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Operação Campos11/05/2017 | 06h31Atualizada em 11/05/2017 | 13h37

Maior operação da história de Caxias mobiliza 257 agentes na busca por armas, drogas e foragidos

Ação ocorre no loteamento popular Campos da Serra, zona leste da cidade

Maior operação da história de Caxias mobiliza 257 agentes na busca por armas, drogas e foragidos Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Estão sendo cumpridos 40 mandados nos condomínios do loteamento Campos da Serra Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

O loteamento popular Campos da Serra, que abriga seis mil moradores, foi alvo da maior operação policial já realizada em Caxias do Sul, na manhã desta quinta-feira. O objetivo da Operação Campos é prender foragidos, encontrar armas e drogas. Ao todo, 257 agentes da Polícia Civil, Brigada Militar e Polícia Rodoviária Federal (PRF), além de oficiais de Justiça, cumpriram 40 mandados de busca e apreensão nos condomínios I, IV, V e VII da comunidade, que foi construída com recursos públicos na localidade da Nossa Senhora das Graças da 8ª Légua, região entre o São Luiz da 6ª Légua e o bairro De Zorzi, zona leste da cidade. 

— Era uma demanda da comunidade ordeira desses locais, que clamava por uma ação da polícia para coibir e mostrar que há, sim, controle do Estado e que está sendo feito um acompanhamento das atividades ilícitas que, por ventura, acontecem aqui — disse o delegado titular da Defrec, Mário Mombach, que coordenou a operação.

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De acordo com o delegado, as investigações começaram ainda em setembro do ano passado, tendo como um dos focos principais as denúncias de tráfico de drogas.

— A operação nasceu de denúncias de tráfico e das constatações que foram feitas em conjunto pelos serviços de inteligência da Brigada Militar e da Polícia Civil , que averiguaram um tráfico varejista forte aqui na região. Não tínhamos denúncias graves, nem investigações apontaram o tráfico pesado, tráfico de atacado, mas o tráfico varejista era uma realidade. E, embora o objetivo não fosse fazer grandes apreensões aqui, a intenção foi mostrar a presença do Estado e coibir o tráfico — explicou Mombach.

Ainda segundo o delegado, um homem foi preso por volta das 7h desta quinta-feira por posse de munição. O balanço geral das apreensões deve ser feito ainda nesta manhã.

A última vez que tantos policiais foram mobilizados em Caxias foi durante a Operação Sepultura, que combateu uma disputa sangrenta pelo tráfico de drogas no bairro Euzébio Beltrão de Queiróz. Naquela ação, em dezembro de 2015, oito pessoas foram presas durante o cumprimento de 34 mandados judiciais.

Nesta quinta-feira, os acessos ao loteamento foram bloqueados e todas as pessoas que entram ou saem estão sendo abordadas. Somente no condomínio Campos da Serra V, a força-tarefa cumpre 36 mandados. Dezenas de pessoas foram abordadas na ação e todos os automóveis eram consultados em busca de veículos roubados, furtados ou clonados. 

Histórico de transtornos e denúncias de tráfico

A comunidade se transformou num território minado há muito tempo. Traficantes, homicidas e assaltantes se infiltraram nos condomínios por um motivo simples: planejado para amenizar o déficit habitacional de Caxias, o loteamento vem sendo formado, desde 2010, numa área rural a 40 minutos do centro da cidade. O lugar, porém, quase não tem sinal de telefonia celular e policiamento. A presença do Estado é irrisória: só há uma unidade básica de saúde, faltam referências de lazer para os jovens e há denúncias de que crianças passam o dia sem a supervisão de adultos.

Neste contexto, trabalhadores e donas de casa que adquiriram apartamentos e casas por meio do programa Minha Casa Minha Vida têm sido acuados por criminosos. Em 2015, bandidos expulsaram famílias que ousaram denunciar tráfico e outros delitos. A reportagem também, por exemplo, já recebeu informações sobre grupos que forçam invasões de domicílios e desrespeitam normas de convivência, atacando e agredindo quem tenta estabelecer a ordem. Esse temor é reforçado por jovens que ostentam armas em redes sociais e consomem drogas em áreas de convivência. As denúncias já eram de conhecimento do Ministério Público Federal (MPF), que abriu investigação a partir de informações da própria Caixa Federal, financiadora do programa, no final de 2015. Documentos recebidos pelo MPF citavam inclusive a presença de supostas milícias. As denúncias foram encaminhadas à polícia.

O loteamento é formado por 1.340 apartamentos distribuídos em 10 conjuntos de prédios e mais 120 unidades do Projeto Multissetorial Integrado (PMI). Nos lotes remanescentes, a prefeitura pretende construir de 200 a 250 casas, o que não tem prazo para ocorrer. A maioria das famílias veio de mais bairros mais carentes de Caxias e estava inscrita em programas habitacionais. Em março do ano passado, a então presidente Dilma Rousseff esteve na comunidade para entregar 320 novas unidades.


 

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