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Coluna da Maga08/01/2018 | 07h00Atualizada em 08/01/2018 | 07h00

Magali Moraes e a Porto Alegre dos telhados de lona

Magali Moraes e a Porto Alegre dos telhados de lona Miguel Neves/Divulgação
Foto: Miguel Neves / Divulgação

Algumas cidades são reconhecidas no mundo inteiro por suas belezas arquitetônicas. Com prédios históricos bem conservados. Prédios modernos que transformam o dia a dia das pessoas. Ou com a feliz combinação disso. Eu circulo por Porto Alegre e observo a arquitetura da miséria que a nossa cidade se tornou. Carcaças de obras abandonadas. Barracos enjambrados. Fachadas sujas e pichadas. Pontes transformadas em condomínio de moradores de rua.

O viaduto da Borges, que sempre foi um cartão postal de orgulhar os gaúchos, virou um dormitório a céu aberto. As margens do arroio Dilúvio também retratam esse urbanismo do caos. A cada dia surgem mais casebres erguidos com tábuas, cordas e lonas. Parece um novo loteamento, mas sem visita ao apartamento decorado. Na vizinhança da mesma Avenida Ipiranga, o Ginásio da Brigada Militar completa a paisagem. Destelhado até quando? Na casa da gente, consertamos logo o que estraga. E na cidade?

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Os telhados de lona são a vontade de ter um canto pra chamar de seu. O carrinho de supermercado cheio de pertences não resolve a vida. Ter um lar é uma necessidade que independe de classe social. Ao longo do meu caminho pra casa, vou observando esse jeito desumano de habitar. Que dó! Um dos casebres chama a atenção por ser mais arrumadinho. O mesmo telhado de lona, só que esticada no capricho. Colocaram até vasos de plantas enfileirados ao redor. Uma tentativa de decorar ou de mostrar um pouco de dignidade?

As pessoas improvisam do jeito que dá. Em meio a essa feiura de sobras reaproveitadas, caixas, papelões e ferros retorcidos, Porto Alegre vai se tornando um grande puxadinho. Nos bairros nobres, os telhados de lona ainda não chegaram. É uma questão de tempo. As lonas pretas, amarelas e as roubadas de painéis publicitários são os novos materiais de construção. Em breve, ninguém mais consegue fingir que não vê a arquitetura da miséria.


 

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