Corpo esquartejado e carbonizado é de homem que cobrou dívida de amigo em Porto Alegre - Notícias

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Investigação03/01/2018 | 16h14Atualizada em 03/01/2018 | 16h15

Corpo esquartejado e carbonizado é de homem que cobrou dívida de amigo em Porto Alegre

Corretor de imóveis e amigo íntimo da vítima está foragido pelo crime

A Polícia Civil confirmou, na manhã desta quarta-feira (3), que o corpo localizado esquartejado e carbonizado em Eldorado do Sul, no dia 1º, é de Jonathan Rafael Maria, 31 anos. O homem, conhecido por familiares como "Gigante", por causa dos seus 2 metros e 140 kg, estava desaparecido desde de dezembro de 2017, quando saiu para cobrar uma dívida de aproximadamente R$ 60 mil que tinha com um amigo. 

A confirmação de que o cadáver era de Jonathan veio através do reconhecimento da família. Apesar de ter o corpo carbonizado, uma tatuagem com o nome da mãe dele permaneceu intacta no tronco. A mulher dele, ao ler a tatuagem com o nome "Sandra", não teve dúvidas de que o marido era a vítima do assassinato. 

Bombeiros descobriram o corpo ao serem chamados para apagar fogo em lixo às margens da BR-290. Após jogar água nas chamas, perceberam o cheiro estranho e abriram um saco, encontrando restos humanos e armas brancas. A Polícia Civil de Eldorado do Sul foi ativada e começou a apuração, mas não sabia quem era a vítima. Por isso, procurou o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de Porto Alegre, que já sabia do desaparecimento. 

A delegada Elisa Souza e a equipe da 6ª Delegacia de Homicídios passaram a terça-feira (2) inteira no caso. Eles conseguiram confirmar uma suspeita da família de Jonathan: o amigo íntimo que o devia, o corretor de imóveis Victor Batista Ferraz, é quem cometeu o crime sob motivação financeira

— Esse homem e o Jonathan colocaram dinheiro no banco, e combinaram de que só retirariam depois de um ano para fazer investimentos em terrenos. Mas o Victor foi antes e pegou dinheiro. Quando Jonathan foi pegar a parte dele, o dinheiro não estava mais lá e o amigo não tinha comentado nada. Então Jonathan foi atrás dele — explica a delegada Elisa.

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Victor Batista Ferraz, 31 anos, é o principal suspeito do crime
Victor Batista Ferraz, 31 anos, é o principal suspeito do crimeFoto: Arquivo pessoal / Divulgação Polícia Civil

Descoberta da polícia

A desconfiança sobre o amigo começou pela esposa de Jonathan. Antes de ser morto, na tarde de 29 de dezembro, ele mandou para a companheira a localização de onde estava, na Rua General Rondon, bairro Tristeza, por um aplicativo de mensagens. Ele se dizia "espiado" com a residência, que pertence a um tio de Victor que havia viajado para o Litoral Norte durante as festas de fim de ano. Depois, ainda dentro da casa, pouco antes das 15h, mandou uma foto da sala dizendo que já estava reunido com o amigo. A esposa tentou, 10 minutos depois, contato com Jonathan, que já não respondeu em nenhum de seus dois celulares. 

Preocupada, ainda na noite daquele dia, a esposa registrou o desaparecimento dele na Polícia Civil. Por conta própria, ela ainda procurou Victor, que afirmou ter pago o dinheiro ao amigo, que teria deixado a residência acompanhado de uma mulher. O suspeito ainda teria convidado a esposa do amigo para entrar, mas ela, com medo, preferiu ficar do lado de fora da residência. 

Após isso, no dia 1º, o tio do suspeito retornou da praia e encontrou a casa alagada, com manchas de sangue, cheiro forte e um pedaço de dedo humano. A situação foi reportada aos policiais. A Polícia Civil também ouviu dois homens que estavam com tratores na BR-290 e viram o suspeito deixando os sacos nas margens da rodovia. Um deles ainda teve contato com o foragido, que teria pedido ajuda para desatolar um Up usado no crime. 

Os agentes ainda encontraram o carro da vítima, que também estava desaparecido e era um elemento que confundia os policiais. A Hyundai Tucson havia sido deixada por Victor em uma oficina mecânica da Rua Coronel Massot. O corretor comentou para os funcionários do estabelecimento que o alarme estava com problema e que pegaria o veículo em seguida, mas nunca mais retornou.

Com todas as provas reunidas, a 6ª Delegacia de Homicídios teve deferida pela Justiça um pedido de prisão do corretor de imóveis. Na manhã desta terça-feira, agentes o procuraram, mas não o localizaram. Por isso, agora, ele é considerado foragido.

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