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Encare a Crise07/04/2017 | 04h00Atualizada em 07/04/2017 | 04h00

Para apoiar funcionários com dívidas, empresas antecipam 13º e até ensinam a usar planilhas

Inadimplência já alcança quase 60 milhões de pessoas

Para apoiar funcionários com dívidas, empresas antecipam 13º e até ensinam a usar planilhas Adriana Franciosi/Agencia RBS
Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS

Fantasmas têm atormentado todos os atores do mercado de trabalho, de executivos de pequenas e médias empresas de Porto Alegre a operários de grandes fábricas da Serra: o pavor da demissão e a agonia de dívidas impagáveis. Empresários e especialistas em recursos humanos estão alarmados com a incidência de casos de depressão, acidentes de trabalho e queda de produtividade nas companhias em razão dos efeitos da crise sobre seus empregados.

– Desde o ano passado, quando se agravou o desemprego e muita gente passou a ter que ajudar familiares e parentes sem trabalho, cresceu muito a incidência de funcionários com problemas financeiros em casa –  analisa Carlos Frederico Schmaedecke,  vice-presidente de Micro e Pequenas Empresas da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Porto Alegre.

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O Brasil soma 12,4 milhões de desempregados, e a inadimplência já alcança quase 60 milhões de pessoas. Era de se esperar que, cedo ou tarde, essa realidade pesasse sobre trabalhadores durante o expediente. Levantamento da consultoria Blue Numbers mostra que profissionais com dívidas chegam a perder até uma hora por dia tentando resolver a vida, seja por telefone ou e-mail, seja esticando o intervalo de almoço para ir a bancos e financeiras.

Quando os funcionários estão atormentados, os sinais são claros: mudam de humor, tornam-se irritadiços. Tomados por preocupação, vendedores não conseguem focar em suas metas, executivos escorregam em decisões simples, e metalúrgicos cometem erros que podem custar suas vidas. 

–  Quando identificam situações como essa, as chefias têm procurado oferecer suporte financeiro, adiantar o 13º salário, fazer um empréstimo em condições bem favoráveis –  diz Schmaedecke, que é proprietário da rede de vestuário Confraria Masculina. –  Alguns funcionários querem pedir demissão para acessar o fundo de garantia. Então, tentamos apresentar alternativas para que ele não tenha de perder o emprego. 

Em sua empresa, o empresário já teve de sentar ao lado de funcionários para ajudar a organizar uma planilha financeira e dar dicas de como eliminar desperdícios. 

–  Se tornou um grande problema para empregados e empresas. O que mais afeta a produtividade em boa parte das companhias não é falta de qualificação, mas os efeitos de endividamento e o medo de perder o emprego –  avalia a psicóloga Simoni Missel, diretora da Missel Capacitação Empresarial.

Não se abale com as dívidas
¿ Se cair em dívidas difíceis de pagar, procure um amigo ou familiar para compartilhar a dificuldade, antes que ela comece a afetar sua concentração no trabalho.
¿ Tenha autocrítica sobre como as pendências financeiras podem estar atrapalhando a sua produtividade. Coloque no papel suas metas profissionais e veja se está conseguindo cumpri-las. 
¿ Quem trabalha na linha de produção em fábricas deve ter atenção redobrada. O risco de cometer acidentes é maior quando a cabeça está cheia de preocupação. 
¿ Se a dificuldade se agravar, procure seu chefe para explicar o que está ocorrendo e saber se é possível a empresa fornecer algum apoio, como antecipar salário, 13º ou um empréstimo a linha baratas. 
¿ Também é importante procurar a chefia para explicar a situação e, se for o caso, solicitar uma folga para resolver os problemas. 
¿ Antes de "abraçar o mundo", assumindo contas de terceiros ou tentando manter um padrão de vida alto em meio a dificuldades, coloque os pés no chão e previna-se dos efeitos que isso poderá trazer a sua rotina no trabalho.

Como apoiar um funcionário endividado
¿ Oferecer tratamento psicológico ou suporte de consultores financeiros que ajudem a colocar as contas em dia.
¿ Antecipar pagamentos como bonificações ou 13º salário, além de mediar empréstimos.
¿ Sensibilizar-se com a necessidade de o funcionário se ausentar para resolver alguma questão financeira.
¿ Orientar gestores e supervisores a identificar os primeiros indícios de perda de concentração ou mudança de humor no trabalho. 
¿ Ser menos rígido com restrições ao uso de telefone e de internet, pois isso obriga funcionários a se ausentarem com maior frequência resolver problemas particulares. 
¿ Melhorar o ambiente de trabalho e deixar mais claras as perspectivas e as metas dos funcionários, racionalizando o pavor da demissão. 

Fontes: Simoni Missel, diretora da Missel Capacitação Empresarial, Márcio Iavelberg, sócio-diretor da Blue Numbers e Carlos Frederico Schmaedecke, vice-presidente de Micro e Pequenas Empresas da CDL Porto Alegre

 
 
 

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