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Educação14/08/2017 | 10h39Atualizada em 14/08/2017 | 10h39

Cinema produzido com celular une alunos de escola pública de Canoas

Professora de Espanhol aproximou alunos e professores na produção de curtas-metragens sobre temas das aulas que serão exibidos nesta semana

Cinema produzido com celular une alunos de escola pública de Canoas Tadeu Vilani/Agencia RBS
Alunos produziram os próprios filmes Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Acostumados a manter os olhos mais atentos ao celular do que ao quadro da sala de aula, estudantes da Escola Estadual de Ensino Médio Bento Gonçalves, do bairro Mathias Velho, em Canoas, receberam uma tarefa que uniu o útil ao agradável. Desafiados pela professora de Espanhol, Sandra Kilian, e por mestres de outras sete disciplinas, eles estão produzindo curtas-metragens abrangendo temas de diferentes disciplinas. As filmagens e a edição dos curtas de até 50 minutos serão feitas com os próprios aparelhos dos estudantes.

— A sala de aula é um enorme desafio em tempos de tecnologia. Muitas vezes, perdemos o aluno para o celular,para a rede social e seus inúmeros atrativos.Então, veio a ideia de prender a atenção do meu educando de uma forma que lhe fosse prazerosa — explica Sandra, que chegou à escola no início do ano

Apaixonada pelas artes, em especial o cinema, Sandra provocou os demais professores a pensarem possibilidades que pudessem ser encaixadas num único filme. Com um detalhe:o curta seria todo em espanhol. A proposta foi aceita de imediato pela direção.Da química, veio o tema alquimia. Das Artes, as questões de cenário e figurino.Da Matemática,a contabilidade. Da Literatura, a releitura dos clássicos de Machado de Assis. Da Geografia, a localização. Da História, tópicos que lembrassem a cultura espanhola. Do técnico em administração,temas abordando a questão do trabalho.

— Nossa única exigência foi que tivesse aprendizado somado ao que poderia ser apenas uma diversão.Com o tempo, vimoso engajamento dos estudantes, das próprias famílias e a aprendizagem acontecendo – conta,animada, a diretora Cristina Schwahn.

Cenários são na própria escola Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Empolgação
Dos 1,5 mil alunos do Ensino Médio e do técnico, 700 estão participando da atividade. Destes,apenas 30 optaram pela avaliação comprova em sala de aula.Os demais dividiram-se em duplas ou grupos de até dez integrantes.Mas Thyerry Lazzarotto,17 anos, do terceiro ano, foi além: contou com a ajuda da mãe, a motorista Andréa Lazzarotto, 46 anos,para costurar os figurinos de personagens que serão incluídos no filme produzido por ele e pelo colega Eduardo Alves, 17. Vestido de Dorothy, de O Mágicode Oz, Thyerry promete um curta-metragem para além das paredes da escola.A mãe celebra a animação do filho:– A empolgação dele envolveu toda a família.Estamos dando todo o apoio porque vemos que ele está feliz como desafio.

— Pesquisamos muito para criarmos algo diferente.Mesmo sem muito conhecimento de vídeo,acho que vamos fazer algo bem legal –conta Thyerry.

Família apoiou Thyerry (D) na produção do filme Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

A apresentação das obras ocorrerá hoje, apenas para cada turma envolvida.Mas a direção estuda a possibilidade de realizar uma mostra aberta até o final do semestre. E os alunos têm se esforçado para produzir filmes com relevância.A biblioteca foi o cenário proposto por Ana Julia Machado,16 anos, Bruna Petter, 16, Taíssa Marques, 17, e Everton da Silva Gervásio, 18, colegas do segundo ano.Ana Julia e Bruna se tornaram roteiristas e diretoras, enquanto Everton e Taíssa serão os atores.

— Saímos do contexto livro e caderno e vamos para algo inovador. Está sendo um trabalho muito especial! – afirma Ana Julia.

Bruna reforça:

— Foi o trabalho mais diferente que já fiz. Estou adorando!

— Descobrimos o gosto pelo cinema — completa Taíssa.

Trabalho uniu a comunidade escolar Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

¿Despacito¿

Para Sandra,ver os alunos pesquisando, criando,ensaiando as falas em espanhol já é uma vitória.

— Penso que,mesmo que ¿despacito¿(devagarinho), consegui prender a atenção do meu aluno. A tecnologia jamais irá substituir meu papel, mas pode, com toda a certeza, torná-lo mais atrativo — resume a professora.





 

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