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Direto da redação25/10/2017 | 14h58Atualizada em 25/10/2017 | 15h00

Felipe Bortolanza: "A lição na nota de R$ 2"

Recomecei a acreditar que a humanidade tem jeito. Graças a uma notícia que me comoveu tanto que tive de segurar as lágrimas e firmar a voz ao contá- la para meus colegas aqui na redação. O fato ocorreu dias atrás. Vou narrar o episódio como se fosse uma peça de teatro. Mas a história é real. Começa triste, dramática e acaba de forma tão surpreendente que, arrisco dizer, nem o melhor novelista seria capaz de escrever. 

O palco: Um casa na periferia da pequena cidade de Santo Antônio da Platina, no norte do Paraná. 

O protagonista: Um menino com cerca de cinco anos. 

O vilão/ herói: João Cândido da Silva Neto, 57 anos, funcionário da Companhia Paranaense de Energia. 

A missão de João, de manhã: Cortar a luz da residência por não pagamento. 

O pedido: Após a ingrata missão, João é abordado pelo menino, que pede R$ 1. Comovido, o funcionário estende uma nota de R$ 5: “É pra dividir com seus irmãozinhos!”. “Pode deixar”, respondeu a criança. 

A surpresa: 

À tarde, a família conseguiu pagar a conta. Então, João foi avisado pela empresa e voltou para religar a luz. A partir deste ato, quem narra é João, que assim postou em seu facebook: “ Eu tinha o dever de devolver luz para aquela criançadinha. Era, pra mim, o momento da redenção. Ao ouvir o barulho da camionete, todos saíram eufóricos. O menino veio até mim e disse todo alegrinho: ‘ Ainda bem que você veio!’. Pensei que estivesse feliz pela luz. Só que não. Ele abriu sua mãozinha suja e suada e exclamou: ‘ Toma seu troco!’”. 

A lição mais linda do mundo: 

O menino tinha uma nota de R$ 2 na mão. Como ele pediu R$ 1, tem dois irmãos e ganhou R$ 5, sobraram R$ 2! Dentro de seu coração infantil, pulsou mais forte a honestidade. Mesmo diante de um ambiente de pobreza, prevaleceu a riqueza de sua educação. 

Enquanto vertem milhões de reais em apartamentos, malas e cuecas de corruptos, no mesmo Brasil, brotou uma nota de R$ 2 de uma mãozinha que conheceu cedo as agruras de viver num país injusto e de políticas podres. 

Que esta história, a mais linda com que deparei nos últimos tempos, sirva de lição para todos os que acham legal ser malandro e levar vantagem em qualquer situação. 

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