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Doce desafio17/10/2017 | 07h00Atualizada em 17/10/2017 | 07h00

Casal vende trufas em parada de ônibus para pagar casamento 

Casal vende trufas na Zona Norte com o objetivo de pagar o casório. Com receita aprendida na internet, eles fazem sucesso nos arredores de faculdade.

Casal vende trufas em parada de ônibus para pagar casamento  Jeniffer Gularte/Agênciua RBS
Ana Cristina e Douglas começaram a vender trufas em março na Avenida Manoel Elias, na Zona Norte da Capital Foto: Jeniffer Gularte / Agênciua RBS

Há sete meses, a auxiliar de serviços Ana Cristina Dias, 28 anos, e o pedreiro Douglas Ribeiro, 28 anos, venceram a timidez para vender trufas nas paradas de ônibus da saída da Faculdade Porto-Alegrense (Fapa), na Avenida Manoel Elias, no bairro Mario Quintana, na Zona Norte de Porto Alegre. O acanhamento, aliás, só atrapalhou o primeiro dia. Hoje, é difícil alguém fazer pouco caso para o objetivo do casal, escrito no cartaz que Douglas carrega, enquanto Ana Cristina segura a cesta de doces: "Nos ajude a casar".

Juntos há dez anos, o casal começou a empreitada em março deste anos, quando Douglas pediu Ana Cristina em casamento. Pega de surpresa, ela teve a ideia de vender trufas inspirada em um casal de Gravataí, que fez o mesmo para financiar o próprio casamento. Sem medo de errar, a noiva começou a preparar um doce que jamais haviam feito com base em receitas da internet. Hoje, eles vendem trufas a R$ 2,50 e minitortas a R$ 3,50 na Avenida Manoel Elias, para a vizinhança e colegas de trabalho. E aceitam encomendas.

Ana Cristina e Douglas têm quatro filhos _ três meninos, de dez, oito e um ano e nove meses, e uma menina de cinco anos _, trabalham o dia inteiro e fazem e vendem as trufas à noite, no tempo que sobra. O sucesso dos doces logo os incentivou a começar a fazer minitortas de maracujá, brigadeiro, coco, morango e limão. No Dia das Mães, o casal rifou uma cesta de café da manhã e na Páscoa venderam cestas de chocolate sob encomenda. 

As vendas de doces só não deslancharam mais devido à violência da região onde vivem. O aumento da criminalidade forçou o casal a trocar o horário de venda da saída aulas da Fapa, entre 21h e 22h, para o início, entre 18h30min e 19h, horário em que a venda costuma ser menor. 

— Já chegamos a vender 50 trufas em 20, 25 minutos — comenta Douglas. 

Remarcado duas vezes
Feito em março, o convite para o casamento partiu de Douglas quando ele estava viajando a trabalho, logo após uma crise no relacionamento dos dois: 

— No começo, éramos muito crianças. Logo, vieram os filhos e não tínhamos condições — diz ele.

O casamento _ no civil e na igreja _ será no dia 26 de maio do ano que vem. Data que já foi remarcada duas vezes por falta de recursos do casal que, agora, está confiante em realizar o sonho no dia do aniversário de Ana Cristina:

— Chegamos a marcar para 10 de agosto e depois para 14 de outubro. Remarcamos porque faltava dinheiro — lembra ela. 

Empolgado com o momento que vive, o casal não parece se importar em dedicar as poucas horas de descanso à renda extra:

— Sem sacrifício, a gente não consegue nada — sentencia Douglas. 

Ana Cristina Dias e Douglas Ribeiro vendem trufas desde março para pagar o casamento, que já foi adiado três vezes.
Unidos na cozinha para bancar o casamentoFoto: Jeniffer Gularte / Agênciua RBS

Pequenas conquistas
Em sete meses de vendas de trufas, o dinheiro extra já ajudou o casal a reservar o salão da festa, pagar parte da decoração, comprar os vestidos da noiva e da daminha de honra e a pagar confecção dos convites. Para bancar as todas despesas, calculam que seja necessário arrecadar mais R$ 9 mil nos sete meses que faltam para o casamento. A lista de convidados, incluindo familiares e amigos e parentes do Interior, já tem 230 nomes. 

— Eu nunca tinha feito trufas na minha vida. Fiz as primeiras vezes em casa, todo mundo gostou, vendi para a vizinhança e decidimos ir vender na saída da Fapa — lembra Ana Cristina que faz o doce nos sabores de maracujá, morango, prestígio, limão e brigadeiro de panela. 

— Alguns nem olham para a nossa cara, mas a maioria nos dá atenção e pega simpatia pela gente. Já teve até quem pediu pra tirar foto  — conta Douglas. 


 

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