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Dia dos Pais12/08/2017 | 07h01Atualizada em 12/08/2017 | 07h01

Conheça a história do paizão que dedica a vida a fazer o bem por uma aldeia de filhos no Sarandi

Eneas Palmeira, 41 anos, é gestor de instituição que atende a 46 crianças em situação de vulnerabilidade social

Conheça a história do paizão que dedica a vida a fazer o bem por uma aldeia de filhos no Sarandi Omar Freitas/Agencia RBS
Gurizada da Aldeia Infantil SOS é uma extensão da família de Eneas Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

No fim de semana de celebração do Dia dos Pais, um cara calmo, de fala mansa e simpático terá motivos de sobra para comemorar e receber homenagens. Mais de 40 homenagens, para ser exato. É no Bairro Sarandi, na Zona Norte da Capital, em um terreno de cerca de 15 mil metros quadrados, que Eneas Palmeira, 41 anos, exerce a função que mais lhe dá prazer na vida: ele é o paizão de 46 crianças e adolescentes que moram na sede da Aldeia Infantil SOS, instituição da qual ele é gestor. 

Eneas, formado em Filosofia, começou a trabalhar na entidade há cerca de
18 anos, por acaso, em Santa Maria, cidade onde nasceu. De lá para cá, passou por São Paulo, Rio de Janeiro e voltou a fixar residência no Rio Grande do Sul há cerca de cinco anos. Sempre trabalhando no meio, com crianças e adolescentes em situação de risco.

— Como dizem, é uma cachaça, um vício. Depois que começa, não consegue mais parar — admite Eneas.

Em 2012, assumiu não só a gestão do local, mas também o papel de pai dessa galera toda, isso sem contar os seus dois filhos biológicos, Afonso, nove anos, e Artur, 11. Ao lado deles e da mulher, Marlise, 42 anos, ele mora no local e é a única referência masculina que os moradores têm — cada casa, com até oito moradores, tem uma "mãe social", também funcionária da entidade. 

O desafio de Eneas é quase do tamanho da sede da Aldeia, pela complexidade dos casos que ali chegam:

— Eu diria que a grande dificuldade é resgatar a autoestima deles. E tento mostrar que eles têm condições de ser protagonistas e vencer na vida.

No local, as crianças realizam atividades como capoeira e futebol, mas a maior parte do tempo livre é usado para diversão e para o convívio entre elas, que reaprendem a ter uma família. Escola e atividades esportivas são realizadas fora dali, assim como a terapia. 

Eneas salienta que a sua postura tem que misturar sensibilidade e firmeza:

— Tu tens que mostrar que está ali com firmeza, mas ajudando. Quem entra numa área dessas tem que que estar aberto para mudanças.

Família e trabalho, tudo junto

Afonso e Arthur dividem o pai com dezenas de meninos e meninas do abrigo Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

Com trabalho e moradia no mesmo local, Eneas tem que dividir suas atenções entre os moradores da Aldeia e sua família. E é justamente aí, em uma situação que poderia gerar problemas, que surge o lado ainda mais paizão de Eneas.
A esposa, que trabalha fora, vê a rotina de casa interrompida para que ele resolva questões de algum morador. Mas Marlise entende e respeita a paixão do marido pelo trabalho.

— Têm vezes que ela me fala: "Não conseguimos tomar um café juntos". Mas sabe que me realizo aqui. Toda vez que vejo o resultado do meu trabalho, qaundo alguma das crianças ou adolescentes vai para a frente, digo que valeu a pena — conta Eneas.

Compreensivo, ele sabe que a proximidade de datas especiais, como o Dia dos Pais e o Dia das Mães, deixam a gurizada mais sensíveis:

— A gente fica mais atento. Eles acabam sentindo mais, ficando mais agitados, o que nos demanda trabalhar de madrugada, por exemplo, para tranquilizá-los.

Mesmo sabendo que tem um papel fundamental no desenvolvimento dos jovens que ali estão, Eneas é generoso, como todo o pai.

— Aprendo muito com eles, vivo de maneira diferente aqui — afirma ele, que não se imagina trabalhando em outra área.

Orgulho da galera

Entre tantas histórias de vida difíceis, a superação de alguns moradores da Aldeia emociona Eneas. Uma delas é a da dupla Karen e Ingrid, ambas de
15 anos. Neste mês, as duas participarão de um evento sobre empoderamento feminino, em Brasília.

— Quero levar as experiências das meninas daqui para dividir com o pessoal de lá. Estou ansiosa — diz Karen.

A Aldeia SOS em Porto Alegre e no mundo

/// A organização Aldeias Infantis SOS foi fundada em 1949, na Áustria, depois do fim da Segunda Guerra Mundial, que havia deixado danos materiais e emocionais em milhares de crianças que tinham perdido suas famílias e casas.

/// Atualmente, mais de 73 mil crianças, adolescentes e jovens são acolhidos em todos os continentes.

/// Em Porto Alegre, a Aldeia SOS foi fundada em 1967, a primeira do país. 

/// No local, trabalham 25 funcionários.

/// Os moradores da casa são enviados pelo Juizado da Infância e da Juventude.

/// Desde 2009, por conta de uma alteração na lei de adoção, existe um prazo máximo de dois anos para a permanência de crianças em abrigos, sem que elas estejam disponíveis para adoção. A partir desse tempo, as crianças entram no cadastro de adoção, independentemente da permissão dos pais biológicos ou responsáveis. No entanto, a prioridade fica para os parentes da criança. 

/// Antes da mudança na lei, de acordo com Eneas, algumas ficavam até dez anos no local.


 

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