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Opinião18/11/2017 | 07h00Atualizada em 18/11/2017 | 07h00

Manoel Soares: "Mostre esta coluna para o seu pai"

Colunista apresenta argumentos para leitora cujo pai é racista

Manoel Soares: "Mostre esta coluna para o seu pai" Lauro Alves/Agencia RBS
Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

"Lá vem o Manoel de novo falando de negros. Mas que cara chato." 

Assim uma leitora, de pele clara, relata que falou seu pai ao abrir a pagina do Diário Gaúcho na semana passada. Ela lamentou não ter argumentos para convencer o pai racista de que meus textos eram necessários. Como ele é dono de um mercadinho conhecido na periferia da Zona Norte, pediu que não revelasse seu nome. 

Em respeito a ela, vou preservar a identidade dos dois, mas aqui vão alguns argumentos em números que mostram a necessidade de textos e programas nesse tema: de acordo com o IBGE, de cada 10 pessoas pobres no Brasil, sete delas têm pele escura. Um bebê negro tem 30% mais chances de morrer antes de completar um ano de vida. De cada cem negros, 22 não têm banheiro em casa. De cada cem brancos, oito não têm. 

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O Brasil mascara o racismo dizendo que o problema é social e não racial, mas os brancos pobres têm mais oportunidades. Basta olhar para dentro das lojas de grife em Porto Alegre e ver se há negros como vendedores. Alguns dizem que, se queremos espaço, temos que nos qualificar. Se pensarmos que somente 27% das matrículas das faculdades são de pessoas negras, diante do fato de sermos 54% da população, entendemos que, sem estudo, ganharemos menos.

 E isso é histórico: na abolição de 1888, somente 5% dos negros eram escravos, ou seja, não ganhamos liberdade, fomos abandonados. Cabe lembrar que, em 1890, dois anos após a abolição, um decreto oficial oferecia terras e ajuda nas viagens para europeus também pobres. Isso mostra que, entre eu e um branco de 37 anos, as chances que os bisavós dele tiveram de vencer foram muito maiores. 

Amiga leitora, tenha paciência com o seu pai. O fato de você não reproduzir o racismo dele já é motivo de alegria para mim. Quero que siga firme e mostre para seu pai que ainda existe metade de uma abolição a ser conquistada.


 

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