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SAÚDE EM CANOAS26/12/2017 | 18h43Atualizada em 26/12/2017 | 18h45

Protesto de médicos restringe atendimentos em Canoas

Até amanhã, apenas pacientes considerados de urgência e emergência serão atendidos no HSPC e nas UPAs Caçapava e Rio Branco

Protesto de médicos restringe atendimentos em Canoas Omar Freitas / Agencia RBS/Agencia RBS
Foto: Omar Freitas / Agencia RBS / Agencia RBS

As faixas de protesto em frente ao Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC), no bairro Mathias Velho, ontem, indicavam a mobilização dos médicos ligados ao Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp). Até amanhã, eles seguirão com restrições nos atendimentos de três unidades de saúde da cidade _ HPSC e UPAs Caçapava e Rio Branco. Apenas pacientes considerados de urgência e emergência receberão atendimento. 

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A medida pretende chamar a atenção da população e dos órgãos públicos para o que profissionais identificam como más condições de trabalho nestes locais _ as unidades estariam com restrições de materiais e medicamentos fundamentais para o atendimento e, ainda, há atraso de pelo menos cinco meses nos salários dos médicos não-celetistas. No Hospital de Pronto Socorro de Canoas são prestados cerca de 8 mil atendimentos mensais. Na UPA Caçapava, em média 3,8 mil, e na Rio Branco, aproximadamente 5,5 mil.

Em outubro deste ano, o prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busato, chegou a anunciar a mudança na gestão das três unidades, depois que o Gamp abriu mão das gerências. Porém, a alteração não se confirmou. Em nota, o Gamp informou que "por solicitação da própria Secretaria, se mantém à frente das administrações". Já a prefeitura não informou o motivo para ter mudado de ideia depois do anúncio.  

Atendimento

Segundo a diretora do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Gisele Lobato, as negociações entre o Gamp e os médicos não avançaram. Na manhã de ontem, ela percorreu as unidades, falou com os profissionais e distribuiu panfletos explicando a situação aos pacientes que aguardavam atendimento. No período da mobilização, apenas 30% dos médicos ficarão disponíveis para situações consideradas graves. 

A reportagem percorreu as três unidades nas primeiras horas da mobilização e quase não encontrou pacientes aguardando nos postos e no hospital. Conforme o Simers, desde a semana passada, a população vinha sendo recomendada a buscar atendimento nas UBSs, nestas datas, para casos de baixa complexidade. Mesmo sabendo da restrição, a dona de casa Samanta de Melo, 40 anos, moradora do bairro Estância Velha, buscou auxílio na UPA Rio Branco e foi recebida. 

Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

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_ Minha única reclamação é quanto à demora para saber resultados urgentes de exames de sangue e de urina, pois eles precisam ser enviados para análise em outro local. Na semana passada, quando trouxe meu filho ao pediatra, me informaram sobre o protesto. Acho justo, se a situação é difícil para os profissionais _ comentou, ao deixar a unidade depois de ser atendida. 

O alerta do Sindicato para a busca de outras unidades também segue valendo para os outros 147 municípios que encaminham seus enfermos para as unidades de saúde de Canoas. 

_ Na quinta-feira, uma nova assembleia será realizada para decidirem pela continuidade ou não da restrição _ explica Gisele.

Pagamentos atrasados

Com relação aos atrasos nos salários dos médicos, o Gamp informou em nota que há dois meses o Estado não repassa os recursos para manutenção dos serviços de saúde em Canoas. Citou ainda que a prefeitura tem usado recursos próprios para manter em dia os repasses às instituições de saúde, garantindo o atendimento à população. A nota ainda diz que "o Gamp segue em diálogo permanente com os governos municipal e estadual, a fim de sanar as dificuldades relacionadas ao pagamento dos salários de médicos. A Organização já efetuou o pagamento do 13° salário, que totalizou quase R$ 7 milhões neste mês, que somado à folha de pagamento de R$ 9 milhões, gerou um grande impacto financeiro, uma vez que o contrato de gestão das unidades é de R$ 16,6 milhões".

Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria Estadual da Saúde informou que "hoje, a dívida com o Gamp é de 

R$ 4 milhões, referente a orçamentação de outubro. O pagamento da dívida deve ocorrer nos próximos dias". 

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