Magali Moraes e os benefícios de carpir um lote - Notícias - No Diário Gaúcho você encontra notícias do RS, informações de utilidade pública, muito entretenimento, além de conteúdos esportivos e jornalismo policial.

Versão mobile

Coluna da Maga08/11/2017 | 10h00Atualizada em 09/11/2017 | 17h13

Magali Moraes e os benefícios de carpir um lote


A escritora e publicitária Magali Moraes é a nova colunista do Diário Gaúcho. Ela vai escrever a Coluna da Maga, todas as sextas-feiras.
Foto: Miguel Neves / Divulgação

Você já mandou alguém carpir um lote? Coisa boa dar essa dica pros desocupados de plantão. Sabe o tipo de gente que não tem o que fazer e se ocupa incomodando geral? Válido também pra quem só reclama da vida e os que vivem cuidando da vida dos outros. Todos poderiam escolher um terreno bem grande, de frente a fundos, pegar uma enxada e gastar ali sua energia. Sem pressa. Se os políticos reservassem um dia da semana pra capinar um lote, será que roubariam menos e focariam mais nas necessidades de quem os elegeu?

Não dá pra falar de qualquer jeito pra alguém carpir um lote. Tem que usar a entonação certa de voz. Aquele tom definitivo, que não deixa dúvidas. Não pode parecer um aviso, tem que ser uma ordem. Ou um conselho indiscutível. Eu nunca mandei oficialmente alguém se dedicar ao ato de capinar, mas tenho vontade. A gente ouve e vê cada coisa por aí. Carpir um lote é a salvação da lavoura. É a paz na terra entre os homens. 

Leia outras colunas da Maga 

Rosetas e inços

Agora, melhor do que mandar alguém carpir um lote é a gente mesmo procurar um pedaço de verde pra se entreter. Mexer na terra é esquecer dos problemas. Não são apenas os desocupados que se beneficiam do poder terapêutico de carpir um lote ou assemelhado. Os que se estressam demais também precisam botar a mão na enxada, num serrote de poda, num saco de terra preta. E ver as unhas encardirem (sem tempo de colocar luva).

Na cidade, às vezes bem que eu gostaria de carpir um lote. Não tem como. Quando vou para a praia, o micro mini jardim da minha casa se transforma num terrenão e me convida a desestressar. Arranco rosetas e inços da grama. Tiro as folhas secas. Pego a tesoura e saio podando. Observo onde nasceu flor, onde cresceu galho, onde tem formiga e fungo. Coloco veneno. Ligo a mangueira e mato a sede das plantas. Faço planos de comprar mudas, pedras, terra. Me sinto parte daquilo. Que cada um de nós ache o seu lote pra carpir e ser feliz.




 

Vídeos recomendados para você

 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros