Calcule se vale mais a pena ter carro com gasolina ou gás natural - Notícias - No Diário Gaúcho você encontra notícias do RS, informações de utilidade pública, muito entretenimento, além de conteúdos esportivos e jornalismo policial.

Versão mobile

Faça o teste22/08/2017 | 17h38Atualizada em 20/09/2017 | 17h03

Calcule se vale mais a pena ter carro com gasolina ou gás natural

Para quem usa muito o veículo, a economia pode valer a pena. Mas há pontos negativos que podem fazer o proprietário desistir da ideia. Faça o teste e confira se é um bom investimento para o seu caso

Com os recentes aumentos no preço da gasolina, cresce a chance de ficar mais vantajosa uma opção já adotada em quase 64 mil veículos no Rio Grande do Sul: a conversão para o gás natural veicular (GNV), que mantém a opção de se usar gasolina ou etanol no veículo. O número do Detran, de maio de 2017, representa menos de 1% do total da frota de veículos (6,7 milhões), mas vem crescendo desde janeiro de 2016, quando era de 61,5 mil.

Leia mais
Detran gaúcho autoriza cursos a distância para aulas teóricas de reciclagem
Preço do litro da gasolina comum em Porto Alegre está próximo dos R$ 4

– Sentimos, nos últimos anos, um acréscimo importante na demanda por GNV. Hoje, a economia em relação à gasolina fica entre 60% e 65% – afirma Carlos Augusto Curço Lima, gerente de Comercialização da Sulgás, empresa responsável pela venda e distribuição de gás natural no Estado.

Faça o teste abaixo para saber se vale a pena instalar GNV no seu carro. Se você não sabe o valor do metro cúbico do GNV, use o preço médio levantado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) entre 13 e 19 de agosto na Capital: R$ 2,59 – mesmo levantamento aponta que o litro da gasolina saía por R$ 3,90.

Quem roda mais

A vantagem de ter um veículo adaptado para o GNV é maior para quem roda mais. Esse proprietário terá de volta mais rapidamente os gastos com a conversão em forma de economia. Isso deve ser levado em conta na avaliação para saber se vale a pena ou não investir na adaptação. Com o custo da adaptação em torno de R$ 4,5 mil, o retorno do investimento pode vir em nove meses para quem anda 100km por dia, por exemplo. Para este motorista, a economia por mês com o gás natural pode ficar perto de R$ 500.

Mas quem olhar só para o bolso e para os preços nas bombas de gasolina na hora de decidir pode se arrepender. A opção traz consequências que precisam ser bem avaliadas. O cilindro de gás segue tirando espaço do porta-malas, problema a ser lembrado naquela viagem de férias. Subir uma lomba, por exemplo, pode ficar mais difícil porque há perda de potência no veículo. Mas a perda da garantia, entretanto, é a consequência mais relevante para os veículos novos.

– Há conversas em andamento com algumas concessionárias para avançarmos nisso, mas ainda nada certo. Para os veículos novos, a conversão para o GNV ainda provoca a perda da garantia de fábrica – alerta Lima.

Também não podem ficar longe da vista do proprietário as vistorias e taxas do Detran/RS. Como se trata de uma alteração das características do veículo, a mudança precisa ser antes autorizada pelo órgão de trânsito. E, depois de executada, o veículo deverá passar por nova revisão.

A melhor escolha para o bolso

Há quatro anos, o motorista executivo Leandro Laurino, 42 anos, morador da zona leste da Capital, optou pela conversão ao GNV. Mas a decisão não veio por usar o carro próprio para trabalhar. A motivação surgiu ao observar o quanto se gastava nos carros a gasolina em que atuava. Ele quis trazer essa vantagem para a vida pessoal. Quando a onda dos aplicativos de transporte nos smartphones chegou, ele percebeu que tinha a faca e o queijo na mão. Atualmente, roda pelo menos 200km por dia no seu Nissan Livina 1.6, carro que foi adaptado há dois meses. Antes, teve um Ford Fusion 2.3 que também circulava com gás natural.

– Abasteço quase todos os dias porque em Porto Alegre tem bastante posto, mas o gasto acaba sendo de no máximo R$ 30. Sei que seria muito mais se fosse com gasolina. Economizo tanto que não abasteci com gasolina desde o último aumento – conta Laurino.

Ele conta que, entre as mudanças percebidas, está a manutenção das velas de ignição, que ficou um pouco mais frequente, a cada 20 mil km. De resto, relata não sentir perda de potência por ter o kit de quinta geração.

Pergunta e respostas sobre o GNV

O que é GNV?
GNV é a sigla para Gás Natural Veicular. É o mesmo gás natural usado em residências, comércio e indústria (não confunda com o GLP, o gás de cozinha), mas aplicado sob alta pressão em veículos através de cilindros especiais. É um combustível alternativo.

É seguro?
Se for realizada a instalação adequada, sim. Os cilindros de armazenamento são muito mais resistentes do que botijões, tornando praticamente nula a chance de vazamento.

Qual é a economia na hora de abastecer?
Com os preços atuais, pode chegar a 65% em relação à gasolina e a 75% em relação ao etanol. Abastecendo R$ 20 de GNV, é possível rodar cerca de 100km, quase o dobro do que se roda abastecendo com gasolina.

Quanto custa fazer a conversão?
Usando como referência o kit mais atual, de quinta geração, o valor para fazer a conversão fica em torno de R$ 4,5 mil. Mas, de acordo com o tipo de veículo, esse custo pode ser um pouco maior ou menor. Não se esqueça das taxas do Detran.

Há outros benefícios além da economia?
A combustão do GNV tem baixíssimo nível de resíduos, o que aumenta a vida útil do carro. Também é mais seguro porque, durante o abastecimento, o gás não entra em contato com o ar, evitando risco de explosão. O GNV é 100% puro, sem risco de sofrer adulteração.

Em quanto tempo se tem o investimento de volta?
Varia de acordo com o uso do veículo. Quem circula mais verá o investimento voltar mais rápido. Para um automóvel que percorre em torno de 100km por dia (equivalente a 3 mil km por mês), esse investimento pode ser pago em até nove meses. Dependendo da oficina instaladora escolhida, pode-se parcelar o pagamento.

Onde se faz a conversão para GNV?
O consumidor deve escolher somente as instaladoras homologadas pelo Inmetro, lista que pode ser conferida neste site. Além disso, a Sulgás possui programa de certificação de instaladoras, chamado Instaladora Nota 10. A lista das empresas que participam desse programa está neste link.

Antes de decidir, confira os pontos negativos:
- Mesmo com avanços na tecnologia do kit de quinta geração, ainda há perda de potência nos carros com o GNV. Essa perda é mais sensível nos veículos de menor potência.
- A perda de espaço para bagagem por conta da instalação do cilindro precisa ser levada em consideração. Em alguns veículos, como a Chevrolet Spin, a questão foi resolvida com a instalação do kit embaixo do veículo.
- Péssima notícia para donos de veículos novos: mesmo com certificado do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), a conversão faz o veículo perder a garantia da montadora. Discussões estão em andamento com algumas concessionárias para reverter isso, mas não há prazo para avanço.
- É preciso lembrar que o GNV não é encontrado em todos os postos de combustíveis. Isso exige mais planejamento na hora de abastecer. Segundo a Sulgás, há 83 postos oferecendo o gás em 29 cidades gaúchas.
- Deve-se levar em conta a documentação necessária junto ao Detran/RS, porque se trata de uma alteração das características do carro. O dono deve levar o veículo para vistorias no órgão e nada é de graça. Para um veículo de passeio com até 15 anos de fabricação, as taxas junto ao Detran custam cerca de R$ 470.

O passo a passo da conversão:
- Solicitar em um Centro de Registro de Veículos Automotores (CRVA) a autorização para alterar combustível.
- Encaminhar o veículo para adaptação em oficina credenciada junto ao Inmetro.
- Após convertido, o veículo deve ser inspecionado em organismo de inspeção credenciado pelo Inmetro, com a autorização do Detran, a nota fiscal do serviço e o Atestado de Qualidade do Instalador Registrado para a obtenção do Certificado de Segurança Veicular (CSV).
- De posse do CSV e da nota fiscal do equipamento, deverá reapresentar o veículo no CRVA para o registro da alteração do combustível.
- Registrada a alteração de combustível, o proprietário retornará ao organismo de inspeção para colocação, no pára-brisa, do selo que permitirá o abastecimento.

Fontes: Detran/RS e Sulgás

 

Vídeos recomendados para você

 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros