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Dia das Mães13/05/2017 | 07h01Atualizada em 13/05/2017 | 07h01

Conheça a história da mulher que é "mãe" dos irmãos, sobrinhos, netos e filhos

Moradora do Bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, passou 50 dos 63 anos cuidando dos parentes

Conheça a história da mulher que é "mãe" dos irmãos, sobrinhos, netos e filhos Anderson Fetter/Agencia RBS
Teresinha, sentada, rodeada por irmãs, filha, sobrinhos e netos criados por ela Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

Engana-se quem ainda pensa que para ser mãe é preciso dar à luz. A cozinheira e doméstica Teresinha Barbosa Machado, do Bairro Lomba do Pinheiro, prova o contrário. Dos 63 anos de vida, passou 50 deles cuidando das seis filhas e ajudando diretamente na criação dos oito irmãos, três sobrinhos e de um neto. Todos eles, em algum momento da vida e com o consentimento das próprias mães, optaram por viverem ao lado de Teresinha. Nesta jornada, ainda sobrou tempo para amamentar outros dois sobrinhos. Por esta trajetória, os próprios familiares a consideram a segunda matriarca dos Barbosa. Ou como o neto Kauã Fagundes, 12 anos, com ela desde os três anos, resume: "a mãe alpha", aquela que lidera todas as outras da família.Neste final de semana, quando se celebra o Dia das Mães, o Diário Gaúcho compartilha com os leitores a história da incansável Teresinha, a mulher cujo abraço sempre cabe mais um.

Flor gaúcha, alma da querência
Companheira de muitas caminhadas
Fibra de mulher, doce paciência
Das sangas cruzando as canhadas.

Para definir a avó Teresinha, Kauã canta e dedilha no acordeon os primeiros versos de Companheira, do cantor nativista Pedro Ortaça. É assim que ele a percebe desde os três anos de idade, quando pediu à mãe, Kamila Barbosa, hoje com 27 anos, para morar com a avó materna. O menino, cuja paixão pelos instrumentos musicais foi despertada pelos incentivos de Teresinha, vive até hoje ao lado dela. Mas Kauã não foi o único a trocar o colo da própria mãe pelos abraços dela. Ao longo das últimas cinco décadas, a mulher de aparente fisionomia sisuda abriu os braços para cuidar dos oito irmãos, das seis filhas e de outros três sobrinhos. No meio de tanta responsabilidade, ainda encontrou tempo para amamentar outros dois sobrinhos. Detalhe: nenhum deles era órfão de mãe.

— Sempre trabalhei, já fui babá, sempre cuidei, e me vejo assim desde criança. Eu gosto de ser mãe — admite Teresinha, desconsiderando a importância de dedicar a própria vida a dar atenção ao próximo.

Por ser a mais velha de dez crianças, Teresinha foi quem auxiliou os pais, agricultores no interior de Encruzilhada do Sul, nos cuidados com os outros nove irmãos. Os mais jovens, inclusive, passaram a morar com ela depois que casou, aos 19 anos.

—Éramos uma família com poucos recursos, e me vi desde cedo ajudando a mãe para que ela pudesse trabalhar na lavoura. Quando nos mudamos para Porto Alegre fui a responsável, inclusive, por registrar os nomes de todos nós e também fiz a primeira matrícula dos meus irmãos na escola _ recorda, emocionada. 

Nair e Neusi foram cuidadas pela irmã Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

Nair Barbosa, 57 anos, Neusi Barbosa Andrade, 59 anos, e Clair Barbosa Soares, 61 anos, confirmam a dedicação da irmã no cuidado com os menores.

— Ela sempre teve um papel fundamental na família porque tudo o que acontece passa por ela. É a mãe de todos, uma mãezona — garante Nair, que morou com a irmã durante a adolescência.

Nair, inclusive, socorreu-se em Teresinha quando lhes faltou leite para amamentar a filha Karine Barbosa De La Frava, hoje com 27 anos e estudante de gestão empresarial:

— Minha irmã nunca disse não. Sempre esteve disposta e amamentou minha menina como se fosse as delas. Só tenho a agradecer.

Clair também tem laços estreitos com a "mãe de todos". Os três filhos têm em Teresinha a segunda mãe: o aposentado Jorge Luis, 43 anos, portador de paralisia infantil, só aprendeu a comer sozinho e a caminhar aos sete anos e com a ajuda da tia, o chefe de cozinha Amaro Neto, 32 anos, foi amamentado pela tia, e a comerciária Nilsemara, 40 anos, optou por morar com a tia dos cinco aos 19 anos.

— Tem vezes que até falo algumas coisas para ela que não conto para a minha mãe. Não há comparação. É uma pessoa muito boa e sempre pronta para ajudar — confidencia Nilsemara. 

Filhos do coração lotam a cozinha de Teresinha (na ponta da mesa) Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

Almoço de domingo
Neste final de semana, pelo menos 30 pessoas deverão se reunir na casa da Teresinha para celebrar a data. Ela já perdeu a conta, mas garante ter ajudado a criar todos que estarão presentes. A cena se repete a cada segundo domingo do mês de maio. O almoço é preparado pela própria Teresinha, que faz questão de receber os visitantes com almoço e o bolo da tarde. Como a maior parte dos filhos do coração já estão criados, a data serve para o reecontro e para relembrar as histórias da infância de cada um. A segundo mãe adora.
— Ser mãe, pra mim, não só significa pq tu pariu que tu é mãe. Tu é mãe pq tu amamentou, pq tu cuida no dia a dia, pq tu ensina, tu instrui para não ir para o lado do mal, que é para fazer as coisas direito, ser um ser humano honesto, acima de tudo — resume.

A avó incentiva o neto a seguir tocando gaita Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS

O gaiteiro e a "mãe alpha"
A aproximação de Kauã com a avó ocorreu quando Kamila se separou do primeiro casamento. Durante um ano, ela e o filho moraram na casa de Teresinha. Quando a jovem decidiu se mudar para outro bairro da cidade, o menino passou dois dias chorando e pedindo pela avó. Kamila recorda que a opção foi deixá-lo alguns dias ao lado de Teresinha. Ele nunca mais quis voltar.

— Ela é uma ótima mãe. Meu filho está entrando na adolescência e ela o ajudará ainda mais a seguir no bom caminho — afirma Kamila, que hoje tem mais dois filhos.

A afirmação da filha é constatada nos esforços de Teresinha para que o neto possa realizar o sonho de ser gaiteiro. Como não tinham condições de comprar um acordeon, a cozinheira e doméstica fez rifas para arrecadar o dinheiro. Kauã faz aulas particulares duas vezes por semana. Nos outros dias, ensaia em casa. E faz questão de ser observado pela avó.

Há um mês, uma das teclas do acordeon estragou. Mais uma vez, a união foi necessária para arrecadar os R$ 700 do conserto. Com a ajuda da família, Teresinha organizou um jantar festivo no salão comunitário de uma ong do bairro. A gaita foi consertada. E são estes gestos de perseverança que fazem Kauã admirar ainda mais a segunda mãe.

— Ela criou os meus tios, as minhas tias, minha mãe, quase todo mundo ela criou. Por isso, tenho esta ideia de mãe alpha porque ela é mãe de todo mundo. Meio que a espaçonave mãe do Stars Wars — define, aos risos, Kauã.

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