Magali Moraes fala sobre as muitas formas de abuso - Notícias

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Coluna da Maga22/02/2018 | 15h54Atualizada em 28/02/2018 | 09h48

Magali Moraes fala sobre as muitas formas de abuso

Não dá mais pra suportar abusos. Nem de padrasto com enteada. Nem de homofóbicos, pedófilos, racistas e machistas

  

A escritora e publicitária Magali Moraes é a nova colunista do Diário Gaúcho. Ela vai escrever a Coluna da Maga, todas as sextas-feiras.
Foto: Miguel Neves / Divulgação

Me contaram que a novela das nove foi pesadíssima essa semana. A enteada denunciou o padrasto abusador, e uma infância de silêncios veio à tona, com cenas fortes que ninguém quer ver. Eu, que não sou fã de novela, nessas horas bato palmas. A TV aberta tem um papel super importante na casa da família tradicional brasileira: tirar de baixo do tapete assuntos que não podem ficar escondidos. Estamos em 2018, lembra? Não dá mais pra suportar abusos. Nem de padrasto com enteada. Nem de homofóbicos, pedófilos, racistas e machistas.

Se o assunto morrer nos próximos capítulos (como o infeliz já morreu), não esqueça da personagem Laura. Antes isso viesse da imaginação do autor. A vida real está cheia de Lauras que ainda não conseguiram se livrar dos abusos sofridos por seus Vinícius. Quanto mais distante no passado a dor está guardada, maior é o grito entalado. Esse grito precisa sair e ser ouvido. A gente pensa que é problema dos outros. E se esses outros estiverem dentro de casa, na nossa roda de amigos, na mesma rua? 

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Intragável

Além dos abusos devastadores, existe um tipo de abuso que também nenhuma de nós tolera mais. Irritante, insistente e intragável. É o machismo camuflado no dia a dia, querendo diminuir as mulheres. A piadinha velha. A voz masculina que interrompe e intimida a voz feminina. A permissão dada ao filho que não vale pra filha. O chefe que ameaça a funcionária. O marido ou namorado que humilha sua companheira. O colunista que perde o bom senso e publica machismo em espaço nobre.

Mas hoje é dia de ser otimista e acreditar que a humanidade não está totalmente perdida. Alô, noveleiros de plantão! Quando a novela abrir um debate relevante, me avisem pra comentar aqui. Alô, mulherada maravilhosa! Sigam firmes no propósito de não deixar os machistas passarem. Alô, leitores homens! Obrigada por me ouvirem sempre. Sei que existem exceções à regra, por isso, eu conto com vocês. 


 
 
 
 
 
 
 
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