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Exemplo17/06/2017 | 08h00Atualizada em 17/06/2017 | 08h00

Costureiras do Sarandi unem cooperação e sustentabilidade em cadeia nacional de produção de roupas

Algodão orgânico é usado por trabalhadoras da Vila Nossa Senhora Aparecida na confecção de roupas, geração de emprego e renda 

Costureiras do Sarandi unem cooperação e sustentabilidade em cadeia nacional de produção de roupas Omar Freitas/Agencia RBS
Fábrica de roupas na Vila Nossa Senhora Aparecida Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

Da necessidade de emprego e renda para trabalhadoras da Vila Nossa Senhora Aparecida, no Bairro Sarandi, surgiu a Cooperativa de Costureiras Unidas Venceremos (Univens), que une economia solidária e atitude sustentável. Vinte e um anos depois da criação, a cooperativa que nasceu na Zona Norte de Porto Alegre com pouco capital de giro e praticamente sem maquinário criou uma cadeia produtiva que começa no plantio de algodão orgânico e vai até a comercialização de roupas, com parceiros nas cinco regiões do Brasil.

Trabalhar com algodão orgânico é o grande diferencial da cooperativa composta por 23 mulheres. A matéria-prima chegou em 2005, quando apenas 1% do tecido usado na fábrica era orgânico, percentual que hoje é de 30% a 40%. 

Parte das mulheres que fazem parte da Univens Foto: Omar Freitas / Agencia RBS


O algodão é produzido por cooperativas parceiras em Tauá, no Ceará e em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, enquanto cooperados de Pará de Minas, em Minas Gerais, fazem a fiação e a tecelagem do produto. O tecido, por fim, é transformado em confecção de roupas, com serigrafia, bordado e tingimento na Univens, em Porto Alegre. A cadeia conta ainda com sementes que viram botões e acessórios em Manaus. Toda esta rede forma a Justa Trama, que nasceu da Univens, e é composta por mais cinco cooperativas parceiras espalhadas pelo país.

A ambição de uma das fundadoras da cooperativa, Nelsa Inês Fabian Nespolo, é de que em pouco tempo todo o algodão manejado pelas mãos das cooperadas seja exclusivamente orgânico. Formada apenas por trabalhadoras da comunidade, a Univens se propõe a outro tipo de trabalho, com democracia nas decisões e foco na economia solidária.

— Nós começamos no salão de uma capela da vila, com 35 mulheres, e muitas desistiram. Queríamos algo que envolvesse economia solidária, que desse retorno para todas. Em 2005, recebemos o primeiro fio orgânico, que é um produto que tem outra lógica. Com esse negócio acho, que estamos fazendo nossa parte com o mundo.

Além da fábrica na Vila Nossa Senhora Aparecida, a Justa Trama têm pontos de venda no Centro de Porto Alegre e em Santana do Livramento, Porto Velho-RO e São Paulo. Participa de feiras alternativas, trabalha com encomendas e faz vendas pela internet no site www.justatrama.com.br. A nova coleção de roupas: "Moda que envolve: costureiras, artesãs e sustentabilidade" foi lançada no dia 3 de junho em um desfile na Redenção.

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"Jamais imaginaria que tomaria essa proporção"

Entre as trabalhadoras, o espírito é de colaboração e orgulho das peças que produzem. Isaurina Alzira da Silva, 74 anos, é uma das cooperadas que está desde o início. Antes de entrar na Univens, trabalhou em lavoura, em malharias e como doméstica. Nem nos seus melhores devaneios poderia imaginar que faria parte de uma cadeia nacional com produtos vendidos em todo país.

— Eu não me imaginava nem como costureira, imagina fazendo roupas para todo Brasil. É uma emoção, um orgulho. Jamais imaginaria que tomaria essa proporção. Adoro trabalhar aqui e tenho pena de pensar que, uma hora, terei que parar por causa da idade. 

Inaurina está desde a abertura da cooperativa, há 21 anos Foto: Omar Freitas / Agencia RBS


Devido à pouca escolaridade — cursou até o quarto ano do Ensino Fundamental — Isaurina diz que, no local, sempre se sentiu aceita e parte daquilo que ela faz. Sentimento bem parecido é descrito por Simone Gitorotto, 31 anos, que trabalha na serigrafia das peças. Há oito anos ela diz que se sente à vontade entre as colegas e até para agradar o cliente.

— O patrão, se ele manda baixar cabeça, tem que baixar. Aqui, tem conversa, diálogo, podemos expor as ideias. É um orgulho trabalhar com algodão orgânico que trata a roupa com uma lógica diferente, sem agredir o meio ambiente —argumenta. 

Simone: orgulho trabalhar com algodão orgânico Foto: Omar Freitas / Agencia RBS


Gislaine Silveira Martinez, 54 anos, estava desempregada após trabalhar na indústria quando conseguiu emprego na cooperativa.

 — Nunca tinha pensado em trabalhar em cooperativa. Tive medo, achei que fosse instável, mas arrisquei e estou aqui há dez anos.

Pela cooperativa, já viajou para São Paulo, Bahia e Santa Catarina. Para ela, o acolhimento é diferente e a visão de negócio também:

— Aqui a gente ouve música, conversa, o ambiente é bom _ conta ela, que faz costura e corte de tecidos. 

Para Gislaine, ambiente é bom de trabalhar Foto: Omar Freitas / Agencia RBS


Como funciona a Justa Trama
Justa Trama é uma rede composta por outras cinco organizações das cinco regiões do país. Cada uma é responsável por uma etapa da produção da produção do algodão à confecção das roupas.

Plantio do algodão: cooperativas em Tauá, no Ceará, e Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.
Fiação e tecelagem dos fios: em Pará de Minas, em Minas Gerais.
Confecção das peças: Porto Alegre.
Botões e acessórios: Manaus, no Amazonas. 

ONDE FICA EM PORTO ALEGRE
Justa Trama
– Endereço: Rua Afonso Paulo Feijó, 501. Sarandi, Porto Alegre
Telefone: (51) 3344-3454
– No momento, há duas vagas em aberto para mulheres do Bairro Sarandi, com experiência em costura.


 

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