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Opinião29/05/2017 | 11h02Atualizada em 29/05/2017 | 11h02

Carlos Etchichury: "Moro acertou em absolver a mulher de Cunha"

Carlos Etchichury: "Moro acertou em absolver a mulher de Cunha" Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Se dependesse dos tribunais das redes sociais, a jornalista Cláudia Cruz, mulher do ex-presidente da Câmara de Deputados Eduardo Cunha (PMDB/RJ), absolvida pelo juiz Sérgio Moro na semana passada, deveria ser condenada e, se possível, apedrejada em praça pública.

Cláudia foi processada por lavagem de dinheiro. Para os procuradores da Lava-Jato, a jornalista lavava a grana imunda do marido corrupto comprando bolsas Louis Vuitton, vestindo-se nas lojas Chanel e Hermès, hospedando-se e comendo nos melhores restaurantes de Nova York e Paris.

Quem lava dinheiro quer ocultar patrimônio oriundo do crime. Compras de obras de arte e joias, abertura de contas em paraísos fiscais e até investimento em lavanderias propriamente ditas — como o fez Al Capone nos Estados Unidos, provavelmente dando origem ao termo ao comprar uma rede de lavanderias em Chicago para justificar o patrimônio obtido com a exploração de prostituição, casas de aposta e venda de bebidas alcoólicas — são algumas formas comuns de lavagem.

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Ninguém lava ostentando, torrando dólares ou euros como novo rico. É evidente que Cláudia sabia que Cunha era da pá virada e se beneficiava da vida dupla do marido cassado - evangélico que falava em Deus na frente das câmeras, corrupto que extorquia empresários nos bastidores da política. Mas daí a cometer crimes tem diferença. No fundo, o próprio Ministério Público Federal sabia disso. Se tivesse convicção dos delitos de Cláudia, a teria denunciado por formação de quadrilha. Talvez o maior "crime" da mulher que há anos abandonou o jornalismo seja ter casado com um sujeito que sintetiza o que há de pior no Congresso Nacional.

Não surpreende que Moro seja criticado à direita e à esquerda pela decisão. Se Cláudia gastou a grana manchada de óleo, cana nela, mesmo que o Código Penal não preveja punição para mulheres que gastam o dinheiro do marido. Afinal, o que importa a lei?

A horda, que está se lixando com a Justiça, quer justiçamento. Mas é preciso manter a razão, sob pena de submergirmos nas trevas do autoritarismo. Por mais repugnância que o casal Cunha desperte, Moro acertou em absolver Cláudia. Os fatos e a lei devem se sobreponham à militância e à convicção nas sentenças judiciais.


 

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