que funcionava no Brasil, como definiu o delegado Hélio Luz, ex-chefe de Polícia do Rio de Janeiro.

Com o fim do sigilo das delações dos 77 executivos da Odebrecht, porém, descobre-se que os bicheiros são meros aprendizes.

Ousadia

Nenhuma organização criminosa ousou tanto. Conforme confissões dos próprios executivos, a começar por Emílio e Marcelo Odebrecht, pai e filho, não havia limites para rapinagem. Pagava-se para obter informações licitações, para superfaturar obras públicas, para acessar dados estratégicos do Estado. O financiamento de campanhas eleitorais (em especial de partidos como PT, PSDB, PMDB e PP) era a forma mais comum de corromper agentes públicos. Mas os políticos não eram os únicos a receber dinheiro. Os delatores informaram que policiais, índios, sindicalistas, milicianos, fiscais de agências reguladoras, profissionais de carreira da máquina pública, em diferentes níveis, também ganhavam mesadas para defender os interesses da empresa.

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Organização

A corrupção era em escala tão grande que foi necessário criar um órgão cuja única e clara função era gerenciar as falcatruas. O Departamento de Organização Estruturadas, o QG do crime, operava um sistema de informações próprio, sediado na Suíça, dispunha de senhas inclusive para entrar fisicamente em suas dependências (apenas alguns executivos tinham acesso) e etiquetava os políticos corrompidos de acordo com a importância de cada um no esquema. Como é comum no mundo crime, todos tinham apelidos - Jucá, Amigo, Botafogo, Bicuíra, Italiano, são apenas algumas das alcunhas. Como os operadores não têm as mãos sujas de sangue, os incautos podem argumentar que a comparação com organizações criminosos típicas é descabida. Não é. Os prejuízos sociais, com a gastança desnecessária para alimentar a ganância de uma empresa corrompida, são incalculáveis. A conta é paga por todos, mas, sobretudo, pelos mais pobres.

Não há paralelo na história de tanta rapinagem. Nunca o crime mostrou-se tão forte e tão organizado. Talvez este seja o maior legado da Lava-Jato até agora.


 
 
 

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