Conheça a história de pessoas que terão um Natal mais feliz graças à solidariedade alheia  - Notícias

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Noite feliz23/12/2017 | 07h00Atualizada em 23/12/2017 | 07h00

Conheça a história de pessoas que terão um Natal mais feliz graças à solidariedade alheia 

DG resgata apelos publicados no jornal em 2017 que foram atendidos e mostra como fazer o bem faz toda a diferença na vida de quem precisa

Conheça a história de pessoas que terão um Natal mais feliz graças à solidariedade alheia  Félix Zucco/Agencia RBS
Depois de perder a mulher, Samuel contou com a generosidade de quem doou leite e roupas para Nicolly Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Que Natal é tempo de amor, reflexão e solidariedade, todo mundo sabe e costuma repetir nesta época do ano. Mas colocar a teoria em prática é bem mais difícil. Mesmo assim, em 2017, muita gente se sensibilizou com apelos publicados no Diário Gaúcho e se dispôs a ajudar o próximo. 

A seguir, o DG conta histórias de pessoas que tiveram um sonho realizado ou uma necessidade atendida graças à generosidade alheia, e mostra como fazer o bem faz toda a diferença na vida de quem precisa. Para elas, este Natal será mais feliz, com esperança e fé renovadas, mas, acima de tudo repleto de gratidão. 

"Dá pra acreditar na humanidade"

Este Natal deveria ser especialmente feliz e de muita alegria na casa de Samuel Machado Vila Novas, 26 anos, da Vila São Pedro, em Porto Alegre. Isso porque seria o primeiro com a família completa após a chegada da filha Nicolly da Silva Machado, que nasceu no dia 11 de outubro. Mas uma fatalidade interrompeu os planos do auxiliar de serviços gerais: sua mulher, Cristiane da Silva Palhano, então com 21 anos, morreu dois dias após o parto, por conta de complicações de saúde, deixando Samuel com a menina e o outro filho do casal, Lucas Rafael, quatro anos. Sem o leite materno, Nicolly precisava do leite em pó Nan para ser alimentada, apelo feito pelo pai nas páginas do Diário Gaúcho. 

Bebê que perdeu a mãe e precisa de leite em pó mobiliza corrente de solidariedade

O retorno que ele obteve, por meio de uma imensa onda de solidariedade, é, justamente, o que vai tornar a data menos difícil, apesar da saudade.

– Nunca pensei que ganharia tanta coisa. Já se passaram dois meses e ainda continuo recebendo doações. Tem de tudo: leite, fraldas, roupas. Estou guardando muita coisa na casa da minha sogra, porque falta espaço aqui – conta Samuel. 

Fora o que já foi consumido pelo bebê nesse período, ainda restam 800 latas de Nan na casa de duas peças em que ele mora. Do número de fraldas, já perdeu as contas! E o roupeiro está abarrotado de roupinhas. Com tanta demonstração de afeto e ajuda recebidos, o Natal de Samuel e dos filhos vai ser, sim, especial e, acima de tudo, de gratidão:

– O que ficou, para mim, de tudo isso, é que ainda existem pessoas boas e que dá para acreditar na humanidade. Uma criança tão pequena ter mobilizado tanta gente a fazer o bem é um consolo nesse Natal, que podia ser pior. Agora, é só pedir para Deus me ajudar a continuar tocando em frente.  

Rede de colaboração e novas amizades

ALVORADA, RS, BRASIL, 15/12/2017 - Dona Wanda está realizando o sonho de publicar um livro graças a ajuda de um grupo de amigos. Neide Colombo (E), Carla Freitas, Matheus Pfluck, Wanda, Lúcio Antonio Brando da Cruz, Mary Ingrid Longoni, Cerlene Voges, Andrios Gomes da Cruz, Gleci Maia Rodrigues e Humberto Ayres (D)(Foto: André Feltes / Especial)
Foto: André Feltes / Especial

Durante décadas, a aposentada Wanda Zimny, 76 anos, de Alvorada, acalentou um sonho: registrar as memórias da família – poloneses refugiados da Segunda Guerra – em um livro. Há dois anos, começou a botar em prática o desejo e escreveu, à mão, 210 páginas contando a vida dos pais na Alemanha de Hitler e a vinda para o Brasil, em 1949, quando se estabeleceram em Porto Alegre. Mas a publicação de uma obra envolve custos com os quais ela não podia arcar, o que diminuía a esperança da idosa.

Imigrante polonesa escreve livro com memórias da Segunda Guerra

Até que teve sua história contada no DG e se viu envolta em uma rede de colaboração que permitiu que Wanda ganhasse o melhor presente de Natal que poderia imaginar: seu livro está em processo de finalização e será publicado em janeiro.  

– Meu grupo da terceira idade comprou em massa as rifas que fiz. Teve quem doou pertences para rifar. O revisor não me cobrou nada, e vou ganhar a maquiagem para as fotos. É muita gente me oferecendo seus serviços de graça ou com descontos, e ainda houve quem me ajudasse com dinheiro. Este Natal vai ser muito emocionante por, na idade em que estou, poder realizar algo que jamais imaginei e por ter conquistado isso pela bondade e união de esforços dos outros – celebra.

Viúva e sem filhos, Wanda, que também já perdeu os pais e o único irmão, vive sozinha. Deve passar o Natal com vizinhos que considera “filhos e netos que não teve”. Para ela, as amizades que se estabeleceram têm um valor inestimável.

