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Região Metropolitana15/11/2017 | 07h00Atualizada em 15/11/2017 | 07h00

Jacarés em lagoa de Gravataí causam alvoroço entre moradores

Animais foram vistos há uma semana. Prefeitura já tentou capturá-los cinco vezes

Jacarés em lagoa de Gravataí causam alvoroço entre moradores Carlos Macedo/Agencia RBS
Vizinhas do Bairro Caça e Pesca foram as primeiras a ver o réptil Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Há uma semana, a aparição de dois jacarés em uma lagoa do Bairro Caça e Pesca, em Gravataí, está gerando alvoroço entre os moradores. Com Corpo de Bombeiros e Guarda Municipal, a prefeitura já fez cinco tentativas de captura — hoje fará a sexta — enquanto os vizinhos simpatizam, cuidam — e até fazem poesia — para o réptil.

A primeira a identificá-los foi a dona de uma lavagem de carros, Soila Adriana Silva Carvalho, 46 anos. Ela flagrou o bicho enquanto tomava chimarrão com outra vizinha: 

— Estava na frente de casa e eu vi aquela coisa dentro d'água. De longe, cheguei a achar que fosse uma tartaruga, porque ele fica só com a cabeça pra fora d'água. Nunca tinha visto um jacaré. Não acreditei quando vi, saí correndo e chamei todo mundo para ver o bicho — lembra. 

Jacaré apareceu em lagoa em Gravataí, no Bairro Caça e Pesca
Animal está em uma lagoa no Bairro Caça e PescaFoto: Divulgação / Prefeitura de Gravataí

Assim que foi identificado, a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Famma) foi contatada pelos moradores. De acordo com o diretor-presidente da Famma, Jackson Muller, um deles tem 1,5 metro de comprimento, enquanto o menor tem de 60 a 70 centímetros. 

E se engana quem pensa que o bicho está amedrontando os moradores. Pelo contrário:

— Acabou virando quase um bicho de estimação. Daqui, a gente fica monitorando. Ele é coisa mais linda, precisa ver ele caçando... Isso é uma novidade pra nós. Quando mais nova, cansei de tomar banho nessa lagoa. Nunca vi nada igual — comenta a babá Evanice Lebkuchen Moura, 34 anos.

A simpatia pelo bicho não é à toa. Segundo Jackson, ele não oferece risco aos moradores — que estão sendo orientados desde que o réptil foi identificado — desde que eles não entrem na lagoa, onde não é permitido banho. 

— Daqui, conseguimos ficar cuidando dele. No sábado, ele comeu cinco marrecos. E também ficamos de olho para crianças e cachorros não se aproximarem da água — conta a dona de casa Ivone Terezinha Carvalho, 69 anos. 

O reciclador e escritor Catarino Brum Pereira, 67 anos, simpatizou tanto com o animal que até poesia já fez para ele:

— Já ficamos amigos do jacaré.

Mesmo assim, teme que seu cavalo leve a pior enquanto toma água na beira da lagoa e come pasto das redondezas: 

— Não vou tirar o cavalo daqui, ele já está acostumado. Mas claro que eu me preocupo — diz Catarino, enquanto observa seu animal.

Poesia do seu Catarino:
"Jacaré está na lagoa.
Nem por isso perdeu o sono.
Já ganhou várias batalhas
E ainda continua o dono."

 GRAVATAÍ, RS, BRASIL, 13/11/2017 - Jacaré no Bairro Parque dos Anjos, em Gravataí. Catarina Brum Pereira, reciclador, 67 anos, cuida seu cavalo. (FOTOGRAFO: CARLOS MACEDO / AGENCIA RBS)
Seu Catarino já fez até poesia para os jacarés, mas teme pela segurança do seu cavaloFoto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Prefeitura quer devolvê-lo ao Rio Gravataí
Desde a identificação dos animais, na terça-feira da semana passada, já ocorreram cinco tentativas de captura dos dois répteis com ajuda do Corpo de Bombeiros e da Guarda Municipal. Hoje, durante o dia, ocorrerá uma nova tentativa com técnicos da Famma. 

De acordo com Jackson, o objetivo é retirá-lo dessa região próxima às casas – onde ele corre o risco de ser capturado por caçadores – e colocá-lo no Rio Gravataí, longe de moradias. 

Mais de uma vez, caçadores tentaram capturar os jacarés, inclusive à noite. Por ser tratar de animais silvestres, este é um crime ambiental que pode levar à prisão. 

A diretora do Bem Estar Animal de Gravataí, Márcia Becker, acredita que o jacaré pode ter surgido na lagoa após alguma enchente e com a cheia do rio. 

— E se ele está encontrando alimentos na lagoa, vai ficando. Em uma semana ele já se adapta, porém, corre risco de ser pego por caçadores — explica. 




 

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