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Seu bolso21/07/2017 | 18h41Atualizada em 21/07/2017 | 19h40

Postos contrariam previsão do governo e aumentam gasolina em até R$ 0,65

Ao contrário do que esperava Temer, população não compreendeu o aumento de preços: em Porto Alegre, pelo menos oito subiram mais do que o valor projetado 

Postos contrariam previsão do governo e aumentam gasolina em até R$ 0,65 Camilla Pereira/Agencia RBS
Em posto na Avenida Borges de Medeiros, gasolina comum a R$ 4,199 Foto: Camilla Pereira / Agencia RBS
Rádio Gaúcha e Erik Farina

erik.farina@zerohora.com.br

O aumento de impostos sobre o preço dos combustíveis, anunciado no final da tarde de quinta-feira pelo governo federal, foi repassado aos consumidores à mesma velocidade com a qual as bombas engolem centavos. Os porto-alegrenses que se dirigiam a seus compromissos pela manhã já deparavam com preço da gasolina comum que chegava a R$ 4,17 por litro na Zona Norte da Capital — gerando filas nos postos que mantinham o preço antigo e reclamações nos que atualizavam a tabela. A última pesquisa de preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 10 de julho, apontava preço médio da gasolina comum a R$ 3,599 em Porto Alegre.

— O gerente chegou há pouco e avisou que era pra trocar a placa. Já está mais caro — dizia um frentista de um dos postos pesquisados no início do dia pela reportagem.

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Para um povo que iria "compreender (o aumento), porque esse é um governo que não mente", nas palavras do presidente Michel Temer ao comentar o tarifaço, sobrou indignação.

Ficou difícil compreender por que a gasolina subiu tão rapidamente e de forma mais brusca do que pregava o governo — que projetava uma alta de R$ 0,41 centavos por litro, o que está longe de ser pouca coisa, já que traz um gasto adicional de quase R$ 17 quando se enche o tanque de um carro popular, com 40 litros.

— É um absurdo. Mais uma vez o povo pagando pelo estrago na nossa economia — lamentou a motorista Ivana Dias, que nesta sexta-feira (21) pela manhã iria abastecer em um dos postos onde houve reajuste na Capital, mas optou por procurar um preço menor.

O senso comum poderia sugerir que os postos esgotariam os estoques antes de repassar o aumento, já que o imposto incidiria sobre o combustível trazido da distribuidora a partir de sexta-feira, mas não foi o que ocorreu. De 20 postos pesquisados pela reportagem, com base nos preços levantados pela ANP no dia 10 de julho, em 14, o preço da gasolina comum já havia sido reajustado até 17h de sexta-feira. Oito deles subiram mais do que R$ 0,41.

Não tem razão

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no Rio Grande do Sul (Sulpetro), Adão Oliveira, justificou: embora o varejo seja obrigado, por lei, a manter um estoque de 72 horas, muitos estabelecimentos costumam repassar o aumento imediatamente, para reforçar o caixa para as novas encomendas.

— Se o posto vender o estoque pelo preço antigo e comprar da distribuidora pelo novo, quem vai cobrir a diferença? — defende Adão.

Para a surpresa dos motoristas, alguns comerciantes reajustaram o litro bem acima dos R$ 0,41 projetados pelo governo. Em um posto da bandeira Ipiranga na Avenida Borges de Medeiros, que até o último levantamento da ANP, em 10 de julho, cobrava R$ 3,549 pelo litro, a gasolina saltou para R$ 4,199, conforme pesquisa feita pela reportagem na tarde de sexta-feira — diferença de R$ 0,65. Nem o dono do posto nem o gerente atenderam a reportagem para explicar as razões.

Qualquer aumento acima dos R$ 0,41 sobre a gasolina dificilmente se justifica apenas sob a ótica tributária, explica o contador Egon Reinicke, que atende postos de combustíveis em Santa Cruz do Sul.

— Os postos trabalham sob o sistema de lucro real, então este aumento de PIS/Cofins não traz um efeito cascata com outros impostos. Ou seja, não há razão para a gasolina subir mais do que os R$ 0,41 — explica.

Resposta do consumidor deve ser estimular a concorrência

Um eventual abuso no reajuste pelos postos, na tentativa de lubrificar o lucro na onda de incerteza dos consumidores, entrou no radar do Procon de Porto Alegre. Ao longo do dia, o órgão de defesa do consumidor recebeu ligações e mensagens postadas em seu perfil do Facebook por cidadãos revoltados com aumentos que consideravam abusivos. As equipes foram às ruas para conferir de perto os novos valores, em uma pesquisa que será divulgada na segunda-feira no site da entidade. Aqueles que elevaram em demasia serão chamados a dar explicações.

— Iremos solicitar aos postos que entreguem recibos de compra de combustível para avaliar se há aumento abusivo — explica a diretora-executiva do Procon Porto Alegre, Sophia Martini Vial.

Se comprovados os casos, os postos poderão ser notificados e virar alvo de processos administrativos, que podem resultar em multa de R$ 800 a R$ 11 milhões. Consumidores podem denunciar aumentos exagerados pelos canais de atendimento do Procon (atendimento presencial ou pelas redes sociais do órgão).

— A melhor resposta que o consumidor pode dar neste momento é comparar preços e indicar nas redes sociais onde houve os maiores aumentos, pois isso irá estimular a concorrência — afirma Sophia.

Foi o que ocorreu com um posto no supermercado Atacadão em Sapucaia do Sul que, em meio à onda de preocupação dos consumidores, surpreendeu ao vender gasolina comum por R$ 3,05. A notícia se espalhou como marketing favorável nas redes sociais e pelo WhatsApp e, pouco depois das 16h, uma fila de quase cem carros se formava para aproveitar a gasolina barata.

 

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