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Solidariedade28/08/2017 | 07h00Atualizada em 31/08/2017 | 10h27

No Dia Nacional do Voluntariado, veja histórias de quem se dedica ao próximo e saiba como ser voluntário

Pesquisa aponta que 11% de brasileiros participam ativamente de trabalhos voluntários no país

No Dia Nacional do Voluntariado, veja histórias de quem se dedica ao próximo e saiba como ser voluntário Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Impossível fazer um convite à dona de casa Nilza Nunes, 81 anos, de Canoas, para uma tarde de quarta-feira. A sua agenda deste dia, entre 14h e 18h, já tem reserva irrevogável: a voluntária mais antiga ainda em atividade na Legião da Boa Vontade (LBV), em Porto Alegre, dedica-se à entidade de assistência social. 

Há 30 anos, a rotina da senhora sempre disposta a repassar uma mensagem positiva ao próximo ganhou novo sentido. Na época, ela e o marido, o metalúrgico aposentado Rosalino Severo Nunes, 82 anos, foram convidados por amigos a fazer parte da equipe que distribuía sopa nas vilas carentes da Capital. E o que era para ser apenas uma atividade extra tornou-se propósito de vida. Hoje, ela ensina pintura em tecido, bordado e colagens a mulheres.

— Ajudar a família é um dever, mas estender a mão a um desconhecido é gratificante. Vi que os meus problemas eram nada perto dos de outras tantas pessoas. Passei a me sentir útil ao próximo — explica Nilza.

Ela faz parte dos 11% de brasileiros que participam ativamente de trabalhos voluntários no país, segundo a pesquisa Opinião do Brasileiro sobre o Voluntariado, da Fundação Itaú Social em parceria com o Datafolha, que entrevistou 2.024 pessoas de 135 municípios do Brasil, em 2014. A falta de tempo e a dificuldade de encontrar informações são as principais justificativas para o ainda pequeno número de voluntários. 

Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Nilza levou anos até escolher a LBV para ser voluntária. Primeiro, foi preciso conhecer o trabalho da entidade e achar espaço nas horas do casal: 

— Fico a semana esperando pela quarta. Minha alma se revigora. Estou ajudando não para me sentir melhor, mas porque vejo que tem alguém precisando do meu carinho.

Impulso para recomeçar

Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

A arquiteta Camila D'agostin, 39 anos, de Porto Alegre, encontrou no voluntariado uma forma de recomeçar depois de sofrer um sequestro-relâmpago no ano passado. 

— Os assaltantes eram muito jovens. Pensei como poderia ajudar a diminuir a violência. Então, decidi que me tornaria voluntária em projetos sociais que atendessem crianças carentes — conta. 

Em outubro de 2016, Camila fez o curso do Programa Sesc de Voluntariado. Desde maio, trabalha uma vez por semana no brechó comunitário do Centro Diaconal Evangélico Luterano, que atende crianças em situação de vulnerabilidade social. 

Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

Por gostar tanto da experiência, Camila está começando a atuar diretamente com os pequenos da instituição, seja na horta comunitária ou na hora das brincadeiras. Na semana, ela ainda encontra espaço para visitar crianças internadas num hospital da cidade. 

O entusiasmo da arquiteta contagiou familiares, que viraram voluntários também.

— Parei de reclamar e de ter dores. A vida é uma maravilha e, se cada um estender a mão aos que precisam, ela pode ser ainda melhor — garante, convicta, Camila. 

O que diz a pesquisa

/// O desejo de ajudar o próximo é a principal motivação para os brasileiros se tornarem voluntários. Entre as pessoas que já participaram alguma vez de uma atividade voluntária, 55% declaram ter sido por solidariedade e 17% pela satisfação pessoal. Os dados são da pesquisa Opinião do brasileiro sobre o voluntariado, da Fundação Itaú Social em parceria com o Datafolha. 

/// Entre o público que nunca atuou como voluntário, a disposição em ajudar também aparece como maior motivador para engajamentos futuros, com 38% por solidariedade e 5% por satisfação pessoal. Neste recorte, destacam-se ainda a atuação condicionada à realização de uma atividade específica (12%) e à maior disponibilidade de tempo (6%). 

 /// Em relação ao tipo de atividade, as ações de saúde estão em primeiro lugar, com 31% da preferência dos brasileiros. Em seguida surgem educação (24%), doação de sangue (22%), proteção animal (22%) e atividades esportivas (20%). 

/// O estudo demonstra, entretanto, que o brasileiro ainda tem pouco envolvimento com ações sociais. De acordo com a pesquisa, apenas 28% da população declara já ter participado de atividade voluntária e destes, somente 11% permanecem atuando. A falta de tempo e a dificuldade de encontrar informações são as principais justificativas. 

Como ser um voluntário

/// O Programa de Voluntariado Avesol/PUC-RS recebe inscrições, no link bit.ly/2xprOTH, até 1º de setembro. Podem participar alunos, professores, técnicos administrativos e diplomados da PUC-RS.

/// No dia 9 do mesmo mês, ocorre o encontro de apresentação do projeto. Na ocasião, serão apresentadas as instituições onde os voluntários podem atuar, a documentação necessária e o processo do voluntariado no geral. 

/// A ida ao encontro é obrigatória. Será na sala 601 do prédio 40 do Campus (Avenida Ipiranga, 6.681), das 14h às 16h15min. O programa é promovido pelo Centro de Pastoral e Solidariedade da PUC-RS. Informações pelo telefone (51) 3320-3576.

/// A ong Parceiros Voluntários recebe interessados. Todos os voluntários passam por uma Reunião de Conscientização gratuita para qualificar esse voluntário. Informações em parceirosvoluntarios.org.br.

/// O Programa Sesc de Voluntariado oferece curso com carga horária de 20h, com prática e visita de vivência prática de trabalho voluntário. Ao final da capacitação, após a entrevista individual, o aluno é encaminhado à entidade social onde deseja desenvolver seu trabalho voluntário. Mais informações pelo telefone (51) 3224-0538 e pelo site www.sesc-rs.com.br/acaosocial/voluntariado.php.

/// A Legião da Boa Vontade (LBV) aceita novos voluntários para diferentes atividades. Mais informações no site www.lbv.org.


 

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