Magali Moraes escreve sobre a fila da lotérica - Notícias

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Coluna da Maga08/12/2017 | 10h00Atualizada em 08/12/2017 | 10h00

Magali Moraes escreve sobre a fila da lotérica


A escritora e publicitária Magali Moraes é a nova colunista do Diário Gaúcho. Ela vai escrever a Coluna da Maga, todas as sextas-feiras.
Foto: Miguel Neves / Divulgação

O que você pensa enquanto tá ali? Que a fila não anda. Que podia estar fazendo outras coisas. Que a pessoa da frente decidiu pagar todas as contas do mundo justo hoje, só porque você está com pressa. Que a lotérica é o novo banco, pode até sacar dinheiro. Pensa que o número de pessoas que entram na fila pra apostar é menor que os pagantes de contas. Você olha pros lados, procurando distração. Olha pra baixo e pensa na quantidade de calçadas esburacadas.

Quando a mulher atrás na fila começa a mandar áudios sem parar, você pensa nessa mania (ou preguiça) de só mandar áudio. Coisa chata! Ninguém escreve mais as mensagens. E a gente não é obrigado a ouvir a vida dos outros. Daí você presta atenção no tom de voz, num trecho da conversa e percebe que ela está brigando com o namorado. Pensa em dar um conselho (miga, não se briga por Whats), mas o estômago ronca e te faz pensar no que tem de almoço hoje.

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Gorjeta boa

Se a fila tá grande, dá pra pensar no futuro. E sonhar o que você faria se estivesse na lotérica pra mostrar um bilhete premiado e receber uma bolada. Pensa no espanto da atendente. Em como disfarçar a sua cara de milionário antes que alguém da fila peça uma ajudinha. Os pensamentos voam. Como gastar esse dinheirão? Milionários também levam a carteira no bolso? Dão gorjeta boa? Andam mesmo de jatinho? Quanto custa dar a volta ao mundo? Nunca mais precisa trabalhar?

Quando a fila anda um pouquinho, você pensa nos distraídos que não percebem as filas andarem. Pensa em quanto tempo da vida o ser humano gasta em filas. Meses? Anos? O tempo feio te faz pensar se as janelas de casa estão fechadas. Você observa uma mãe com a filhinha no colo e pensa como elas podem ser tão parecidas. Bate um ventinho frio e você pensa que é melhor aproveitar porque logo vem o calorão. E pensa do nada: já é sexta, que bom! Ah se na fila da lotérica todos os nossos pensamentos valessem algum dinheiro.  




 

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