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Excesso de trabalho05/10/2017 | 19h59Atualizada em 05/10/2017 | 20h11

Jornalista japonesa morre depois de acumular 159 horas extras em um mês

Miwa Sado, de 31 anos, cobria eleições no país para rede pública de televisão

 

Miwa Sado
A emissora alegou só ter revelado a morte agora por respeito à família Foto: Reprodução / Reprodução

Uma jornalista de 31 anos morreu depois de fazer 159 horas extras de trabalho. Miwa Sado, que folgou apenas dois dias no mês que antecedeu a sua morte, sofreu uma falência cardíaca. Ela trabalhava na sede em Tokyo da emissora pública japonesa NHK.

O fato aconteceu três dias depois de Miwa cobrir as eleições da assembleia da região metropolitana de Tóquio e as eleições para a câmara alta do parlamento japonês, entre junho e julho de 2013. Só nesta quarta-feira o caso foi tornado público, quando a agência de notícias japonesa Kyodo News divulgou.

A NHK alegou só ter revelado a morte agora por respeito à família Sado. A revelação foi feita por um representante da emissora em entrevista ao jornal Japan Times.

O jornal inglês The Guardian afirmou que a morte de Miwa Sado pressionou ainda mais as autoridades japonesas a agirem contra os empregadores que exigem tanto dos funcionários. Historicamente, o Japão é um país onde o equilíbrio entre vida pessoal e laboral praticamente não existe. O elevado número de mortes relacionado a questões trabalhistas é preocupante.

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Problema cultural

No Japão, há inclusive um termo para a morte por excesso de trabalho: Karoshi, palavra que surgiu na década de 1970. Segundo um artigo publicado na revista International Journal of Health Services, em 1997, o primeiro caso identificado aconteceu em 1969. O número de casos semelhantes nas décadas seguintes foi tão alto que o termo foi criado. No final da década de 1980, a expressão já era usual na sociedade japonesa.

Caso de 2015 mudou leis

Em 2015, outra morte por excesso de trabalho veio à tona no Japão. Matsuri Takahashi, de 24 anos, se suicidou devido ao stress causado pela alta carga horária que precisava cumprir. Nas semanas antes da jovem falecer, ela tinha chegado a mais de 100 horas extras.

O caso de Takahashi desencadeou um debate nacional. O primeiro-ministro Shinzo Abe se viu obrigado a debater sobre a rígida cultura de trabalho japonesa, que privilegia os funcionários que mostram dedicação ao permanecer no local de trabalho para além do horário estipulado.

Pouco tempo depois de Matsuri Takahashi falecer, o governo propôs um limite fixo para as horas extras, que não poderão passar de 100, e introduziu penalizações para as empresas que deixem os funcionários ultrapassarem esta barreira. As medidas ainda não são ideias, e críticos apontaram que as propostas continuavam a deixar os trabalhadores em risco.

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