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Mundo da gurizada09/06/2017 | 08h02Atualizada em 09/06/2017 | 16h39

Veja cinco passos para falar sobre crise financeira com as crianças

Antes de tudo, é importante dar aos filhos, desde pequenos, noções de educação financeira, e, para isso, naturalidade é palavra de ordem

Veja cinco passos para falar sobre crise financeira com as crianças ALEXANDRE OLIVEIRA/AGÊNCIA RBS
Foto: ALEXANDRE OLIVEIRA / AGÊNCIA RBS

Com a economia do país passando por um momento difícil, é dentro de casa que a crise financeira pega, e as famílias não têm outra opção a não ser apertar o cinto. Mas, muitas vezes, a criançada não entende o que isso significa, e os pais se sentem perdidos na hora de explicar por que não podem mais atender a todas as vontades dos pequenos. 

Mas afinal: como falar de crise com a gurizada? O primeiro passo é dar aos filhos, desde pequenos, noções de educação financeira, e, para isso, naturalidade é palavra de ordem, garante a diretora da IntusForma Educação Financeira, Ana Pregardier.

— Uma criança que cresce numa família que come legumes e verduras vai comer tudo isso de forma natural porque faz parte do dia a dia dela. O mesmo vale para educação financeira. A partir dos três anos, já se pode começar. Ler historinhas, propor joguinhos e brincadeiras com essa temática são ótimas opções. Há muitas ofertas pagas ou gratuitas na internet. Ela vai assimilar aquele conhecimento de forma subjetiva, mesmo que ela não verbalize. Não é ensinar matemática, são atitudes — orienta a especialista, que, a seguir, elenca quatro pontos fundamentais que toda criança deve saber para se tornar um adulto financeiramente consciente. 

1) SABER QUE OS RECURSOS SÃO FINITOS

A primeira coisa que ela tem que entender é que os recursos são finitos, ou seja, o dinheiro acaba. A criança tem que saber que a bolachinha de que ela gosta vai acabar e que a mãe não vai comprar tantos pacotes quantos ela queira.

2) ENTENDER A HIERARQUIA DAS NECESSIDADES

É importante ensinar aos filhos o que é necessário, importante e supérfluo.

— Necessário é aquilo que, se não tem, a gente morre. Para a criança, esse conceito é bem bacana porque é palpável e objetivo. Se a gente não morre, mas, ainda assim, precisa delas, são coisas importantes. E supérfluo é tudo que é bom mas que a gente só pode ter depois de ter garantido as outras coisas. 

3) APRENDER O CONCEITO DE ECONOMIZAR PARA COMPRAR

Até os cinco anos, é importante a criança já ter noção de juntar para comprar o que deseja, mesmo que ela não compreenda valores. E, aí, vale utilizar exercícios saudáveis para que ela viva isso na prática.

— Um dia, os pais pegam o dinheirinho dela e a levam até o lugar para comprar o que ela pediu. A criança tem que fazer a operação com a mãozinha dela, entregar o dinheiro para a vendedora, para entender a relação de pagar por aquilo que recebe. A experiência da compra, do pagamento, de tirar do bolso dela e ver a moça da loja levando as moedinhas dela para que ela tenha em mãos o que quer é importante.

Outra dica é para que os pais a façam questionar se a quantidade de dinheiro que ela tem é suficiente para pagar o que deseja. Se não der, os pais podem completar, mas devem explicar que, da próxima vez, ela precisa juntar mais um pouco para conseguir:

— Ela precisa saber que, em cada momento, terá de avaliar se pode ou não ganhar ou conseguir o que ela quer e na quantidade que ela quer. 

4) TER IDEIA CLARA DE MÉRITO DO DINHEIRO

Criança tem que saber que dinheiro não cai do céu, e tarefas simples podem estimular esse entendimento. 

— De acordo com a idade, pode ser sugerido coisas do tipo: junte dez pedrinhas de tamanho diferente, conte até dez sem errar. Cada tarefa vale uma quantia em dinheiro, que pode até ser um dinheirinho fictício. Pergunte aos maiores, por exemplo, quanto custa a sua escola por mês e quanto ele precisaria economizar para pagar. Ele entenderá o valor do dinheiro. É muito comum a gente dar as coisas, mas é importante ela ter a experiência de saber que comprou. É uma conquista para ela e, no futuro, vai fazer diferença para o adulto que ela vai ser. 

5) COMPREENDER O QUE SE FAZ DIANTE DA CRISE

Trate o tema crise financeira com tranquilidade e, acima de tudo, em linhas gerais, dentro da capacidade de compreensão da criança. De nada adianta, nem é saudável, assustar os filhos fazendo da crise um monstro que vai destruir a família.

— Converse de forma coerente e explique: esse mês, está mais difícil, vamos ter que mudar, fazer diferente, economizar mais. Diga que, com os recursos mais apertados, é preciso tirar de um lugar para colocar no outro, e oriente que ela faça escolhas como permanecer na escolinha de futebol ou manter a assinatura do canal a cabo preferido dela, por exemplo. Ela terá, assim, noção de planejamento.

Pais, cuidem do futuro dos seus filhos!

/// Um pai e uma mãe muito consumistas e materialistas vão passar isso para a criança. É importante que os filhos saibam o valor das coisas e quanto custam para serem adquiridas. 

/// O grande desafio dos pais é apresentar o ¿não¿ para a criança sem medo de frustrá-la. Dar alguma coisa para não passar vergonha por causa do choro do filho vai dificultar o desenvolvimento da criança e que ela entenda que nem tudo é imediato, que, primeiro, é preciso juntar para, depois, ter. 

/// Questões de dinheiro estão agregadas a questões de valores como trabalho, frustração, satisfação. É básico falar desses valores e da importância das coisas, apresentar o mundo a elas independentemente da idade.

/// Ao enfrentar uma crise financeira em casa, tem que ter muito cuidado para não gerar ansiedade e preocupação desnecessárias na criança. Para elas, é muito importante ter o pai e a mãe como referência de segurança e não vê-los desesperados. 

Fonte: Adriana Figueiredo, psicóloga especializada em infância e adolescência



 

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