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Às avessas27/06/2017 | 07h01Atualizada em 27/06/2017 | 07h01

Veja como alunos e professores de uma escola revolucionaram a tradicional festa de 15 anos

Com o mote do filme Cinderela, escola municipal de São Leopoldo quer desconstruir conceitos e propor debates e reflexão entre os estudantes

Veja como alunos e professores de uma escola revolucionaram a tradicional festa de 15 anos Bruno Alencastro/Agencia RBS
Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Professores e alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Paulo Beck, de São Leopoldo, decidiram virar do avesso um hábito comum para adolescentes prestes a completarem 15 anos. A tradicional festa com valsa e roupa de gala não será restrita apenas às meninas e dará lugar a uma série de debates e oficinas sobre gênero, machismo, sexualidade e valorização feminina. 

Lançado no dia 6 de junho e batizado de Nova Cinderela — Vivenciando Meus
15 anos, o projeto pretende desconstruir o conto de fadas mostrado em nova versão nos cinemas em 2015. A princesa delicada, frágil e sem autonomia da história foi um dos motes para a discussão sobre machismo e posição da mulher.

— O filme trata, literalmente, os papéis do homem e da mulher que, muitas vezes, viram uma forma de pensar. Do homem como alguém que sabe se defender e da mulher como dependente do homem. É isso que queremos discutir com eles — exemplifica a diretora Anette Maria Pafiadache. 

Baile

O encerramento do projeto ocorre em 28 de outubro, quando será realizado o baile Nova Cinderela, na Sociedade Ipiranga. Mas o foco não é pensar no modelo do vestido, no salto, na maquiagem e no cabelo das meninas, mas, sim, propor uma reflexão que fará a diferença no futuro dos jovens, incluindo os meninos. Participam do projeto 19 meninas e 19 meninos de 14 e 15 anos. A orientadora educacional, Andreia OIiveira, explica que a ideia é usar o filme para trabalhar novos conceitos: 

— Queremos fazer muito mais que um simples baile, queremos desconstruir toda a festa de 15 anos e falar de empoderamento com estes jovens.

Uma vez por semana, os estudantes têm oficinas sobre gênero, sexualidade, drogas e diversidade.

Já faz sentido

Entre os alunos, o debate parece já estar fazendo sentido. Eles admitem que ter a mente aberta e refletir sobre o próprio comportamento vale mais do que o baile:

— A festa é algo que vai passar, mas fazer as oficinas para aprender coisas novas é se preparar para a vida — argumenta Ana Julia Getsch, 14 anos, aluna do sexto ano. 

Aluno do nono ano, Kleberson Cardoso, 14 anos, não entende por que meninos e meninas não podem usar roupas de qualquer cor sem serem questionados por isso. 

— Por que só as meninas podem usar rosa, e os meninos têm que preferir o azul? — questiona.

Para os estudantes, é importante discutir racismo, falta de maturidade nas atitudes e bullying nas mais diversas ocasiões. Patrick Silva, 15 anos, do nono ano, entende que o limite de brincadeiras e piadas vai até o começo da insatisfação do outro. Emily dos Santos, 14 anos, admite que ouve piadas por estar acima do peso. Ao mesmo tempo, faz questão de frisar que não quer se enquadrar em qualquer estilo estético: 

— Tentam nos colocar dentro de um padrão que não existe. Isso é muito ruim. 

Para Vitória Gomes da Rosa, 14 anos, do sétimo ano, as meninas precisam de mais autoestima e valorização: 

— Mulher, mesmo se é solteira, se fica com mais de um menino saem espalhando coisas dela. Se homem faz isso, é totalmente normal. Menina sempre sofre mais por ser menina, o que não notam é que muitas coisas nos magoam. 

Para ajudar

/// Interessados em contribuir para o baile de Nova Cinderela podem entrar em contato com as professoras Anette e Andreia pelo telefone da escola: (51) 3592 3850.




 

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