– Recebi muitos telefonemas, recuperei amigas perdidas, ganhei um admirador anônimo que me liga todos os dias para me dar bom dia... Poloneses me contataram e me visitaram, me levaram a uma igreja polonesa e também a um jantar. Fiz novos amigos, até de outros Estados. Todo mundo me ajudando, me dando carinho, preocupado comigo. Quanta coisa bonita estou recebendo – relata Wanda, que, com a voz embargada de emoção, completa: 

– O mundo tem jeito. Vivemos numa época de egoísmo, mas, quando se trata de sentimento e de ajuda ao próximo, quanta gente boa se revela. A humanidade não está derrotada. Vale a pena viver e ter esperança.

Multiplicação do amor

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - 2017.12.14 - Angela Ribeiro da Silva com os brinquedos e doações que ganhou graças a uma matéria que saiu no DG. (Foto: ANDRÉ ÁVILA/ Agência RBS)
Ângela arrecadou muito mais do que esperava para a festa de Natal de crianças de ViamãoFoto: André Ávila / Agencia RBS

O Natal da auxiliar administrativa Ângela Ribeiro da Silva, 40 anos, começou a se transformar um mês antes da data. Na edição do final de semana de 25 e 26 de novembro, o Diário Gaúcho publicou a matéria Operários de um Natal Feliz, contando a história de Ângela, que, pelo terceiro ano consecutivo, faria uma festa de Natal para as crianças do bairro Jari, em Viamão, onde vive desde que nasceu. A reportagem fazia um apelo para os leitores ajudarem com doações, de brinquedos a comida, para a confraternização.

Conheça histórias de quem trabalha para um Natal mais feliz

– No mesmo dia em que a matéria saiu, meu telefone não parou de tocar. Eram pessoas querendo saber mais sobre a festa e sobre a comunidade. Eu senti uma emoção em cada um que me procurou querendo ajudar – conta Ângela. 

Os telefonemas vinham de Porto Alegre, Guaíba, Nova Santa Rita, Eldorado do Sul e aumentaram a mobilização no seu local de trabalho: os 20 voluntários, que se prontificaram a colaborar até a matéria ser publicada, viraram 50. 

– Meus colegas pegaram essa causa para si. Nessa situação de crise, a emoção é ainda maior quando a gente consegue ajudar. Tudo isso me deu uma emoção para fazer cada vez melhor – comenta. 

Até a publicação da matéria, Ângela tinha menos de cem brinquedos. Após, já eram mais de 200. Com isso, a festa cresceu: passou de 200 crianças para 300, que tiveram um dia de brincadeiras e diversão. Até um Papai Noel, com barba natural, se sensibilizou com a história e se dispôs a fazer a entrega dos presentes. 

Muitas das pessoas que ajudaram com doação foram na festa para conhecer a comunidade e saber mais sobre a situação do bairro.  A celebração começou às 10h do dia 17 deste mês, no Campo do Jari, com torneio de futebol, cachorro quente, refrigerante, bolo e picolé. Teve brinquedos infláveis, apresentação de grupos de música e dança. 

– Fico orgulhosa de ter contagiado tanta gente – avalia.

Sonho compartilhado vira realidade

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 20-12-25017. Estudante de música Renato Oliveira, que teve sua história contada no DG ao longo do ano e conseguiu levantar a grana que precisava para estudar na Bélgica. Ele toca trompete e ganhou uma bolsa de estudos mas precisava arcar com os custos da viagem. Conseguiu. Embarca em janeiro. (RONALDO BERNARDI/AGÊNCIA RBS)
Renato, de Alvorada, conseguiu arrecadar o dinheiro necessário para estudar música na BélgicaFoto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Por pouco, o trompetista Renato de Oliveira Nunes Junior, 19 anos, não trocou o Natal no bairro Umbu, em Alvorada, pelos festejos da Bélgica. Mas a celebração em solo gaúcho vai ser os últimos momentos ao lado da família pelos próximos seis meses, já que, na primeira semana de janeiro, ele embarca para o país europeu, onde estudará no conservatório de música International Brass Studio. 

Trompetista de Alvorada ganha bolsa para estudar música na Bélgica

A bolsa de estudos foi um convite do professor e trompetista belga Dominique Bodart, que o conheceu durante quatro aulas oferecidas por ele em Porto Alegre, em abril deste ano, mas os custos da viagem foram presentes de vários Papais Noéis, anônimos ou não, que fizeram doações por meio de uma vaquinha online aberta pelo jovem para viajar. 

A campanha foi divulgada em reportagem do Diário Gaúcho, e Renato conseguiu 85% do valor necessário, levantando quase R$ 28 mil. 

– Uma das pessoas que depositaram pra mim se identificou. Vi que ela postou uma foto no Facebook e, pela imagem, percebi que a realidade dela era tão dura como a minha, e o nível social tão baixo como o meu. Fiquei extremamente emocionado com isso.  Ver que as pessoas acreditam que sonhar é possível foi a maior lição que tirei desse momento. Muitas pessoas passaram a sonhar comigo quando me ajudaram – avalia.

O embarque, previsto inicialmente para outubro, foi adiado pelo atraso no visto, que só chegou nesta semana. Mas as malas já estão quase prontas, e Renato consegue imaginar como será sua noite de Natal às vésperas de abraçar a maior oportunidade de sua vida:

– O Natal tem toda uma magia, e, neste ano, vai ser ainda mais especial, marcado pela emoção. Foi um ano de muitas conquistas e aprendizado. Cresci muito. Tenho certeza de que, lá em casa, vamos estar todos muito emocionados. 

*Colaborou Jeniffer Gularte


 

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